Meu caro Ricardo Freire,

Você sabe que sou seu fã. Não faço as malas sem antes ler as dicas do seu Viaje na Viagem. Acabo de voltar de uma viagem com a família à Cidade do México e não foi diferente. Fiquei encantado com a cidade e com os mexicanos. Fiquei lá cinco dias e sai com a sensação que havia muito mais a ser conhecido.

Como aproveito tanto as suas dicas e de seus colaboradores, resolvi escrever também uma dica que pode ser muito legal para quem viaja em família ou num grupo de 5 ou 6 pessoas. Fiz o orçamento para dois passeios naquele esquema de excursão – Estádio Azteca e Pirâmides de Teotihuacan. Tenho uma certa má vontade com essas excursões que ficam pingando de hotel em hotel e que fazem paradas absolutamente inúteis no caminho a troco de uma pequena comissão dos comerciantes. Uma das excursões mais baratas que encontrei para as pirâmides custaria 250 dólares para nós cinco. Descobrimos, então, um serviço da locadora de veículos Avis. que aluga o carro com o motorista. Fizemos o passeio num carro muito confortável, com um motorista educadíssimo. Em Teotihuacan, fizemos a visita com um guia local e acabamos pagando 170 dólares por tudo. Contratamos o serviço por 6 horas (o tempo minimo é de 3 horas). Deu tempo de visitar a Basílica de Guadalupe na volta e tivemos a tarde para outros passeios.
Fiquei hospedado num apart-hotel (Dominion Corporate Suítes) no bairro de Polanco, a 5 minutos da estação Auditório do metrô. Apartamento enorme, com dois quartos. Estávamos perto também de muitos bons restaurantes. Um que eu indico é a pizzaria Food Republic. Fui jantar uma vez no bairro La Condesa, mas gostei mais da região em que estava. Pegamos táxis algumas vezes. Sempre negociei o preço antes de entrar no carro. Em geral, o taxista pede 50% a mais que o valor correto. Dá para baixar um pouco. De todo o modo, para quem anda de táxi em São Paulo, os preços das corridas são verdadeiras pechinchas. A média pelas corridas não chegava a 12 reais. Quando resolvia cobrar pelo preço do taxímetro, parecendo honesto, o taxista colocava bandeira 2 mesmo durante o dia. Uma curiosidade: os táxis vermelhos e dourados estão sendo obrigados a mudar de cor. Agora eles devem ser pintados de rosa e branco.
A título de sugestão, aproveito para lhe contar como dividimos os nossos 5 dias na Cidade do México:
Dia 1 – Zócalo (região central da Cidade do México)
Começar o passeio no final de semana foi uma ótima ideia. Como era sábado, aproveitamos para ir ao centro de metrô. A passagem custa apenas 5 pesos (90 centavos). O metrô é antigo, com vagões bem estreitos, mas a viagem foi tranquila. Reserve o dia inteiro para o Zócalo. Seguimos as suas instruções e visitamos a Praça da Constituição, a Catedral Metropolitana, o incrível Museu do Templo Mayor (foto), o calçadão da Francisco Madero, a Casa dos Azulejos e o Palácio de Belas Artes. O Palácio Nacional estava fechado e não pudemos ver os murais de Diego Rivera. Faltaram também a Secretaria de Educação Pública e o Museu Mural Diego Rivera. O que nos atrasou foi a fila para comprar os ingressos no Palácio de Belas Artes. Só havia um guichê aberto, o que se repetiu outras vezes em outros lugares. Da próxima vez, reservar mais tempo para explorar o pedaço.
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Uma dica para o almoço é o restaurante Balcón del Zócalo, que faz uma leitura mais moderna de pratos mexicanos e tem uma vista incrível para a praça principal. O único problema é que a varanda é também a área de fumantes do restaurante. Em troca do cartão postal, você precisa aguentar o fumacê. Crianças são proibidas na varanda.
Dia 2 –  Museu Frida Kahlo/Coyoacán
Também fomos de metrô. A estação fica a 15 minutos de distância a pé do Museu Frida Kahlo (foto). A fila parecia grande, mas conseguimos entrar depois de 20 minutos. De novo o problema do guichê único. Ficamos duas horas por lá. O lugar é lindo, muito bem conservado. Para tirar fotos é obrigatório comprar um selo para grudar na roupa. Depois caminhamos pelas ruas de Coyoacán, uma antiga cidade que virou bairro da Cidade do México. É um passeio bem gostoso. No caminho, passamos por uma feira livre, que vendia os famosos chapolins (grilos) fritos, que são consumidos como tira-gosto. Chegamos à Praça Hidalgo, rodeada de restaurantes e sorveterias (helado é o sorvete à base de leite e neve, com água). Não procure por paletas recheadas. Aliás, paleta é qualquer tipo de picolé.
