Abriu as portas em fevereiro no coração do Red Lights District, em Amsterdã, Holanda, um museu educativo que pretende mostrar o que acontece nos bastidores das casas de prostituição do bairro. Batizado de Red Lights Secrets, o museu foi montado dentro de um antigo bordel.

Logo na entrada do prédio, o visitante se depara com o holograma de uma prostituta. Depois, a exposição vai aos poucos mostrando a importância de integrar as moças que trabalham com a prostituição na sociedade. Um curta-metragem conta a rotina de todos os profissionais envolvidos no meio: quem limpa os quartos, quem lava as roupas de cama, quem serve o café e quem faz a comida.

As prostitutas de Amsterdã alugam as janelas de vidro dos prédios do Red Lights District e se exibem para os possíveis clientes. O espaço custa, em média, 150 euros (480 reais) pelo período de 12 horas. Por um programa de 15 minutos, as prostitutas de Amsterdã cobram o preço médio de 50 euros (160 reais). Segundo dados do museu, cerca de 75% das mulheres que se prostituem por lá são estrangeiras, vindas de países mais pobres, como a Romênia e a Bulgária. Apesar de tolerada desde o século 16, a prostituição só foi legalizada na Holanda em 2000. Recentemente, a idade mínima para a prática da prostituição saltou de 18 para 21 anos.

O Blog do Curioso encontrou outros museus do sexo pelo mundo. Confira:
Museu Real de Bourbon – Nápoles (Itália)

O primeiro museu do sexo do mundo foi criado no século 18 para abrigar as pinturas eróticas preservadas depois da explosão do vulcão Vesúvio, que destruiu a cidade de Pompeia em 79 d.C. Na verdade, tratava-se de uma sala especial dentro do Museu Real de Bourbon, onde até o século 20 só era permitida a entrada de homens. O museu é hoje conhecido como Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

Instituto de Sexologia – Berlim (Alemanha)

O museu foi fundado em 1919 por Magnus Hirschfeld, médico pioneiro no estudo da sexualidade humana. Abrigava uma coleção de peças de arte, fotografias, livros e documentos manuscritos relacionados ao tema. O acervo se perdeu no dia 6 de maio de 1933, quando um grupo de estudantes nazistas saqueou o prédio na área central de Berlim, queimando toda a biblioteca em praça pública quatro dias depois.
Museu do Sexo – Amsterdã (Holanda)

O Red Lights Secret não foi o primeiro museu do sexo da capital da Holanda. Aberto em 1985, o Museu do Sexo de Amsterdã fica na Rua Damrak, em frente à Estação Central, na área mais movimentada da cidade. O local tem um rico acervo de artefatos, como as estátuas de cera da exótica dançarina holandesa Mata Hari – junto a seus parceiros sexuais – e a da musa universal Marylin Monroe – com a saia sempre prestes a levantar.
Museu Erótico – Paris (França)

O museu do sexo parisiense é dedicado aos acervos de arte erótica do colecionador de antiguidades Alain Plumey e da professora de francês Jo Khalifa. Fundado em 1997, o prédio é localizado no distrito de Pigalle, bairro conhecido por oferecer entretenimento adulto no século 18, época de ouro do Moulin Rouge. No acervo, há desde arte antiga da Índia, Japão e África até arte contemporânea erótica.
Museu do Sexo – Nova York (Estados Unidos)

Fundado em 2002, o espaço produz exposições, pesquisa e programas educativos sobre sexo e sexualidade. Em 11 anos de atividade, promoveu 16 mostras e cinco instalações virtuais. A coleção permanente contém mais de 15 mil artefatos como obras de arte, fotografias, roupas, fantasias, invenções tecnológicas e documentos históricos. O museu abriga ainda uma biblioteca de pesquisa e um extenso acervo de multimídia.
Loveland – Jeju (Coreia do Sul)

O parque temático do sexo da ilha sul-coreana abriu as portas em 2004. É um espaço em que arte e erotismo se encontram, e o visitante é convidado a apreciar as belezas da sexualidade. As 140 obras de arte expostas na Loveland começaram a ser produzidas em 2002, por um grupo de 20 artistas da Universidade de Hongik. Os menores de 18 anos podem esperar em um espaço de recreação enquanto os adultos se divertem.
Tochka G – Moscou (Rússia)

O Tochka G (ou “ponto G”, em russo) é uma Disneylândia para adultos. O maior museu de sexo do mundo – instalado em um espaço de 800 metros quadrados – reúne 3 mil peças de arte erótica, cuja origem vai desde a Antiguidade até os dias atuais. Os visitantes ainda têm a chance de fazer compras em um hipermercado erótico, que expõe em suas prateleiras brinquedos sexuais, lingeries e souvenires.
Museu Antigo do Sexo – Jiangsu (China)

Das 3.700 peças do museu da província chinesa de Jiangsu, vinte têm entre 5 mil e 6 mil anos de idade. Elas estão divididas em quatro exposições permanentes: “Sexo na Sociedade Primitiva”, “Casamento e Mulheres”, “Sexo na Rotina” e “Comportamento Sexual Bizarro”. Os visitantes menos conservadores podem ainda passear por um jardim cheio de esculturas temáticas.
E o Brasil, nunca teve museus do sexo?
O Museu da Sexualidade da Bahia, primeiro museu do sexo do Brasil, abriu as portas em Salvador em setembro de 1998. Um acervo de cerca de 500 peças temáticas, coletadas pelo historiador Marcelo Cerqueira, foi provisoriamente exposto na sede do Grupo Gay da Bahia, no bairro do Pelourinho. Cerqueira teve a ideia depois de perceber a presença de objetos com conotação erótica em feiras nordestinas. A iniciativa, no entanto, não deu certo. O local era muito pequeno e não tinha estrutura para abrigar o museu. Em 2011, depois de inúmeras tentativas de patrocínio, o projeto de Marcelo foi engavetado.

Sapato em forma de pênis, exposto no Museu da Sexualidade (BA)


A cidade de São Paulo também foi palco de uma tentativa parecida. Em maio de 2005, o Museu de Erotismo de São Paulo foi inaugurado na Avenida Brigadeiro Luis Antonio. Era composto pelo acervo de Alfred Palliser, alemão radicado em São Paulo desde 1985. As cerca de 300 peças – adquiridas ao longo de viagens pelos continentes americano e europeu – ficavam expostas em três salas do casarão que também abrigava a Canal X, videolocadora erótica com 20 mil títulos. A atração funcionou por pouco mais de três anos. No fim de 2008, o casarão que abrigava o museu foi derrubado para a construção de um prédio.