Já reparou que muitos logotipos de marcas famosas trazem figuras humanas em seu desenho? Algumas delas são totalmente genéricas, como o homem que ilustra as embalagens da aveia Quaker ou da garota que aparece no Leite Condensado Moça. Outras tantas marcas apostam em estereótipos como rostos também genéricos de crianças (Balas Juquinha, Seven Boys e Panco são alguns exemplos), corpos femininos (Rolls-Royce e Devassa) e até mesmo senhores bigodudos como o Mr. Pringles. Há marcas, no entanto, que se inspiraram em pessoas reais – fundadores, modelos e familiares – para criar suas famosas imagens.
1. Gina


A moça que estampa a marca de palitos mais famosa do Brasil não se chama Gina. O nome dela é Zofia Burk, polonesa radicada no Brasil. Em 1975, quando a embalagem foi lançada, Zofia era uma influente publicitária e modelo, que aparecia em comerciais de produtos diversos. Ela tirou a foto sem saber onde seria usada. Acabou indo parar nas caixinhas de palitos que marcaram presença na grande maioria das casas dos brasileiros. Chegou a ensaiar um processo, mas havia cedido os direitos de imagem à agência que negociou a fotografia. A foto foi substituída por um desenho. Zofia tem hoje 63 anos e mora em São Paulo, preservando o mesmo corte de cabelo daqueles tempos. A Rela Gina nasceu em 1947 e completa 70 anos neste ano. O nome da marca é uma homenagem a Rosa Del Nero Rela, mãe dos fundadores, que era conhecida como Dona Gina.
2. KFC

Quem estampa o logo da rede de fast food especializada em frango frito é seu próprio fundador, Harland Sanders. Ele abriu a primeira loja em 1930, em Kentucky (Estados Unidos), aos 40 anos, apesar de já cozinhar desde os seis e do restaurante ser apenas parte de um posto de gasolina. Em 1922, sua loja de barcos havia quebrado e ele se mudou para Kentucky. Em 1929, perdeu o emprego porque a empresa onde trabalhava faliu em função da Grande Depressão. Então, a Shell lhe ofereceu a possibilidade de tocar um posto de gasolina em troca de uma porcentagem do lucro. Para aumentar a renda, ele abriu um pequeno restaurante junto do posto onde servia um frango frito especial. O lugar ficou tão popular que o governador do Estado deu a Sanders o título de Coronel Kentucky. Daí vem o nome Kentucky Fried Chicken (“frango frito de Kentucky”, em tradução literal). Ele morreu em 1980, aos 90 anos. Em 1952, a KFC abriu sua primeira franquia. Hoje, são cerca de 20 mil espalhadas pelo mundo.
3. Casa do Pão de Queijo

A senhora que estampa as embalagens dos apetitosos pães de queijo da marca mineira é Arthêmia Carneiro. Natural de Monte Alegre (Minas Gerais), a mãe do fundador da loja, o engenheiro Mário Carneiro, é a dona da preciosa receita. Apesar de a primeira loja ter sido aberta em 1967, o logotipo só veio em 1994, quando a marca foi reformulada para que todas as franquias tivessem o mesmo padrão. Dona Arthêmia morreu três anos depois, aos 92 anos.
4. NBA

A logo da liga norte-americana de basquete, criada em 1969, foi baseada em uma foto publicada na revista Sports Magazine. Tratava-se de Jerry West, jogador do Lakers, que parecia captar a essência dinâmica do jogo. West defendeu a equipe de Los Angeles durante 14 anos. Ele foi o terceiro jogador da história da NBA a atingir a marca dos 25 mil pontos em partidas oficiais. A NBA havia sido fundada em 1946 como Basketball Association of America. Ao final da temporada 1948-1949, o nome foi alterado para National Basketball Association. Desde a adoção da nova marca em 1969, a NBA não alterou a sua principal identidade visual. Apesar do Los Angeles Lakers ter sido o vice-campeão, Jerry West esteve no time dos melhores jogadores da temporada 1969-70, a primeira em que estampou a marca oficial.
5. Wendy’s

