A invenção de 15 peças de roupa

1. Biquíni
No dia 1º de julho de 1946, os Estados Unidos inauguraram os testes nucleares em tempo de paz ao lançar uma bomba atômica sobre o Atol de Bikini, no Pacífico. Os preparativos e a explosão do engenho, semelhante às que arrasaram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ao fim da Segunda Guerra Mundial, despertaram grande interesse em toda parte. Por esse motivo, o estilista francês Louis Réard (1897-1984) aproveitou o nome do atol para batizar sua mais recente e atrevida criação: um maiô de duas peças. Tão ousada que as modelos profissionais se recusaram a vestir a novidade para sua apresentação. Réard teve que recorrer a Micheline Bernardini, stripteaser do Cassino de Paris. Dois modelos de biquíni ficaram bastante famosos no Brasil: a tanga, nos anos 70, e o fio dental, nos anos 80.

2. Calça
As calças vêm sendo usadas pelo homem desde a Antiguidade. Os bolsos só foram aparecer por volta de 1500. A braguilha foi criada em 1534. A princípio, era uma espécie de bolso que ficava na parte da frente da calça. Só ganharia a forma atual a mando de Louis-Phillippe, rei da França entre 1830 e 1848. As pantalonas (calças compridas com bocas largas) surgiram no início da década de 1800.

3. Camisa
A camisa masculina surgiu por volta de 1500 na Europa. O colarinho destacável e engomado para camisas masculinas foi inventado nos Estados Unidos na década de 1820. No final da Primeira Guerra Mundial, a empresa americana Arrow estava fabricando mais de 400 tipos diferentes de colarinho. Nos anos seguintes, como a demanda por colarinhos destacáveis andava caindo, a Arrow lançou uma camisa já com colarinho embutido, pré-encolhida e anatomicamente cortada. Depois da Segunda Guerra, a mesma Arrow ajudou a popularizar as camisas coloridas. A blusa surgiu mais tarde, na segunda metade do século XIX. Era folgada, com colarinho alto, mangas compridas e punhos justos.

4. Cinta-liga
Desde seu surgimento, ainda na Idade Média, a peça está ligada à idéia de sedução. No início, apareceu na forma de fitas que tinham como inocente objetivo sustentar as meias para que elas não caíssem. Na metade do século XIX, com as meias passando a ser usadas acima dos joelhos, as cintas-ligas ganharam o formato atual.

5. Sapatos
O primeiro calçado surgiu quando o homem primitivo, para se proteger do frio e das irregularidades do solo em que caminhava, amarrou uma pele de animal aos pés. Depois que ele inventou a agulha, essa pele passou a ser costurada, e a técnica foi se aperfeiçoando. O povo egípcio ja tinha uma grande variedade de sandálias, assim como o grego e o romano. E foi a sandália de fabricação exclusivamente manual que evoluiu para o sapato, como nós o conhecemos. Em 1790, foi montada a primeira máquina experimental de costurar sapatos. Vinte anos depois, passou-se a usar pregos de metal para fixar as solas. Até que no ano de 1839 os sapatos passaram a ser feitos com formas de madeira. Em 1305, para uniformizar as medidas em certos negócios, o rei Eduardo I, da Inglaterra, decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de três grãos secos de cevada colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da ideia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanhos padrão, baseados no grão de cevada. Desse modo, um calçado infantil medindo treze grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 13 e assim por diante. 

6. Gravata
As primeiras gravatas surgiram em Roma, no século I a.C. Nos dias mais quentes, os soldados romanos, para se refrescar, usavam a "focale", uma espécie de cachecol úmido amarrado ao pescoço. Apesar de muito prática, a gravata romana não virou moda. A gravata moderna teve de esperar mais de 18 séculos para cair no gosto popular e também está associada a outro costume militar. Em 1668, um regimento de mercenários croatas a serviço da Áustria apareceu na França usando cachecóis de linho e de musselina. Os franceses adoraram o cachecol iugoslavo e logo começaram a aparecer em público - homens e mulheres - usando gravatas. Eram modelos de linho ou de renda, com nós no centro e longas pontas soltas. Os franceses passaram a chamar seus lenços de pescoço de cravate, "croata" em inglês. A gravata-borboleta pode também ter se originado na Croácia. Elas eram feitas a partir de um lenço quadrado, dobrado na diagonal, amarrado com um nó em forma de laço e preso com uma corda em volta do pescoço.

7. Jeans
O tecido foi inventado na França. Tinha cor marrom e era usado pelos funcionários das minas. Foi popularizado no século 19, quando o alemão Levi-Strauss deixou a Baviera rumo aos Estados Unidos. Em 1853, na época da "corrida do ouro", ele foi para a Califórnia e transformou rolos de lona em macacões e calças para os garimpeiros. Era dado o pontapé inicial para a Levi’s. O número 501 marcava o lote de tecido da primeira calça jeans de que o mundo teve notícia. Por isso, o modelo foi chamado de Levi’s 501. Ele tinha costuras reforçadas com arrebites. Quando Levi trocou a lona pelo serge de Nimes (tecido de Nimes), mais resistente e durável, tingiu-o com índigo. Os americanos, que chamavam o tecido de "denim", passaram a chamar a calça de "Levi’s blue denim" ou "blue jeans". Na década de 1860, o alfaiate Jacob Davis colocou rebites para reforçar os bolsos, que sempre rasgavam. Levou a bem-sucedida ideia para Levi, e os dois tornaram-se sócios. As calças jeans, no entanto, só foram apresentadas ao mundo durante a Segunda Guerra Mundial. Os soldados americanos usavam a roupa no tempo livre. A US Top, primeira calça jeans brasileira a ser feita com índigo blue, foi lançada em 1972. O jingle da propaganda dizia: "Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada". O Brasil produz mensalmente 25 milhões de metros lineares de denim, o tecido das calças jeans. É pano suficiente para dar quase duas voltas ao redor da Terra. Só os norte-americanos superam os brasileiros no consumo de calças de jeans. Eles venderam 800 milhões de modelos em 2002.

