O Dia de São Patrício (St. Patrick’s Day) começou, como seu nome sugere, como um feriado religioso. O santo que dá nome à comemoração foi um padre inglês que foi à Irlanda no século V com o objetivo de evangelizar a população local, que tinha tradições culturais celtas. Ele foi um dos primeiros a levar o catolicismo à região, e reza a lenda que a associação do feriado nacional irlandês ao símbolo do trevo (shamrock) se deve ao fato de Patrick ter usado as três folhas da planta para explicar a santíssima trindade aos pagãos. 

Nascido ao sul da península britânica na época em que ela estava sob domínio do Império Romano, “Patrick” na verdade se chamava Maewyn Succat, e esteve na Irlanda pela primeira vez aos 16 anos, quando foi sequestrado por piratas irlandeses e preso pelos seis anos seguintes. Em seus escritos, ele atribuiu a sua devoção católica e posterior transformação em padre a esse período. 

O dia começou a ser comemorado em 1631, e suas celebrações foram relativamente sóbrias por séculos: como o St. Patrick’s Day acontece em meio à Quaresma, os excessos não eram incentivados, mas a data era encarada como um momento de maior descontração, na qual era permitido o consumo moderado de carne e bebidas alcóolicas. Após uma manhã de missa, havia uma tarde de música e dança. Ainda sim, a festa tinha um tom respeitoso, de devoção ao santo padroeiro da nação.

O caráter do feriado começou a mudar com a perseguição de Estado aos católicos irlandeses, que foi gradualmente implementada ao longo do século XVII. Como resultado dessas leis, a festa — que homenageia um papa católico — passou a ser encarada como um símbolo de resistência e orgulho. Mas o St. Patrick’s só virou uma celebração nas proporções atuais com a imigração de irlandeses para os Estados Unidos: o primeiro desfile aconteceu em 1762, quando soldados que serviam ao exército britânico marcharam pelas ruas da cidade de Nova York.

Foi nessa mesma época que a cor verde entrou na história para valer: ela era a cor oficial do uniforme daqueles que lutaram na Rebelião Irlandesa de 1798, se contrapondo ao vermelho do exército britânico. Antes, o santo era associado à cor azul, que permanece o tom dos símbolos oficiais do Estado irlandês. Os rebeldes criaram até uma canção sobre isso, chamada “The Wearing of the Green”. 

Os desfiles nas colônias já eram eventos anuais quando a Irlanda finalmente oficializou o feriado em 1903. Nesse mesmo ano, foi promulgada uma lei que proibiu que os pubs abrissem no dia, pois as autoridades temiam que a disponibilidade de bebida em uma data mais relaxada seria tentadora demais. Essa lei perdurou até a década de 1970. Hoje, a cerveja (que também passou a ser verde em 1913, graças a um nova-iorquino criativo) é uma parte central da celebração do St. Patrick’s. A favorita é a marca Guinness, cujo consumo pula de 5,5 milhões para 13 milhões de litros no dia da festa.

A primeira parada Irlandesa oficial só aconteceu em 1931, e a celebração nos moldes atuais começou mesmo em 1996, com o primeiro Festival de St. Patrick. Atualmente, ele recebe cerca de 1 milhão de visitantes.