A suspensão imposta ao centroavante Luis Suárez mobilizou o Uruguai. Vi por todas os lados em Montevidéun faixas de apoio ao jogador penduradas em prédios e casas. Os jornais trouxeram máscaras e pôsteres de Suárez na véspera da partida contra a Colômbia, válida pelas oitavas-de-final da Copa. Na frente da casa do camisa 9, uma emissora de TV instalou um telão, que reuniu 1000 torcedores e alguns vendedores de bandeiras, faixas e adesivos. Paguei 300 pesos (30 reais) por uma camiseta celeste com o rosto de Suárez e a inscrição “O la patria o la tumba”, primeira estrofe do hino. O Uruguai perdeu e toda a fúria uruguaia se voltou contra a Fifa.  O presidente José Mujica não se calou. Depois de ter recebido a seleção uruguaia no desembarque do Aeroporto de Carrasco, Mujica foi indagado pelo canal público de TV do Uruguai sobre a suspensão de Suárez, e respondeu: “Os da FIFA são um bando de velhos filhos da p#%@. Podiam tê-lo punido, mas não assim. Essas sanções são fascistas.” Acompanhe no vídeo abaixo, a partir de 2:38.

Se os uruguaios responsabilizam a FIFA pela morte do “fantasma de 50” na Copa de 2014, Ângelo Mendes de Morais, prefeito do Rio de Janeiro à época do fatídico “Maracanazzo”, deu ameaçadoras e soberbas declarações perante 200 mil brasileiros momentos antes do início da final da Copa de 1950, que se consagraria como a mais sofrida derrota da história da Seleção Brasileira. Confira, a partir de 1:34, as seguintes palavras de Mendes de Morais: “Brasileiros, vós que daqui alguns minutos sereis sagrados campeões do mundo, vós que não tendes rivais em todo planeta, vós que eu já saúdo como vencedores. Cumpri minha palavra construindo este estádio. Cumpram agora seu dever, ganhando a Copa do Mundo!”

Vinte anos depois da tragédia do Maracanã, o Brasil finalmente se sagraria tricampeão do mundo. Para premiar os vencedores da Copa de 70 – e ganhar moral com a população brasileira -, o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, gastou o equivalente a 600 mil reais para presentear todos os 23 jogadores com um Fusca. “Fiquei sabendo pelo jornal. Enviaram o carro para Belo Horizonte, um amigo foi buscar porque eu não sabia dirigir”, conta Dadá Maravilha, um dos contemplados. “Foi meu primeiro carro, mas depois vendi para comprar um TL, da Volkswagen – o pior veículo que dirigi na minha vida”.

Paulo Maluf com os campeões do mundo Pelé e Carlos Alberto

Paulo Maluf com os campeões do mundo Pelé e Carlos Alberto Torres


Na Copa de 1982, outro manda-chuva deu as caras. O francês Giresse recebeu a bola na entrada da área, levou-a até a marca do pênalti e chutou, marcando o quarto gol da França contra o Kuwait, em partida pela fase de grupos. Das arquibancadas, um homem vestido com um turbante vermelho e uma túnica marrom mandou seu time sair de campo. Era o sheik Fahid Al-Ahmad Sabah, presidente da Associação de Futebol do Kuwait, que invadiu o gramado e fez o juiz anular o gol, alegando um suposto impedimento. E não é que ele conseguiu? Depois do incidente e da anulação do gol, o jogo continuou e o Kuwait sofreu mais um tento francês.