12 curiosidades sobre sambas-enredo

1. Na primeira disputa das escolas de samba cariocas, em 1932, cada uma das agremiações poderia apresentar três sambas. Entretanto, as músicas não precisavam, necessariamente, ter um mesmo enredo.

2. No ano seguinte, 1933, foram definidos os quesitos para avaliar a escola: poesia do samba, enredo, originalidade e conjunto. É desse ano o primeiro samba-enredo de que se tem notícia: "Homenagem", de Carlos Cachaça, compositor da Mangueira.

3. Com Getúlio Vargas no poder, durante o Estado Novo, os sambas-enredo passaram a ser, obrigatoriamente, nacionalistas. Ficaram proibidas, a partir de 1938, "histórias internacionais em sonhos ou imaginação". A primeira composição de uma escola de samba que obedeceria a esse tipo de enredo seria "Asas do Brasil", desse mesmo ano, uma homenagem do Salgueiro a Santos Dumont. Anos depois, durante a Segunda Guerra, a maioria dos sambas exaltava o Brasil.

4. Em 1946, o samba-enredo foi consolidado nos desfiles das escolas de samba. Desde essa data, escolas que apresentam sambas fora do contexto do enredo pré-estabelecido são penalizadas pelos jurados.

5. O último samba-enredo composto por Cartola para a Mangueira desfilou em 1948. "Vale do São Francisco", feito em parceria com Carlos Cachaça, até hoje é um clássico do samba.

6. No início dos anos 60, o Salgueiro fez uso de seus sambas-enredo para homenagear personagens negros da história do Brasil: Zumbi dos Palmares, em 1960, e Xica da Silva, em 1963.

7. Em 1964, o Império Serrano apresentou um dos sambas-enredos mais famosos da história, "Aquarela Brasileira". Composto por Silas de Oliveira, o samba é uma homenagem ao clássico "Aquarela do Brasil" (1939), de Ary Barroso.

8. O Império Serrano também entrou para a história do Carnaval brasileiro em 1965 ao quebrar a barreira machista que dominava a tradição popular. Nesse ano, Dona Ivore Lara consagrou-se como a primeira mulher a compor um samba-enredo: o clássico "Os Cinco Bailes da História do Rio", parceria com Silas de Oliveira. A escola foi vice-campeã. Ainda hoje, no entanto, são poucas as mulheres que levam um samba para a avenida.

9. Os sambas-enredo só voltaram a ter temas livres em 1997. A escola de samba Acadêmicos da Rocinha aproveitou e cantou "A Viagem Fantástica de Zé Carioca à Disney", mas acabou rebaixada. Já a Viradouro, com "Trevas! Luz! A explosão do universo", que falou sobre o big bang, foi campeã.

10. Em 2004, para comemorar os 20 anos da Sapucaí, a Liga Independente das Escolas de Samba sugeriu que alguns sambas fossem reeditados: o Império Serrano escolheu "Aquarela Brasileira", de 1969, enquanto sua vizinha de Madureira, a Portela, foi de "Lendas e Mistérios da Amazônia", de 1970. Já Viradouro e Tradição optaram por sambas de outras escolas: a primeira com "Pediu pra Pará, parou! Com a Viradouro eu vou pro Círio de Nazaré" (mesmo samba de "A Festa do Círio de Nazaré", da Unidos de São Carlos, atual Estácio de Sá, de 1975) e a segunda com "Contos de Areia", samba de 1984 da Portela. Nos anos seguintes, a prática das reedições se tornou mais comum nos grupos de acesso.

11. Em 2009, o compositor Martinho da Vila aproveitou o enredo de 2010 da Vila Isabel para usar a letra de uma música feita sobre Noel Rosa (o homenageado do enredo) para o samba. Em 2015, em sua volta ao Grupo Especial, a Viradouro apresentou um samba-enredo que, na verdade, unia duas músicas do compositor Luiz Carlos da Vila: "Nas veias do Brasil" e "Por um dia de graça".

12. O samba de 1985 do Império Serrano é considerado o primeiro fruto de um enredo patrocinado. A Cia Cervejaria Brahma ajudou a bancar o desfile "Samba, suor e cerveja - O combustível da ilusão". De lá para cá, já se falou de tudo em troca de um patrocínio: do iogurte (Porto da Pedra, 2012) ao cavalo mangalarga (Beija-Flor, 2013).