Uma dica importante, que só fui descobrir dentro de um restaurante:  até às 13h, os estabelecimentos servem apenas o desayuno (café da manhã ou brunch). Os cardápios para o almoço só aparecem a partir das 13h. Na Praça Hidalgo é obrigatória a visita à Paróquia de São João Batista, que começou a ser construída pelos franciscanos em 1592.  Em frente, existe um mercado de artesanato, onde encontrei divertidas figuras do comediante mexicano Cantinflas (sim, tem do Chaves também!).
O jantar foi no moderno Mercado Roma, que parece uma praça de alimentação cheia de comidinhas descoladas. Aliás, o taxista não fazia a menor ideia de onde ficava. Anote o endereço: Querétaro, 225. Faltou o Museu León Trotsky, na casa em que ele foi assassinado em 1940.
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Dia 3 – Estádio Azteca/ Museu Soumaya/ Supermercado/ Shopping Antara
Fomos com o motorista da locadora até o Estádio Azteca, o primeiro estádio do mundo a receber duas finais de Copa do Mundo (agora o Maracanã também tem esse privilégio). O estádio, administrado pelo América do México, viu o Brasil se tornar tricampeão do mundo e Maradona fazer o famoso “gol com a mão de Deus”. Valeu fazer a visita guiada, que nos levou ao vestiário principal e também ao gramado. Na volta, o motorista nos deixou em frente ao Museu Soumaya, que o bilionário mexicano Carlos Slim fez em homenagem à mulher, Soumaya Domit, falecida em 1999. Este novo prédio foi inaugurado em 2011 e tem como destaque 380 esculturas do francês Auguste Rodin – é a maior coleção de Rodin fora da França. É um museu fantástico e precisa ser incluído nos roteiros de todos os visitantes.
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Encontramos um supermercado logo em frente. Foi divertido dar uma volta por lá e comprar algumas comidinhas típicas. Jantamos no chique Shopping Antara, do outro lado da rua, numa pizzaria chamada “50 Friends”, bem agradável.  Passamos várias vezes pela loja de departamentos El Palácio de Hierro, com algumas unidades espalhadas pela capital, mas não tivemos tempo de entrar.
Dia 4 – Museu de Antropologia / Castelo de Chapultepec/ Show de luta livre
Nosso hotel ficava a menos de 1 quilômetro do Museu de Antropologia. Chegamos cedo e ficamos até às 14h. Percorremos com calma as salas do térreo e fizemos uma passagem mais rápida pelas de cima. A sala com a Pedra do Sol asteca (foto) é a mais exuberante.  Atravessamos a avenida e fomos caminhando até a entrada do Bosque de Chapultepec, a maior área verde da Cidade do México, outra visita imperdível. Subimos e descemos do Castelo de Chapultepec num trenzinho verde (pago) para economizar um pouco de energia. Pensamos em entrar  no Jardim Zoológico, mas não deu mais tempo. Viu quantas coisas ficaram para a próxima visita? Pode colocar na lista também o Museu de Arte Moderna e a casa de Dolores Olmedo, mecenas de Frida e Diego.
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À noite, compramos uma excursão para um show de Luta Livre (telecatch). O show é muito engraçado. Mas não recomendo uma empresa chamada GetYourGuide (representada pela Amigo Tours na Cidade do México). Chegamos 40 minutos atrasados, perdemos as primeiras lutas. Na saída, a demora foi tão grande que algumas pessoas desistiram e preferiram pegar táxis. O preço pelo serviço é muito caro. Teria valido a pena ter chamado um rádio-táxi. Comprar ingressos para a luta na hora é muito fácil.
Dia 5 – Pirâmides de Teotihuacan / Basílica de Guadalupe 
Usamos mais uma vez os serviços do carro com motorista e não nos arrependemos.  Na entrada das pirâmides, contratamos um guia local (pagamos o equivalente a 80 reais pelo tour de 2 horas). Recomendo levar boné ou chapéu. O sol é de matar. Fizemos tudo em 4 horas, sem pressa. Na volta, ainda paramos na Basílica de Guadalupe. Além da Basílica atual, vale entrar na antiga igreja, que está com o piso afundado, como uma daquelas casas malucas de parque de diversões. O jantar de despedida foi num restaurante/luderia chamada El Ocho Cafe Recreativo, homenagem ao personagem Chaves. Na verdade, ninguém o conhece como Chaves por lá. Ele era o El Chavo del Ocho (“o garoto do 8”). As pizzas são servidas no formato do número 8.
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Na volta para o aeroporto Bénito Juarez, usamos o serviço de rádio-taxi recomendado no hotel. Pagamos 180 pesos mexicanos (32 reais) pela corrida. Ah, sim, um último motivo para querer voltar muito em breve para o méxico: o sorvete de arroz con leche (o nosso arroz-doce). Abraços. Marcelo Duarte