Ninguém menos que Charles Darwin se propôs a responder essa pergunta. Em 1898, ele publicou um livro que explorava o que ele chamou de “síndrome de domesticação”, que seria culpada pelas características supracitadas de animais domesticados (como cachorros, é claro, mas também porcos, vacas e ovelhas). No entanto, o cientista — e muitos outros depois dele — não foi capaz de determinar a origem dessa mudança. Nos últimos anos, alguns pesquisadores teorizaram que o número de células da crista neural pode ser a razão central dessa transformação.

As tais células surgem em um estágio incial do desenvolvimento embrionário e são utilizadas para formar uma multitude de coisas do corpo, como pêlo e cartilagem. Algumas delas acabam formando as glândulas suprarrenais, responsáveis pela secreção do hormônio adrenalina, cuja principal função é induzir um estado de maior alerta e disposição física que permita ao animal maior resistência para se proteger de perigos exteriores.

Animais selvagens precisam de muita adrenalina devido ao ambiente no qual estão, o que dificultava as relações entre eles e os homens. A teoria é que a aproximação de alguns animais aos humanos teria feito com que suas futuras gerações tivessem glândulas suprarrenais menos ativas, já que a produção de muita adrenalina se tornou desnecessária e, em muitos casos, um empecilho à harmonia entre espécies.

E o que isso tem a ver com a alteração das características físicas? Glândulas suprarrenais menos ativas seriam o resultado de uma produção menor de células da crista neural, que, como citamos, também são responsáveis pela formação da cartilagem das orelhas, do focinho e da pelagem.