“E o Sílvio Santos lálálálá-lálálálálá-lálálá…” A clássica repetição de “lás” virou marca registrada do “Show de Calouros”, dentro do programa Silvio Santos, no ar de 1973 a 1996. Jurados como Pedro de Lara, Aracy de Almeida, Décio Piccinini e o maestro José Fernandes tiveram seus nomes eternizados ao entrarem no palco, convocados por Sílvio, sob a sequência de “lás”. Mas a curiosidade é para quem acha que a melodia foi criada pela orquestra do programa. Há quase um século, surgia a pioneira música que colocaria na história os jurados do “Show de Calouros”.

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Em 1920, dois russos – o compositor Boris Fomin e o poeta Konstantin Podrevskii – se juntaram para criar uma música. A canção foi nomeada “Dorogoi dlinnoyu”, traduzida como “Pela Longa Estrada”. A cantora georgiana Tamara Tsereteli, em 1925, foi a primeira que deu voz à sequência de “lás”. O tema russo ganhou destaque em 1953, quando apresentado no filme “Inocentes em Paris”, estrelado por Alastair Sim e Ronald Shiner.

Em 1960, o músico americano Gene Raskin traduziu a canção russa para o inglês. Em 1968, produzida por Paul McCartney, a canção “Those Were the Days”, tradução literal de “Aqueles Foram os Dias”, obteve sua gravação mais notória pela voz da cantora galesa Mary Hopkin. O sucesso estrondoso da música rendeu o primeiro lugar nos hits britânicos e a segunda colocação na Billboard. A música de Mary Hopkin também é lembrada por ter sido usada para abafar o som do Estádio Nacional da Guiné Equatorial, onde 150 supostos golpistas foram fuzilados a mando do presidente Francisco Macías Nguema.

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Entre as mais de 70 gravações em diferentes línguas da música russa, houve apenas uma no Brasil, cantada pela brasileira Joelma – não a do Calypso. Em 1969, Joelma lançou a música “Aqueles Tempos”.

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(com pauta de Antonio Mier, criador da página “Caçadores da Música Perdida”)

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