O Boca Juniors está proibido de usar sua terceira camisa oficial – cor-de-rosa – no próximo jogo pelo Campeonato Argentino, no domingo (13). Sem explicar o motivo, a Associação de Futebol da Argentina (AFA) exigiu que o time entre em campo com seu traje principal, azul e amarelo. Se a regra for desrespeitada, o Boca Juniors arcará com uma multa. A equipe apresentou a camisa cor-de-rosa em julho deste ano, com a justificativa de que a primeira camisa da história do time argentino teria sido dessa cor. A atitude gerou polêmica entre os torcedores, pelo fato de o cor-de-rosa ainda ser estigmatizado como uma cor feminina.

Tratando-se de cor-de-rosa e futebol, a polêmica gerada pelo Boca Juniors não é inédita. Confira, no Blog do Curioso, outros casos que deram o que falar:

Deportivo Táchira

No dia 28 de outubro de 2012, o time venezuelano de futebol provocou uma confusão ao entrar em campo para uma partida válida pelo torneio Apertura com uniformes cor-de-rosa. Era parte uma série de manifestações que a equipe andava fazendo em campanha contra o câncer de mama. O motivo, apesar de nobre, não agradou aos torcedores, que, revoltados, invadiram o campo. Depois de 40 minutos sem sucesso na contenção da revolta, a comissão técnica optou pela anulação da partida.

Botafogo (RJ)

Em setembro deste ano, foi lançado o novo modelo feminino do uniforme do alvinegro carioca: uma camisa cor-de-rosa. A imagem foi divulgada pela primeira vez na última semana de agosto na página oficial da marca Puma no Facebook. Apesar de a camisa não ser destinada aos jogadores, alguns torcedores protestaram contra a escolha da cor. Entre as mulheres, no entanto, o produto foi aprovadíssimo: no fim de semana seguinte, o modelito já figurava nas arquibancadas do Engenhão.

Atlético-MG

Em 2010, o Atlético-MG lançou uma camisa de treino cor-de-rosa, para agradar ao público feminino, cada vez mais crescente nas torcidas brasileiras. O curioso é que, apesar do sucesso de vendas, o modelo foi logo tirado de circulação. O problema? As brincadeiras feitas pelos rivais do time quanto ao questionamento da masculinidade dos atleticanos.

Benfica (Portugal)

Por questões comerciais (aumentar a venda de camisas para mulheres), o clube português lançou em 2007 um 3º uniforme cor-de-rosa. A estratégia não deu muito certo: o time sofreu preconceito das torcidas rivais e, apesar de favorito, terminou o Campeonato Português na terceira posição.

Corinthian-Casuals (Inglaterra)

Em 1939, os ingleses Corinthian e Casuals se juntaram para formar o Corinthian-Casuals, o time de futebol amador mais importante do mundo. A semelhança do nome da equipe inglesa com o do Timão brasileiro não é mera coincidência: o Corinthian, que estava em alta quando visitou o Brasil em 1910, foi a inspiração para a escolha do nome do time que acabara de ser fundado. Antes da fusão com o Casuals, o Corinthian era alvinegro, assim como o parceiro brasileiro. Depois da parceria, o time adotou o marrom e o cor-de-rosa do Casuals para compor a camisa oficial. O Corinthian-Casuals joga hoje na oitava divisão do Campeonato Inglês.

Sport Boys (Peru)

O time peruano, fundado em 1927, é um dos únicos no mundo que, assim como o Rio Branco, têm o cor-de-rosa como cor oficial. A torcida está longe de ter vergonha da cor: apelidou o time de Los Rosados. O Sport Boys estreou na Copa Libertadores em 1991, e ficou conhecido nos países rivais não por seu futebol, mas por seu uniforme exótico.

Rio Branco (RJ)

O time da cidade fluminense de Campos, fundado em 1912, é o único no Brasil a adotar o cor-de-rosa, junto ao preto, como cor oficial. O time róseo-negro, que hoje disputa a série B do Campeonato Carioca, foi quem revelou Didi, eleito melhor jogador da Copa de 1958.

Palermo (Itália)

Fundado em 1900, Palermo é o time mais antigo do mundo a usar uniformes cor-de-rosa oficiais. O time já faliu três vezes em sua história: em 1927, 1940 e 1986. Hoje, disputa a série A do Campeonato Italiano, pintando os estádios de cor-de-rosa. A cor, por sinal, não é motivo de gozação entre os rivais.

Juventus (Itália)

Acredite se quiser: o alvinegro italiano já foi róseo-negro. Entre 1897 e 1905, o Juventus usou uniformes cor-de-rosa. A mudança de cor foi uma tentativa de imitar o inglês Notts County, em alta na época. Na década de 90, o Juventus voltou a fabricar uniformes comemorativos cor-de-rosa, que até hoje são usados em algumas partidas.

Em tempo: o cor-de-rosa sempre foi considerado uma cor feminina?
Não. Trata-se de uma questão cultural iniciada na década de 1940, quando as mães começaram a vestir suas meninas de cor-de-rosa e seus meninos, de azul. A escolha parece ter sido aleatória ou, segundo algumas linhas de pesquisa, baseada em questões biológicas (as mulheres teriam preferência por tons vermelhos, porque a função delas, em tempos primitivos, era colher frutas maduras dessa cor; os homens seriam adeptos da cor azul devido a sua relação com os mares e rios, onde caçavam alimentos). O mais curioso, no entanto, é que a lógica não foi sempre a mesma. Do início da idade contemporânea até 1920, todos os nenéns usavam branco. Quando iniciou-se a distinção cultural de gêneros dos recém-nascidos, nos anos 20, o azul estampava as roupinhas das meninas, enquanto, pasmem, o cor-de-rosa era a cor oficial dos bebês do sexo masculino.

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