10 curiosidades sobre o canibalismo

1. Canibalismo ou antropofagia, no caso dos humanos, consiste no ato de comer a carne de seres da mesma espécie.

2. O termo vem da língua arawan, falada por uma tribo indígena da América do Sul conhecida por manter essa prática. Conforme afirmam estudiosos e arqueólogos, o costume era comum em comunidades primitivas ao redor do mundo. Foram encontradas evidências na África, América do Sul e do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Índias ocidentais.

3. Um dos grupos canibais mais famosos são os astecas, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Essa, aliás, é apenas uma das razões pelas quais a prática era adotada. Na maioria dos casos, ela consistia em um tipo de ritual religioso.

4. Os casos de canibalismo registrados na história da sociedade ocidental moderna estão ligados a situações limites, de vida ou morte. Mas há também culturas tradicionais que incentivavam seus membros a consumir parte dos corpos de seus parentes mortos como uma forma de prestar respeito, o que é chamado de endocanibalismo.

5. Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, havia no país diversas tribos de índios canibais. Entre elas estavam os tupiniquins (que habitavam a região que ia do litoral paulista ao sul da Bahia), os potiguares (no extremo nordeste e no Ceará), os caetés (na Bahia e na Paraíba), os aimorés (Espírito Santo), os goitacás (Rio de Janeiro e Espírito Santo) e os tamoios (Rio de Janeiro). Mas estes nativos não viam a carne humana como um mero petisco. Eles devoravam seus inimigos por vingança e acreditavam que, comendo seu corpo, adquiriam seu poder.

6. O ritual de "degustação" humana feito pelas tribos brasileiras incluía um período de engorda, em que a vítima era bem tratada e alimentada. Antes de sua morte, ela recebia o privilégio de passar uma noite de amor com uma das mulheres da tribo. Depois de morto, o corpo era dividido da seguinte forma: as mulheres ficavam com a cabeça e os órgãos internos - com os quais faziam mingau - e os homens, com o que restava.

7. Relatos contam também que os tupis realizavam impressionantes cerimônias antropófagas coletivas. Homens, mulheres e crianças bebiam cauim e devoravam, animadamente, o inimigo moqueado, ou seja, assado em grelhas de varas. Até 2 mil índios celebravam o ritual comendo pequenos pedaços do corpo do prisioneiro. Se não houvesse comida para todos, as índias preparavam um caldo com os pés, mãos e tripas.

8. Os tamoios, por sua vez, tinham por costume permitir que o preso vingasse sua morte antes da execução. Ele recebia pedras para jogar contra os convidados, que vinham de longe para as festas. O carrasco colocava um manto de penas e matava a vítima com um golpe de borduna na nuca.

9. Um dos "candidatos a prato principal" mais famosos da história foi o explorador alemão Hans Staden. Ele foi capturado por tupinambás em 1554. Passou 9 meses preso, mas conseguiu escapar.

10. O processo de catequese promovido pelos jesuítas acabou com o canibalismo no Brasil. Hoje em dia, os ianomâmis conservam o hábito de comer as cinzas de um amigo morto em sinal de respeito e afeto.