10 desastres aéreos envolvendo times de futebol

 1. Torino (Itália)

Líder do Campeonato Italiano na temporada 1948/1949 a quatro rodadas do fim e vencedor das três temporadas anteriores, o Torino fez um amistoso contra o Benfica, em Portugal. Na volta de Lisboa para Turim, em 4 de maio de 1949, o Fiat G.212 da Avio Linee Italiane enfrentou um intenso nevoeiro e, na aproximação para o pouso, se chocou com o teto da Basílica de Superga. Todos os 27 passageiros e os quatro tripulantes morreram. Dentre eles estavam praticamente todos os jogadores do elenco do Torino. Os últimos jogos do Campeonato Italiano foram feitos com o time das categorias de base. Os adversários, em solidariedade, também usaram os times das divisões inferiores. Assim, o Torino conquistou seu quarto scudetto consecutivo. O funeral foi acompanhado por 500 mil pessoas, que se despediram do maior time italiano do momento e da base da seleção nacional. O Torino só voltaria a ser campeão em 1976.

2. Manchester United (Inglaterra)

Então bicampeão inglês, o Manchester United partia naquela temporada rumo ao inédito título da Liga dos Campeões na temporada 1957/1958. Nas quartas de final, os Red Devils eliminaram o Estrela Vermelha. Voltando do jogo de volta, na Iugoslávia, o voo BE609 da British Airlines fez uma escala em Munique, na Alemanha, em 6 de fevereiro de 1958. A neve na pista desacelerou a aeronave e duas tentativas de decolagem foram fracassadas. Na terceira, levantou voo mas acabou caindo alguns metros a frente do aeroporto. Oito dos 18 jogadores do elenco morreram. Entre tripulantes, diplomatas, jornalistas, torcedores e comissão técnica, foram 15 mortos e quatro sobreviventes. O Manchester foi eliminado pelo Milan, da Itália, na semifinal.

3. Seleção Olímpica da Dinamarca

A delegação da Dinamarca para a disputa do torneio olímpico de futebol em 1960 não foi toda no mesmo voo para a Itália. Em 16 de julho de 1960, oito dos jogadores convocados partiram em um avião fretado, o DH-89 da De Havilland Dragon Rapide, de Copenhague em direção a Jutlândia, ainda na Dinamarca, onde disputaria um amistoso. Logo depois da decolagem, devido ao mau tempo, a aeronave caiu na cidade de Oresund, matando todos os oito jogadores. Apenas o piloto sobreviveu, apesar de ter uma perna amputada. A Dinamarca ficou com a medalha de prata nos Jogos de Roma.

4. Green Cross (Chile)

Um dos fundadores da Liga Chilena, o Green Cross foi até Osorno jogar contra um selecionado local pela partida de ida da primeira fase da Copa Chile. No dia 3 de abril de 1961, o time, voltando do empate em 1 a 1, sofreu um acidente aéreo com o Douglas DC-3 da companhia aérea LAN. O voo que partiu da cidade de Castro fez uma última parada em Temuco antes de pousar em Santiago. Logo pós a decolagem, pediu autorização para baixar a altitude, o que foi negado pelo controle aéreo. Se vendo obrigado a desviar a rota, se chocou com a Cordilheira dos Andres, matando todos os 24 passageiros, sendo oito jogadores (a outra parte do elenco se deslocou em outro voo) e a comissão técnica. O avião só foi encontrado em 2015, quase 54 anos depois.  No jogo de volta, o Green Cross perdeu em casa por 1 a 0 e foi eliminado. A Copa Chile daquele ano ganhou o nome de Copa Green Cross Chile. O time entrou em crise e mudou de nome pela primeira vez em 1965. Nos anos seguintes, outras duas mudanças aconteceriam e, hoje, o Club de Deportes Temuco está na segunda divisão.

5. The Strongest (Bolívia)

O The Strongest foi chamado para um amistoso contra o Cerro Porteño, do Paraguai, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Derrotado, embarcou em um Douglas DC-6 do Lloyd Aéreo Boliviano no dia 26 de setembro de 1969. A aeronave despareceu dos radares, levantando suspeitas sobre um abatimento, já que o país vivia clima de ebulição após um golpe de estado. No dia seguinte, porém, os destroços foram encontrados em uma montanha na região de Viloco. Todas as 74 pessoas morreram, dentre elas 16 jogadores, praticamente todo o elenco. O brasileiro Niltinho, que estrearia pelo clube naquele amistoso, não viajou porque o The Strongest não pagou o valor da transferência para o Always Ready. Ele já estava com as malas prontas. Os clubes sul-americanos se uniram para reerguer o The Strongest, doando jogadores emprestados. A Confederação Brasileira de Desportos organizou um Fla-Flu no Maracanã e doou a renda para o clube.

