10 casos em que o voto foi usado como forma de protesto

1. Rinoceronte Cacareco
A eleição do rinoceronte Cacareco é considerada o primeiro caso de voto de protesto no Brasil. O animal do Zoológico de São Paulo venceu as eleições para vereador de São Paulo em 1959. Irritado com os casos de corrupção que noticiava, um jornalista paulistano resolveu lançar a candidatura do rinoceronte. Cacareco recebeu mais votos que todos os outros candidatos. O partido mais votado atingiu cerca de 95 mil votos, enquanto o rinoceronte, sozinho, obteve aproximadamente 100 mil. Os votos de Cacareco foram considerados nulos pelo Tribunal Regional Eleitoral.

2. Macaco Tião
Em 1988, os humoristas do Casseta e Paneta lançaram seu candidato à prefeitura do Rio de Janeiro: o macaco Tião, um chimpanzé do Zoológico do Rio de Janeiro. Tião ficou em terceiro lugar na disputa, com 400 mil votos (10% do total). Os votos foram considerados nulos pelo Tribunal Regional Eleitoral. O macaco entrou para o Guinness, o livro dos recordes, na categoria “mais votos para um chimpanzé”. No zoológico, sua jaula era uma das mais visitadas, mas o bicho não era muito simpático. Sua principal atividade era jogar cocô no público. O nome Tião é um tributo ao padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, São Sebastião. Tião morreu em dezembro de 1996, aos 33 anos. O prefeito César Maia decretou luto oficial.

3. Candigato Morris
Em junho de 2013, um gato lançou sua falsa candidatura à prefeitura da cidade mexicana de Xalapa. Em um sinal de descrença, frustração e falta de confiança nos candidatos oficiais, dois jovens criaram o personagem Morris, que foi logo adotado como candidato do povo. Morris é bastante irônico. Seu slogan é “Por uma Xalapa sem ratos”, uma referência aos políticos e policiais corruptos da região. Ele promete fazer aquilo que todo bom político faz: dormir e esperar o tempo passar. E diz que seu diferencial é limpar sua própria bagunça, o que muitos políticos por aí se esquecem de fazer… O que é mais curioso é que o gato Morris tinha mais seguidores em sua página no Facebook do que três dos quatro principais candidatos reais. As eleições aconteceram no dia 7 de julho, e o "candigato" terminou com metade dos votos nulos.

4. Senhor Burro
Nas eleições de 2012, um grupo de pelo menos 40 pessoas tentou emplacar a candidatura de um burro (o Senhor Burro) como vereador na cidade de Guayaquil, no Equador. Senhor Burro desfilou pelas ruas usando uma gravata no pescoço, mas de nada adiantou: sua candidatura foi oficialmente negada. O objetivo dos idealizadores do projeto era chamar a atenção dos eleitores quanto à importância do processo eleitoral.

5. Stubbs
Antes de Morris concorrer à prefeitura de Xalapa, um gato já havia assumido o cargo em uma vila no Alasca (Estados Unidos). Stubbs foi empossado prefeito honorário de Talkeetna 16 anos atrás, quando era apenas um filhote. Abandonado numa caixa de papelão junto ao restante da ninhada, Stubbs, que não tem as vértebras do rabo, foi adotado por Lauri Stec, gerente da loja Nagley’s. Nas eleições daquele ano, a população estava insatisfeita com todos os candidatos a prefeito. Lauri então propôs que o povo escrevesse “Stubbs” na cédula eleitoral, como forma de protesto. O gato, que teve a maioria dos votos da comunidade, ganhou um espaço simbólico na gestão da vila. Seu cargo de prefeito honorário é vitalício.

6. Satchel e Mae Poulet
Satchel, um cachorro da raça Bull Terrier, concorreu ao cargo de presidente dos Estados Unidos nas últimas eleições realizadas no país, no ano passado. A primeira-dama? Uma galinha chamada Mae Poulet. Quem esteve por trás da candidatura foi Charlotte Laws, advogada especializada em direitos dos animais. A intenção dela foi alertar a população quanto à pouca atenção dada pelo governo norte-americano à proteção dos animais. O casal animal também protestava contra a atitude de Barack Obama em comprar um cão de raça em vez de adotar um vira-lata abandonado.

7. Prefeito Mosquito
Nas eleições de 1987, como forma de protesto contra a incapacidade do governo municipal de conter uma epidemia de dengue, a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, elegeu um inseto para ocupar a cadeira da prefeitura. O nome "mosquito" apareceu em 29.668 cédulas, à frente dos reais candidatos Magno Pires da Silva (26.633) e Luiz César Maretto Coura (19.609). A Justiça Eleitoral do Espírito Santo acabou anulando os votos do inseto, declarando vitória ao segundo colocado.

8. Charles Darwin
Para protestar contra a candidatura de Paul Broun, que contestava a teoria da evolução 4.000 eleitores do estado da Georgia votaram em Charles Darwin para ocupar uma cadeira do Congresso norte-americano. O candidato falso não chegou nem perto do oponente, que ganhou cerca de 250 mil votos.

9. Enéas
O deputado mais votado da história do Brasil, com 1.573.112 votos, foi eleito pelo povo como forma de protesto em 2002. O candidato - barbudo, irreverente, debochado, escandaloso - representava uma ruptura da política tradicional. Concorrendo pelo Prona, Enéas tinha apenas 33 segundos para passar seu recado aos eleitores na televisão. Ele aproveitava seu curto tempo para repetir o bordão "Meu nome é Enéas!".

10. Tirica
Com 1,3 milhão de votos - a segunda maior votação em um candidato a deputado federal da história do Brasil, o palhaço e humorista Tiririca (PR) foi eleito em 2010 para representar os paulistas no Congresso. Os eleitores de Tiririca justificaram a escolha como uma forma de protesto contra a corrompida política tradicional. Como prêmio por não ter se envolvido em nenhum escândalo durante o discreto mandato, Tiririca foi reeleito em 2014 com mais 1 milhão de votos. Em suas campanhas, nunca houve propostas, mas uma enxurrada de piadas e um bordão conveniente: "Pior que tá não fica".