Por que na Inglaterra se dirige do lado direito do carro?

A origem da chamada "mão inglesa" (com o carro ocupando o lado esquerdo da pista) vem da Idade Média. Para se prevenir dos ataques de estrangeiros, as carruagens andavam pelo lado esquerdo das estradas e conduzindo o veículo pelo lado direito. Assim, se houvesse um ataque, o cavaleiro estaria com a espada na mão direita e poderia se defender com muito mais facilidade.

O mundo todo seguiu o padrão britânico de tráfego por estradas. O Papa Bonifácio VIII, por exemplo, ordenou que os peregrinos que viajassem até Roma seguissem sempre pelo lado esquerdo. Foi assim por cerca de 400 anos, até que alguns fazendeiros começaram a transportar suas mercadorias sentados no lado esquerdo das carruagens para enxergar melhor - o líder da caravana vinha no final, com o braço direito empunhando a espada para proteger o grupo.

Ao mesmo tempo, após a Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte passou a ser um entusiasta do padrão de direção que hoje é regra em quase todo o mundo. Primeiro porque ele era canhoto, de modo que a tal facilidade ao empunhar a espada tinha, para ele, mais sentido do outro lado. Depois, porque tudo isso fazia parte de uma campanha pela mudança dos costumes impostos pelos ingleses.

Até por isso, os poucos países que mantém o sistema inglês de direção são as ex-colônias britânicas (Austrália e África do Sul, por exemplo). Nos Estados Unidos, após a Independência houve uma grande campanha pelo fim dos costumes britânicos, de modo que adotou-se a mão francesa. O Japão, mesmo sem ser uma colônia inglesa, fechou com o sistema britânico. O Brasil adotou o sistema francês porque foi colonizado por Portugal, que assim como a grande maioria dos países europeus, também foi simpático às mudanças propostas por Napoleão.