Hoje foi feriado aqui na África do Sul. O 16 de junho é uma das datas mais importantes do país. É o Dia da Juventude. A data é uma homenagem aos mortos do massacre de Soweto, que aconteceu em 1976.
Cerca de 15 mil jovens estudantes da região, que fica na periferia de Johanesburgo, saíram às ruas em plena época do apartheid para protestar contra o sistema de educação. Na época, os negros pagavam para estudar em escolas superlotadas, enquanto os brancos tinham ensino de melhor qualidade de graça. O balanço do ano anterior mostrava que o percentual de investimento governo sul-africano no ensino de um aluno branco era 15 vezes superior ao de um aluno negro. A situação, claro, gerou revolta.
Mas o estopim para o levante dos alunos foi a determinação de que seriam obrigatórias aulas de africânder nas escolas dos negros. O idioma, que tem origem no holandês, era usado pela minoria branca e, por isso, considerado um símbolo da repressão pelos negros.
Liderados pelo jovem Tsietsi Mashinini, os estudantes protestaram com faixas e cartazes. A polícia sul-africana reprimiu a manifestação com violência. O primeiro tiro matou o estudante Hector Pieterson, de 13 anos. A foto do garoto sendo carregado por um colega ficou famosa no mundo inteiro.

Mas isso só foi possível porque o fotógrafo Sam Mzima foi astuto. Logo que percebeu que havia feito uma boa imagem, guardou o rolo do filme na meia. Quando a polícia o abordou para verificar a câmera, o filme não estava mais na máquina. Depois que a foto foi publicada, Mzima passou a ser perseguido, e teve que sair de Johanesburgo. A moça da foto foi a única que sobreviveu. É Antoinette Sithole, irmã de Hector. Ela não conhecia Mbuyisa Makhubo, o homem que carregava seu irmão e do qual nunca mais se teve notícias.
Depois do tiro contra Hector, os jovens responderam com as únicas armas de que dispunham contra as forças armadas – as pedras espalhadas pelo chão. Cerca de 500 manifestantes morreram. O líder dos estudantes, Tsietsi Mashinini, foi exilado do país.
Foi em 1991 que, em homenagem aos mortos do massacre, a Organização de Unidade Africana (OUA) instituiu a data de 16 de junho como o Dia da Juventude. Hector Pieterson ganhou um tributo especial: um memorial na praça que leva o seu nome no Soweto. Sua irmã, Antoinette, é uma das responsáveis pelo museu.
A grande festa só não foi completa por causa da derrota dos Bafana-Bafana para o Uruguai por 3 x 0 esta noite. Mais um fato triste que marcará o 16 de junho dos sul-africanos.
(Veja agora a reportagem que meninas do Sowetto fizeram sobre a data)