A origem de 10 pratos clássicos

1. Feijoada
Nasceu nas senzalas que abrigavam os escravos no Rio de Janeiro no final do século XIX. Quando os nobres matavam um porco, os restos indesejados - pés, orelhas, rabo e tripas - eram dados aos escravos. Eles misturavam tudo isso ao feijão durante o cozimento e colocavam farinha assada por cima antes de comer. A ideia de criar receitas usando restos originou ainda pratos hoje muito famosos, como a paella espanhola (frutos de mar) e o cassoulet francês (carnes de aves). 

2. Bauru
Quando Casimiro Pinto Neto mudou de Bauru (SP) para São Paulo (SP), na década de 1930, ganhou o nome de sua terra natal como apelido. Certo dia, Bauru chegou ao restaurante Ponto Chic, lugar que costumava freqüentar com seus amigos, e disse ao cozinheiro que queria fazer um sanduíche que atendesse à alimentação perfeita. O lanche deveria levar hidrato de carbono (pão), gordura (manteiga), proteína (carne e queijo) e legumes. Foi assim que nasceu a famosa combinação de rosbife, queijo derretido, alface e tomate. A delícia acabou sendo batizada com o nome de seu criador. Casimiro, que morreu em 2 de dezembro de 1983, também ficou conhecido pela apresentação do programa de notícias Repórter Esso. Ele assessorava Paulo Machado de Carvalho, dono da Record.

3. Brigadeiro
O brigadeiro foi criado no Brasil meio por acaso. Logo depois da Segunda Guerra Mundial, era quase impossível arranjar ingredientes para fazer sobremesas. Alguém resolveu misturar leite condensado e chocolate, e acabou criando o doce. Inicialmente, ele ficou conhecido como bombardeiro, porque as crianças costumavam fazer guerrinhas com as bolinhas de chocolate. As mães, buscando soluções para evitar que as ditas-cujas grudassem na roupa dos pequenos, resolveram cobri-las com granulado. Foi assim que a delícia assumiu sua forma atual. Depois, ela foi rebatizada por causa do brigadeiro Eduardo Gomes, político e candidato à Presidência em 1945 e 1949 — derrotado pelo general Eurico Gaspar Dutra e por Getúlio Vargas, respectivamente. Por causa de um tiro que levou durante a Revolta dos 18 do Forte, rolavam boatos de que ele não tinha o saco escrotal, órgão cuja forma é semelhante ao do doce de chocolate.

4. Carpaccio
O prato foi criado por Giuseppe Cipriani em 1950, para um cliente do Harry’s Bar, em Veneza, que não podia comer carne passada. Cipriani fatiou finos pedaços de filé mignon e cobriu com maionese. O nome da receita foi uma homenagem a Vittore Carpaccio, pintor venesiano do século XV, famoso pelas obras brancas e vermelhas, cores do novo prato.

5. Espaguete à putanesca
Para preparar o molho, basta misturar azeite, tomate, alcaparras, anchova, azeitona, orégano, salsa e pimenta. A receita tradicional do espaguete "alla puttanesca" surgiu em Nápoles, na Itália. Há duas versões para a origem do nome do prato ("espaguete à moda das prostitutas", em italiano). Uma delas conta que as prostitutas adotaram a receita por sua praticidade e rapidez, que permitia o preparo da refeição nos intervalos entre um cliente e outro. A outra versão diz que o prato servia para atrair clientes em potencial, uma vez que o espaguete "alla puttanesca" é bastante aromático.

6. Estrogonofe
Os soldados russos costumavam transportar pedaços de carne em barris, usando sal grosso e aguardente como conservantes. Para preparar a refeição, eles juntavam cebola à carne. No reinado de Pedro, o Grande, o prato foi aperfeiçoado por um cozinheiro chamado Stroganov e acabou sendo batizado com seu nome. Em 1800, o chef francês Thierry Costet, trabalhando na Rússia, adicionou os ingredientes nobres: champignons, mostarda, páprica e molho inglês.

7. Fondue
Durante os rigorosos invernos suíços, os camponeses derretiam os restos de queijo e molhavam o pão duro na pasta que se formava para que amolecesse. Como o fogo era meio lento, resolveram colocar uma aguardente da região para acelerar o derretimento.

8. Macarrão
A palavra "macarrão" tem aproximadamente 25 séculos e vem do grego makària. Significa caldo de carne enriquecido de pedaços de farinha e misturado com cereais. Apenas na Idade Média (476 d.C.), o termo passou a ser utilizado para indicar diversos tipos de massas. Um dos indícios mais antigos do macarrão revela que os assírios e babilônios, por volta de 2500 a.C., conheciam um produto à base de cereais e cozido com água. A palavra "espaguete" vem do italiano spaghetti e significa corda pequena. No século XVIII, o macarrão era tão popular na Europa que alguns aristocratas ingleses viajavam até Nápoles, na Itália, para comer o prato que era vendido na rua.

9. Polenta
Por volta de 500 a.C., os gregos aprenderam a macerar grãos de trigo em água. Depois, esses grãos eram cozidos em potes de argila, resultando numa pasta chamada de pultes. Na Itália da Idade Média, esse preparado era misturado com favas moídas e aquecido com óleo e cebola. A polenta surgiu como uma alternativa para o pão, feita pelos camponeses. Era feita com água, farinha de milho e trigo-sarraceno, e enriquecida com outros ingredientes. 

10. Risoto
O arroz era um prato sagrado no Oriente e chegou à Europa no século IX. Os italianos ficaram maravilhados com a novidade e adaptaram suas receitas ao arroz, criando os risotos. O risoto à milanesa, com açafrão e vinho branco seco, nasceu em 1754, durante os preparativos para a festa de casamento de um artesão da Lombardia. O ajudante do cozinheiro deixou cair um pacotinho de açafrão numa panela de arroz. Todos adoraram a cor dourada e o sabor da mistura.