8. Meia
As primeiras meias foram utilizados pelas mulheres gregas por volta de 600 a.C. Na verdade, elas eram um sapato baixo, tipo sandália, que cobria principalmente os dedos do pé e o calcanhar. Chamado de sykhos, era considerado um artigo vergonhoso para ser usado pelo homem e tornou-se uma das vestimentas para teatro cômico favoritas, garantindo o riso quando um ator masculino a usava. As mulheres romanas copiaram o sykhos e latinizaram seu nome para soccus. De Roma, a soccus de couro macio viajou para as ilhas britânicas, onde os anglo-saxões descobriram que uma peça daquelas dentro de uma bota protegeria os pés de arranhões. Foi assim que surgiu a meia moderna.

9. Meia-calça
A meia-calça foi uma invenção que começou a ser usada inicialmente pelos homens. Na Antiguidade, os povos do Mediterrâneo usavam saiotes e não precisavam se preocupar em proteger as pernas porque a região era bastante quente. No norte da Europa, onde fazia frio, as tribos germânicas usavam calças que protegiam da cintura até os tornozelos. O exército de Júlio César, no século I a.C., também usaram esse tipo de proteção quando partiam para conquistas. Ao longo dos séculos, a proteção se estendeu dos tornozelos para os pés, e a meia-calça estava inventada.

10. Minissaia
Mary Quant, estilista inglesa, e o francês André Courrèges dividem os louros pela criação da minissaia, nos anos 60. "A ideia da minissaia não é minha, nem de Courrèges", disse, certa vez, Mary Quant. "Foi a rua que a inventou."

11. Roupas de baixo
Antes do século XIX, a roupa de baixo era apenas um camisão largo e algum tipo de calção. Feita para não ser vista por ninguém a não ser o usuário, a peça de baixo tinha pouca importância. Os historiadores da moda registram uma grande mudança nas roupas de baixo por volta de 1830. Elas tornaram-se mais pesadas, mais compridas, e praticamente obrigatórias. Não usar roupa de baixo significava falta de asseio. Os médicos também alertavam sobre os perigos de ficar com o "corpo resfriado". As roupas de baixo então eram brancas, normalmente engomadas, e feitas de cambraia branca, de chita grossa ou flanela. Em 1860, as roupas de baixo das mulheres começaram a ganhar sensualidade e, vinte anos depois, a seda conquistou seu espaço. A anágua era uma peça usada sob a camisa masculina que chegava até a altura dos quadris. Na Idade Média, ela se transformou em peça feminina. Como a moda substituiu essa peça pela camisa íntima, a anágua alongou-se e converteu-se em saia de baixo, amarrada em volta da cintura com fitas ou tiras.

12. Espartilho
O espartilho é uma peça de lingerie que causava problemas seriíssimos para as mulheres do século XV ao XIX, como varizes, inchaços nas pernas e até trombose. Para ostentar aquela cinturinha fina, elas eram obrigadas a apertar os seios para cima com os cordões da peça.

13. Salto alto
A corte real francesa do século XVII foi a primeira a popularizar o salto alto na Europa. O sapato foi inventado pelos estilistas da corte do rei Luís XIV - o "Rei Sol". O objetivo da elevação nos calcanhares era realçar e deixar mais delgadas as pernas do monarca. O salto mantinha o pé relativamente a salvo da lama; além disso, criava uma elevação física correspondente à elevação social dos nobres, e exagerava seu andar afetado. Justamente por ser tão precário, o salto indicava que a pessoa não tinha medo de cair no chão. Na verdade, no século XVII, os que usavam salto alto, tanto homens como mulheres, com frequência tinham de ser transportados em cadeirinhas carregadas por criados, pois não conseguiam caminhar no calçamento de pedras. Naquela época, o salto às vezes era uma grande plataforma inteiriça, e para caminhar sobre essas coisas era necessário o apoio constante de dois criados, que seguravam o aristocrata pelos braços, um de cada lado. O salto agulha surgiu na Itália durante a década de 1950. Era feito de náilon e plástico, que recobriam seu interior de metal.

14. Sutiã
Apesar de existirem referências a tipos de sutiãs que modelavam os seios sem cobri-los na ilha grega de Creta, em 2500 a.C., os méritos da invenção ficaram para a francesa Herminie Cadolle. Em 1889, essa fabricante de roupas resolveu rasgar o espartilho (descendente do corpete, criado no século XV) ao meio e criou a peça. Somente em 1913 a socialite americana Mary Phelps Jacobs (pseudônimo de Caresse Crosby) aperfeiçoou o modelo, usando dois lenços, um pedaço de fita cor-de-rosa e um pouco de cordão, tornando-o mais próximo do que ele é hoje. Mary vendeu o seu "sutiã sem costas" a uma fábrica de roupas femininas, controlada pelos irmãos Warner, por 15 mil dólares. Os Warner lançaram ainda cinta-calças (1932), sutiãs em forma de taça (1935) e collants de lycra (1961).

15. Bermuda
A bermuda foi batizada com o nome de sua terra natal, as ilhas Bermudas, localizadas no Caribe. Ela surgiu entre os anos 30 e 40 como uma forma de driblar as leis locais, que impediam as mulheres de mostrar as pernas.