10 rituais do Natal no Brasil

1. Auto dos Quilombos
Encenação dramática feita em diferentes datas religiosas, frequentemente no Natal, em Estados do Nordeste. Com danças e cânticos, procura-se reconstituir os quilombos, núcleos povoados por escravos fugitivos no século 17. São representadas duas guerrilhas: uma de índios, outra de negros aquilombados. Os negros, vencidos, são levados em folia pelas ruas, onde são vendidos ou trocados por balas e doces.

2. Chegança
Encenação da luta entre cristãos e mouros que ocorria durante a Idade Média. Virou uma festa popular no Nordeste na época do Natal. Na Paraíba, a chegança recebeu o nome de "barca".

3. Círio de Nazaré
Procissão realizada no segundo domingo de outubro, em Belém do Pará, em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Dizem que, por volta de 1700, nos arredores da cidade de Belém, um lenhador encontrou uma imagem de 30 centímetros de Nossa Senhora de Nazaré. Ele decidiu levá-la para casa. Só que a estátua teria voltado ao local onde tinha sido encontrada. Os paraenses dão ao Círio de Nazaré uma importância equivalente à do Natal. Preparam ceia com pratos típicos (pato no tucupi, maniçoba, tacacá e açaí), trocam presentes, e os trabalhadores costumam ganhar uma gratificação. No dia 25 de dezembro, o Natal também é comemorado. As pessoas têm o costume de desejar "Feliz Círio!".

4. Fandango
Os fandangos são danças rurais regionais, divididas em dois grupos: as batidas, apresentadas só por homens sapateando forte; e as valsadas (ou bailadas), em que casais arrastam os pés no chão. São representados na época do Natal. No Sul e no Sudeste, recebem o nome de marujada.

5. Folia de Reis
Homens caracterizados de Reis Magos saem pelas ruas das cidades do interior de todo o país e param nas casas onde há presépios. Cantam, dançam e abençoam a família com uma bandeira que representa o anúncio do nascimento de Jesus. Esse grupo só se apresenta à noite e ganha ceia ou café nas casas visitadas. A festa vai de 24 de dezembro a 2 de fevereiro, embora o Dia de Reis seja comemorado em 6 de janeiro.

6. Amigo secreto
Há várias versões sobre o surgimento da brincadeira de trocar presentes. Uma delas afirma que os antigos gregos costumavam presentear pessoas importantes em datas festivas. Os presenteados eram escolhidos ao acaso. Dizem também que a brincadeira poderia ter sido inspirada num ritual nórdico. Ao acordarem, os nórdicos trocavam presentes e diziam: "Que você jamais esqueça dos deuses que estão sobre nós". A troca dos presentes servia para celebrar o pacto com os deuses. Existe também uma versão mais moderna. O amigo secreto teria aparecido nas fábricas americanas. Os operários eram obrigados a participar de confraternizações de fim de ano em que tinham que presentear os colegas. Como alguns funcionários não eram nada queridos (e ficavam sem presentes), os patrões acabaram tendo a ideia de criar uma brincadeira em que os presenteados fossem escolhidos por meio de sorteio.

7. Lapinha ou Pastoris
Grupo de pessoas reunido diante de um presépio para cantar músicas natalinas na noite de Natal, simbolizando a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. É uma tradição que remonta a Portugal do século 13. 

8. Marujada
Dança apenas de mulheres comandadas pela "capitoa" e pela "subcapitoa". São formadas duas colunas. As participantes caminham com passos curtos e ligeiros para a direita e para a esquerda. Os homens fazem o acompanhamento musical com viola, rabeca, violino, tambor e cavaquinho. A festa vai desde o Natal até o dia 1º do ano. Acontece entre a Bahia e a região Sul. 

9. Natal de Luz
Espetáculo realizado desde 1991 e que já vem se tornando tradição em Curitiba, capital do Paraná. Das 116 janelas do Palácio Avenida, sede do banco HSBC, um coral de 136 crianças com idade entre 8 e 13 anos interpreta músicas natalinas e clássicos da música popular brasileira. 

10. Reisado
Grupos compostos de um rei, uma rainha, um secretário, um vassalo, dois embaixadores, palhaços, músicos, cantores e dançarinos anunciam a chegada do Messias e homenageiam os Reis Magos. Usam roupas vistosas: saiotes coloridos de cetim, chapéus enfeitados de espelhos, flores artificiais e fitas. A festa ainda é comemorada no Norte e no Nordeste.