Quem foi o primeiro goleiro a usar luvas?

Segundo o livro “Who Invented the Bicycle Kick?”, foi Heiner Stuhlfauth, que defendeu o Nuremberg e também a Seleção da Alemanha na década de 1920. O livro reproduz uma frase bem espirituosa de Heiner: “Quando estava chovendo, eu usava luvas de lã áspera e a bola molhada se prendia muito melhor nas minhas mãos. A vida me ensinou que não dá para pegar uma enguia com as mãos nuas”.

Na mesma época, segue a obra, o espanhol Ricardo Zamora raramente entrava em campo sem luvas de lã, embora os autores acreditem que, no caso dele, se tratasse mais de uma vaidade. Zamora considerava as luvas parte de um modelo de etiqueta que deveria ser seguido pelos homens. A história conta que o primeiro brasileiro a usar uma luva em campo foi Jaguaré Bezerra de Vasconcelos. Em 1931, ele foi vendido do Vasco para o Barcelona, da Espanha.  “Na sua estreia na Europa, Jaguaré usou luvas feitas de couro”, conta Paulo Guilherme, autor do livro “Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1”.  “Só que ele não estava preocupado com a melhora de seu rendimento, apenas não estava acostumado com o frio.”

Stulfahth e Zamora foram seguidos depois por dois goleiros que ficaram famosos por usar luvas, nos anos 1940: o inglês Charlton’s Sam Bartam e o argentino Amadeo Carrizo. No River Plate, Carrizo, de 1,90 metro, dizia que as luvas eram importantes para absorver calor. Seus lançamentos com as mãos tinham a força e a precisão daqueles que faziam isso com os pés, proclamavam os cronistas esportivos de então. Os dois não usavam o acessório o tempo todo. Há registros fotográficos de Bartam e Carrizzo com e sem as luvas. O goleiro soviético Lev Yashin, o “Aranha Negra”, trocou os modelos de lã pelos de couro. Depois da final do futebol nos Jogos Olímpicos de 1956, quando conquistou a medalha de ouro,  Yashin presenteou o goleiro Petar Radenkovic, da Iugoslávia, com um par de luvas usado.