10 brasileiros por opção

1. Alfredo Volpi
Volpi nasceu na Itália, na cidade de Lucca, na Itália, em 14 de abril de 1896, mas veio para o Brasil com um ano de idade. O pintor nunca se naturalizou oficialmente brasileiro, nem precisava. Sua maior obra, as bandeirinhas de festa junina, tornou-se um ícone da cultura brasileira. Volpi começou a pintar em 1911. Na época fazia murais decorativos em casas de classe alta de São Paulo. Só aos 48 anos realizou sua primeira exposição. Nove anos depois recebeu o prêmio de melhor pintor nacional da segunda Bienal de São Paulo. Durante toda sua vida, Volpi só voltou à sua terra natal uma vez, em 1950. O pintor morreu em 28 de maio de 1988, em São Paulo.

2. Carybé
O pintor e escultor Hector Julio Páride Bernabó nasceu em Lánus, na Argentina, em 7 de fevereiro de 1911. Mas ao vir para o Brasil em 1919, o menino, que freqüentava o grupo de escoteiros do Clube de Regatas do Flamengo, no Rio de Janeiro, ficou conhecido como Carybé, nome de seu grupo de escotismo e também de um peixe de água doce. O artista viajou por toda a América Latina até se fixar em Salvador, na Bahia, em 1950. Lá começou a retratar deuses do Candomblé e foi nomeado até "obá de Xangô", um título honorário da religião. A ligação de Carybe com a religião afro foi tão grande que o artista morreu de ataque cardíaco em um terreiro durante uma sessão, em 2 de outubro de 1997.

3. Clarice Lispector
Haia Lispector nasceu na cidade de Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. A menina nasceu enquanto sua família, de origem judia, fazia uma longa viagem em direção a América. Em 1922 o pai de Haia conseguiu na Rússia passaportes para toda a família, e os Lispector embarcam no navio "Cuyaba" em direção a Maceió, capital de Alagoas. Chegando ao Brasil, toda a família mudou de nome, para facilitar a adaptação na nova terra. Assim, Haia tornou-se Clarice. Em 1935 a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde Clarice pôde dar continuidade a seus estudos. Na juventude, a escritora ajudava na renda familiar, dando aulas particulares de português e matemática e fazendo traduções de artigos científicos. Clarice tinha domínio do francês, inglês e do iídiche, linguagem típica entre judeus. Sua obra mais conhecida foi "A Hora da Estrela", considerada um dos grandes clássicos da literatura nacional. A escritora morreu em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro.

4. Fernando Meligeni
Fernando Ariel Meligeni nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 12 de abril de 1971 e mudou-se para o Brasil com a família quando tinha quatro anos. Seu primeiro grande título como tenista aconteceu em 1989, quando venceu o campeonato Orange Bowl e entrou para o ranking mundial juvenil na terceira colocação. No ano seguinte o tenista tornou-se profissional e optou pela nacionalidade brasileira. Seu primeiro título como profissional veio em 1995, no Aberto da Suíça e, depois deste, vieram ainda mais dois títulos individuais e sete em dupla. O tenista encerrou sua carreira esportiva com uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo.

5. Gianfrancesco Guarnieri
Nascido em Milão, na Itália, no dia 6 de agosto de 1934, Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri mudou-se com a família para o Brasil em 1936, fugindo do fascismo de Mussolini. Inicialmente a família se instalou no Rio de Janeiro, mas mudou-se para São Paulo na década de 50. Na capital paulista Gianfrancesco teve contato com os movimentos estudantis e com o teatro. A união das duas paixões culminou na fundação do Teatro Paulista do Estudante, que ficaria conhecido mais tarde como Teatro de Arena. Em 1958 Gianfrancesco escreveu, dirigiu e atuou na peça "Eles não Usam Black-Tie", que contava a história de um romance operário em tempo de greve. A peça fez muito sucesso, ficou um ano em cartaz, ajudou a tirar o grupo teatral da falência e virou filme em 1981, com Guarnieri no papel principal. O ator estreou na televisão com a novela "O Tempo e o Vento", em 1967, e continuou com a atividade até os últimos dias de sua vida. Foi durante a gravação de uma cena de "Belíssima" que o ator passou mal e teve que ser levado ao hospital. Morreu alguns dias depois, em 22 de julho de 2006, de insuficiência renal crônica.

6. Hector Babenco
O diretor de cinema nasceu em Mar del Plata, na Argentina, em 7 de fevereiro de 1946, mas mudou-se para o Brasil aos 19 anos e naturalizou-se dez anos depois. Seu primeiro filme foi "O Rei da Noite", de 1975, que contava com a participação da atriz Marília Pêra. No mesmo ano, Babenco lançou "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", um dos recordistas de bilheteria do cinema brasileiro, assistido por 5,4 milhões de espectadores. Mas o grande sucesso veio com "Pixote", de 1981. O filme retratava a realidade dos meninos de rua do país. Coincidentemente, o ator principal, Fernando Ramos Silva, que interpretava o personagem tema, morreu assassinado pela polícia seis anos depois. Um de seus sucessos recentes foi "Carandiru", uma adaptação do livro de Dráuzio Varella, "Estação Carandiru".

7. Pierre Verger
O fotógrafo Pierre Edouard Leopold Verger, nascido na França em 4 de novembro de 1902, chegou ao Brasil aos 44 anos. Desembarcou em Salvador, na Bahia, e lá mesmo ficou. Pierre ficou interessadíssimo pela cultura afro brasileira e passou a estudá-la. Tornou-se sacerdote do Yorubá e assumiu o nome de Fatumbi. Logo ficou sendo reconhecido como um estudioso das religiões ligadas ao Candomblé. Pierre morreu em 11 de fevereiro de 1996, na Bahia.

8. Ziembinski
Zbigniew Marian Ziembinski, ou simplesmente Zimba, como era chamado no Brasil, nasceu no dia 7 de março de 1908 em Wieliczka, na Polônia. O ator e diretor de teatro só veio para o Brasil aos 33 anos, mas se apaixonou por aqui e resolveu ficar para o resto da vida. Quando chegou no Brasil, Zimba já era muito conhecido na Europa, mas só ganhou notoriedade no país com a direção de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, em 1943. Acabou sendo considerado o percursor do Teatro Brasileiro Moderno. Na década de 60 o ator foi contratado pela Rede Globo, onde dirigia o núcleo de casos especiais e atuava em algumas novelas. Ele foi o primeiro homem a se vestir de mulher na televisão brasileira. Foi na novela "O Bofe", de 1972. Ziembinski fazia o papel de Stanislava Grotowiskao, uma velha polonesa que gostava de se embebedar de xarope e sonhava com um trapezista. Morreu no Rio de Janeiro, em 18 de outubro de 1978.

9. Frei Damião
O religioso nasceu na Itália, no município de Massarosa (Província de Lucca) em 1898. Com 13 anos, ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Aos 17, o garoto, que se chamava Pio Gianotti, recebeu o nome de Frei Damião. Em 1930, a Província dos Capuchinhos de Lucca assumiu a Missão de Pernambuco. Foi então que Frei Damião partiu para o Brasil. Durante 66 anos, dedicou-se à pregação e celebração da Eucaristia ao longo ao agreste nordestino. 

10. Guido Mantega
O Ministro da Fazenda do governo Dilma Roussef nasceu na Itália, em 1949, mudando-se para o Brasil com três anos e meio. Mais tarde, Mantega se formou em Economia e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Nos anos 70, foi orientado por Fernando Henrique Cardoso em sua tese de mestrado e em 2000 assumiu o cargo de assessor pessoal de assuntos econômicos do então presidente Lula.