Carnaval em São Paulo

  1. O primeiro registro do carnaval em São Paulo é de 13 de fevereiro de 1604, de acordo com uma ata da Câmara. Trata-se não do carnaval como nós conhecemos hoje, mas do “entrudo”, uma prática introduzida no Brasil pelos portugueses durante o século XVI. A farra acontece na mesma época do carnaval atual, mas junto à música e à dança, o “entrudo” também levava violência às ruas da cidade.
  2. Ainda entre as atas da Câmara de São Paulo, consta um pedido para realizar uma “dança de pretos no pátio da Igreja do Rosário”, no dia 6 de janeiro de 1833.
  3. O carnaval paulistano estava bastante ligado aos escravos, que uniram boa parte da cultura africana à dos imigrantes que moravam na cidade. Tanto que, até 2014, dois grupos de afoxé desfilavam antes de cada uma das noites do desfile das escolas de samba do Grupo Especial no Anhembi para limpar a avenida dos maus espíritos - tradicionalmente, o Iya Ominimbú desfilava na sexta e o Filhos da Coroa de Dadá no sábado.
  4. Depois da abolição da escravatura, já na década de 1930, o principal núcleo de carnaval em São Paulo era o centro da cidade. As ruas no entorno da Líbero Badaró e do Largo São Francisco ficavam tomadas pelos foliões. Mas ainda não aconteciam os desfiles de escolas de samba como conhecemos hoje.
  5. A primeira escola de samba que apareceu em São Paulo, já nos moldes das escolas cariocas, não poderia ter um nome melhor: "Escola de Samba Primeira de São Paulo", fundada em 1935. Mas por que a Primeira de São Paulo não desfila até hoje? A agremiação durou apenas sete anos.

  6. A segunda escola de samba paulistana tinha um nome mais original: Escola de Samba Lavapés. Ela surgiu dois anos depois da Primeira de São Paulo, em 1937 e está até hoje em atividade. Atualmente, desfila no Grupo III, a quinta divisão.

  7. Apesar de o carnaval das escolas de samba acontecer desde a década de 1930, demorou para o poder público ajudar as agremiações. Só em 1967 o então prefeito de São Paulo, José Vicente Faria Lima, que hoje em dia é nome de avenida, sancionou uma lei que estipulava o investimento da prefeitura na infra-estrutura do carnaval. A partir daí que os cordões começaram a sumir e mais escolas de samba surgiram.

  8. O Vai-Vai e o Camisa Verde e Branco têm suas origens em cordões. O Vai-Vai inclusive soma os 11 títuls entre os cordões aos 15 como escola de samba para se autoproclamar o maior campeão do Brasil.

  9. Uma confusão interrompeu a apuração de notas do Carnaval de São Paulo em 2012. Tiago Ciro Tadeu, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área dos jurados e rasgou as notas que faltavam ser anunciadas. Isso gerou um tumulto que terminou em vandalismo: placas da cerca de proteção do pátio das alegorias foram depredadas e um carro alegórico foi queimado.

  10. Por conta disso, a apuração passou a ser fechada para o público e restrita apenas a 10 componentes de cada uma das escolas a partir de 2013. Isso não impediu que, em 2016, um grande tumulto se formasse graças a ausência de uma nota da Império de Casa Verde e de outra da Dragões da Real.