6. Pakhtakor Tashkent (União Soviética)

O time de Tashkent, hoje capital do Uzbequistão, embarcou para Minsk no dia 11 de agosto de 1979. Dois dias depois, jogariam contra o Dinamo Minsk pela 19ª rodada da Liga Soviética. O Tupolrv Tu-134 da Aeroloft se chocou com outro, muito semelhante, graças a um erro do controle aéreo local. Todas as 178 pessoas a bordo morreram, incluídas aí 14 jogadores e a comissão técnica. A partida foi adiada em dois meses, com vitória do Dínamo sobre Pakhtakor por 2 a 1. Os uzbeques haviam vencido sete dos 18 jogos anteriores, mas só conquistaram quatro triunfos nos 16 seguintes. Com outros cinco empates e seis derrotas, terminou o campeonato em nono lugar entre 18 equipes.

7. Colorful 11 (Suriname)

O Colorful 11 foi um time montado com jogadores holandeses descendentes de surinameses. A seleção foi reunida para um amistoso contra um time do Suriname, o SC Robinhood, mas foi desfalcada de astros como Ruud Gullit e Frank Rijkaard, que não foram liberados por seus clubes. Em 7 de junho de 1989, depois de partir de Amsterdã para Paramaribo, o avião DC-8 da Surinam Airways caiu durante a aproximação do aeroporto na capital Paramaribo, matando 15 dos 18 jogadores e outros 152 passageiros e tripulantes. Além dos três atletas, oito pessoas sobreviveram.

8. Alianza Lima (Peru)

Na disputa do títiulo de mais uma edição do Campeonato Peruano, o Alianza Lima viajou para Pucallpa onde venceu o Deportivo local por 1 a 0. No dia seguinte, em 8 de dezembro de 1987, a delegação embarcou em um Fokker F27 do Servicio Aeronaval de La Marina Del Peru. O fretado perdeu a capacidade de voo durante a aproximação para o pouso em Lima, caindo assim no Oceano Pacífico. Apenas o piloto sobreviveu e 43 pessoas morreram, incluídos 16 jogadores, a comissão técnica e alguns torcedores. O elenco ficou esfacelado. Jogadores da base e antigos atletas (dentre eles Teófilo Cubillas, o maior ídolo do futebol peruano) entraram em campo nos últimos jogos. O Alianza terminou em quarto lugar no seu grupo, não se classificando para a fase decisiva do torneio.

9. Seleção da Zâmbia

Em 1993, toda a Zâmbia vivia a expectativa de que o país pela primeira vez se classificasse para uma Copa do Mundo. Em um grupo com Marrocos e Senegal, só um iria para o Mundial de 1994. Na primeira partida, em casa, vitória por 2 a 1 sobre os marroquinos. A expectativa era tanta que a Força Aérea local levou a delegação para Dacar, onde haveria a 2ª rodada contra Senegal. No entanto, em 27 de abril de 1993, o De Havilland DHC-5D caiu na costa do Gabão e matou todos os 30 passsageiros. O elenco foi dizimado. Quando a disputa recomeçoou, a Zâmbia, mesmo sem os seus grandes jogadores, venceu um jogo e empatou outro, mas ficou fora da Copa ao perder por 1 a 0 para o Marrocos fora de casa. Em janeiro de 1994, foi finalista da Copa Africana de Nações, perdendo para a Nigéria.

10. Chapecoense

O time brasileiro chegou à final da Copa Sul-Americana menos de três anos depois de subir para a Série A do Brasileirão. Na madrugada de 29 de novembro de 2016 (horário de Brasília, final da noite de 28 de novembro de 2016 no horário local), o avião fretado da boliviana La Mia partiu de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para Medellin, onde no dia seguinte a Chape enfrentaria o Atlético Nacional. Aproximando-se do aeroporto local, a aeronave teve uma pane seca e caiu, se chocando a uma montanha. O acidente matou 71 pessoas, entre jogadores, comissão técnica, jornalistas e dirigentes. Apenas três jogadores da Chapecoense, um jornalista e uma comissária sobreviveram. O mundo prestou várias homenagens ao time brasileiro e o Atlético Nacional encaminhou à Conmebol um pedido para que a Chape fosse declarada campeã. Na hora da partida, 21h45 do dia 30 de novembro, os estádios dos dois times (Arena Condá, em Chapecó, e Atanasio Girardot, em Medellin) estiveram lotados para prestar condolências às vítimas.