Como se determina a data de validade dos produtos?

Os testes são feitos em condições controladas de temperatura e umidade. Quando são analisados alimentos que duram mais, o ambiente é alterado para que as mudanças aconteçam mais rápido. O processo é chamado de avaliação de estabilidade acelerada. “Em um teste com azeite, por exemplo, as amostras receberam luz direta por 12 horas diárias durante seis meses. Depois, calculamos a quanto tempo isso equivale”, diz Renata Celeghini, doutora e pesquisadora do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Unicamp.

As amostras são checadas em intervalos regulares para detectar alterações microbiológicas, de cor ou de textura. Pelo menos três embalagens são abertas por vez para o caso de defeitos de fabricação. Depois, o material é descartado e as amostras restantes continuam no ambiente até completar os testes.

Os testes microbiológicos são os maiores determinantes da vida do produto. Mesmo se o produto continuar com aspecto idêntico ao original, o número de micro-organismos é o que o torna impróprio para o consumo. Os limites para cada classe de alimentos obedecem aos padrões microbiológicos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Depois de estourado o prazo de validade, há uma margem de tolerância para que o produto guarde suas propriedades naturais: "Se a data de vencimento de um produto é um ano após a fabricação, pode ser que ele só estrague um ou dois meses depois do que o rótulo diz", sugere Renata. Ainda assim, o consumo não é recomendado, já que esta margem varia de fabricante para fabricante. "Se o produto for congelado, dura mais, porém é difícil saber quanto tempo, já que isto não é indicado no rótulo", exemplifica.

Consumir alimentos fora do prazo de validade é perigoso. Pode provocar intoxicações alimentares severas, gerando inclusive botulismo e até mesmo risco de morte. O ovo e o óleo de cozinha são os mais perigosos.