A rede norte-americana de lanchonetes foi fundada em 15 de novembro de 1969, um mês e um dia depois da quarta filha do fundador Dave Thomas completar 8 anos. Melinda Lou Morse tinha um problema de dicção e não conseguia pronunciar as letras “L” e “R”. Consequentemente, não podia falar o próprio nome. Então, passou a ser chamada de Wendy e ganhou como homenagem o batismo da lanchonete (o sufixo “s”, no inglês, é usado para designar propriedade, de modo que Wendy’s significa “da Wendy”).  E não foi só isso: a partir de seu rosto foi desenhada a menininha ruiva de tranças que até hoje estampa a marca. Com a morte de Dave Thomas em 2002, ela e os irmãos assumiram o controle da marca. Melinda gravou comerciais só com a voz a partir de 1989 e em 2010 apareceu pela primeira vez em uma publicidade da rede. Em 2016, a Wendy’s abriu em São Paulo suas duas primeiras unidades no Brasil.
6. Banco Imobiliário

O personagem conhecido como Rich Uncle Pennybags (“tio rico saco de moedas”) foi criado na década de 1930, para ilustrar um jogo chamado Dig. Em 1985, o desenho foi adotado pelo mundialmente conhecido jogo de tabuleiro Monopoly, que no Brasil virou o Banco Imobiliário. Rich Uncle é a caricatura de John Pierpont Morgan, influente banqueiro do século XIX. Morgan não conheceu a homenagem: ele morreu em 1913, duas décadas antes da criação de Rich Uncle. Seu nome está também imortalizado no JPMorgan, o banco que em 2000 se fundiu ao Chase. Hoje, a holding emprega 250 mil pessoas e o capital está avaliado em 254,1 bilhões de dólares.
7. Columbia Pictures

A figura que representa a famosa distribuidora de filmes foi inspirada na silhueta da atriz de Hollywood Evelyn Venable, que brilhou entre os anos 30 e 40. Conhecida por ter dado voz à fada de Pinóquio (1940), desenho da Disney, Evelyn largou a breve carreira em 1941 para se dedicar ao cuidado dos filhos. A atriz foi ainda professora universitária, antes de morrer de câncer em 1993. A Columbia Pictures completa 100 anos no ano que vem, mas só adotou o nome atual em 1923. A base da logo da Columbia foi desenhada em 1928, mas a posição de Veneble era ocupada pela Estátua da Liberdade. Apenas em 1992 a atriz passou a dar rosto às produções.
8. Cigarrinhos Pan

O garotinho que ilustrava a embalagem dos Cigarrinhos de Chocolate Pan era o ator Paulinho Pompeia. Hoje ele tem 67 anos e passagens por emissoras como Globo, Record e Manchete. Na Globo, atuou em “Malhação”, foi apresentador do Telecurso 2000 e do Globo Ciência e foi ainda assistente de direção em novelas. Conta com algumas peças teatrais no currículo. Paulinho tinha 9 anos e trabalhava no Circo Garcia, em São Paulo, como o palhaço Berinjela, quando foi descoberto pela marca de chocolates. Um rapaz que trabalhava na Pan gostou da apresentação dele e o chamou para fazer as fotos. A embalagem trazia também um garoto branco com os cigarrinhos, que foram proibidos pelo Ministério Público em 1996 sob a alegação de estímulo ao tabagismo às crianças. Desde então, a Pan anuncia o produto como “rolinhos de chocolate”. Paulinho Pompeia, no entanto, nunca fumou e também não gosta de doces.
9. Ultrafarma

A Ultrafarma nasceu em 2000, embalada pela explosão dos genéricos no governo Fernando Henrique Cardoso. Em sua logomarca (uma elipse azul com o nome escrito em branco) aparece o seu fundador, Sidney Oliveira. Na verdade, apenas a cabeça foi colocada na parte superior da elipse que trazia o nome da marca – a identidade visual mais recente abandonou a elipse e recriou a imagem de Sidney dentro de um círculo pequeno ao lado do nome. O paranaense de 56 anos cresceu na roça e começou a trabalhar aos nove anos de idade em uma farmácia de Umuarama (PR). Ele se mudou para São Paulo e abriu uma pequena farmácia. O negócio cresceu e se tornou a empresa de medicamentos que revolucionou o mercado com a venda pela internet.
10. Velho Barreiro

O desenho que estampa os rótulos de uma das cachaças mais famosas do Brasil procurou reproduzir Leonardo da Vinci. A controvérsia gira em torno do nome: não se sabe ao certo de onde vem o Velho Barreiro, mas a tese mais aceita é a de que um dos membros da família Höffer, que comprou a produção de aguardentes na década de 1960, chamava dessa forma um joão-de-barro que vivia na região. A fazenda Tatuzinho, em Itapetininga (SP), já produzia cachaça desde o fim do século anterior. Em 1973 a Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho 3 Fazendas comprou a Velho Barreiro.