O que acontece se faltar luz em um desfile de escola de samba?

Em 1983, estreando no Grupo Especial (à época chamado e Grupo 1), a Caprichosos de Pilares sofreu com um apagão na passarela da Avenida Marquês de Sapucaí (foi o último desfile antes da construção do Sambódromo). Como consequência, a escola não foi julgada. No ano seguinte, com um enredo em homenagem ao humorista Chico Anysio, a Caprichosos trouxe um samba cujo refrão dizia "Sorria meu povo / Sorria, Chico Rei chegou / Nesse palco iluminado / Que um dia por pecado se apagou".

Em 1991, aconteceu a mesma coisa com a Acadêmicos de Santa Cruz. Só que foi no Grupo A, a segunda divisão. Considerada favorita, a Santa Cruz não foi julgada e foi à justiça para poder desfilar na elite em 1992. O imbróglio se arrastou até semanas antes do desfile, quando a verde-e-branco enfim conseguiu a liminar que lhe permitiu se apresentar entre as grandes. Sem aparecer no LP oficial dos sambas, a escola fez um desfile ruim e acabou rebaixada.

Depois disso, os regulamentos passaram a definir o que acontece se faltar luz em um desfile de escola de samba. Se for entre um desfile e outro, deve se esperar a solução do problema. Se for durante uma apresentação, o regulamento exige que o desfile continue normalmente e os jurados devem descer à beira da pista e avaliar a escola de perto, podendo assim analisar todos os quesitos.

Em 2015, em São Paulo, a Independente Tricolor foi obrigada a atrasar o seu desfile no Grupo de Acesso por conta de uma forte chuva. Quando entrou na pista, a luz acabou. A escola acabou em último lugar e foi rebaixada, mas recorreu na plenária da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo e venceu, permanecendo assim no segundo grupo. No ano seguinte, um transformador explodiu e atrasou o desfile da Pérola Negra no Grupo Especial. Rebaixada, a agremiação também recorreu, mas não levou: o regulamento foi seguido e a escola caiu para o Grupo de Acesso.