A nova promoção das garrafinhas da Coca-Cola com 20 países da Copa do Mundo me vez voltar a 1998. Você se lembra dos minicraques da Seleção Brasileira? Os bonequinhos de 7 centímetros de foram uma verdadeira febre durante a Copa da França. Ao todo, a promoção contava com 25 miniaturas e mais o chamado “trio especial”, composto pelos maiores destaques da Seleção à época, os atacantes Ronaldo e Romário e o volante Dunga. O curioso é que, dos 28, catorze não foram à Copa: Anderson, Cléber, Christian, Djalminha, Dodô, Donizetti, Flávio Conceição, Juninho Paulista, Mauro Silva, Oséas, Renato Gaúcho, Rodrigo, Romário e  Zé Maria. Para consegui-los, o consumidor deveria juntar cinco tampinhas de garrafa ou cinco anéis de latinhas e ainda pagar 2 reais. Na vizinha Argentina, os “cabezones”, como são chamadas as miniaturas por lá, eram 16 e apenas dois não estiveram no Mundial: Díaz e Rizzo. Abaixo, o vídeo da propaganda da Coca-Cola à época:

Cartaz com todos os minicraques da Copa de 1998


Embora tenham ficado famosas por aqui somente em 1998, as miniaturas existiam desde 1994, quando começaram a ser produzidas pela Corinthian, uma empresa inglesa que já não funciona mais. Hoje, os bonequinhos da Corinthian viraram raridades. Uma miniatura de Pelé de 17 cm pode ser encontrada em leilões online por até 90 euros. O empresário carioca Pedro Igor Moreira da Silva, de 34 anos, tem 800 miniaturas e encomendou outras 400. Como assim? Ele compra lotes de jogadores desconhecidos que atuam no Campeonato Inglês e  contrata o serviço de empresas de artesanato da Indonésia e da Alemanha para as transformá-las em atletas brasileiros. O empresário coleciona miniaturas de jogadores desde 2011. “Procurava material para fazer um quadro de futebol quando encontrei os bonequinhos”, lembra. “Gostei tanto delas que resolvi colecionar”.  O número de bonecos não parou mais de crescer. Pedro faz, a cada mês, uma média de 10 novas aquisições.

Parte da coleção de Pedro Igor


O Pelé de 17 cm da coleção de Pedro. No E-bay, o preço de uma dessas está em 90 euros


Pedro não poupa esforços para incrementar a coleção. Há dois anos, época em que procurava uma miniatura de Romário (sic!), ele estava preso num congestionamento com a mulher, a poucos minutos do início de  um leilão virtual justamente da tão procurada peça. Como não daria tempo de chegar em casa a tempo, os dois estacionaram o automóvel e cada um correu para uma lan house. A de Pedro estava lotada. “Por sorte, minha mulher conseguiu encontrar um computador livre e arrematou o boneco 1 minuto e 20 segundos antes do encerramento do leilão”. O item saiu por 30 euros.

Processo de transformação realizado na miniatura de Romário.


Aqui você confere a coleção completa de Pedro Igor.
Já no meio de produção, a referência atualmente é a  inglesa Soccerstarz. A empresa foi criada  em julho de 2012 pela Creative Toys Company, uma das maiores distribuidoras de produtos de entretenimento da Europa e tem se dedicado a produzir miniaturas dos jogadores das principais ligas europeias. Até o momento, os ingleses têm em seu catálogo minicraques de times britânicos, espanhóis, franceses e portugueses. No primeiro semestre de 2014, a empresa também prevê o lançamento alguns  jogadores com passagem pela Seleção Brasileira. No site da Soccerstarz, é possível conferir quais deles ganharão suas representações em miniatura. Na lista, estão desde atletas que estiveram na Copa das Confederações, como Neymar, Bernard, David Luiz e Daniel Alves, até aqueles que não foram chamados por Felipão, caso de William e Ronaldinho Gaúcho.  Em outro endereço virtual mantido pela companhia, há a possibilidade de se comprar minicraques ao preço de 2,97 euros cada. Só lançamentos, como Neymar e o alemão Ozil, saem um pouco mais caro: 3,29 euros cada um.

Apesar de os bonequinhos não terem muito mercado no Brasil, também temos nosso representante na área de fabricantes de miniaturas. Tal papel cabe à empresa gaúcha Ninibin, fundada em dezembro de 2008 pelo empresário Rafael de Albuquerque, de 28 anos. O primeiro boneco produzido foi de Guiñazu, ídolo do time do Internacional que, naquele período, disputava o título da Copa Sul-Americana. Ao Blog do Curioso, Rafael contou qual era sua motivação inicial. “Minha motivação inicial era criar o que eu sempre quis ter na infância e não tive: bonecos dos jogadores que eu admirava para brincar de várias formas”, relembra. Atualmente, conta com 50 modelos de miniaturas em seu catálogo. Aqueles de maiores proporções, que medem 18 cm, como Dinho (Grêmio), Raí (São Paulo) e Figueroa (Internacional), custam 49,90 reais, enquanto os menores, de 8 cm, são vendidos por 24,90. Além destes produtos citados, a Ninibin (acesse o site da empresa) também comercializa figuras articuladas, mais focadas no público infantil.

Guiñazu segura sua miniatura


Sobre o fato de as miniaturas não serem tão populares no Brasil, Rafael tem sua opinião. “A realidade é que o Brasil ainda não tem a cultura das miniaturas como os EUA e, até mesmo, a Argentina têm, por exemplo. Aqui, uma miniatura vai vender muito se o jogador em questão estiver no auge da sua forma, ainda depende muito de fase, é mais passional”, avalia. Outro fator de dificuldade apontado por ele é aquele relativo ao fato de os jogadores ficarem pouco tempo em um clube, o que torna cada vez mais complicado assinar contratos de licenciamento. Mesmo assim, ele não perde o otimismo. Acredita que, com a evolução das redes sociais e com a Copa do Mundo no Brasil, os colecionadores e seus bonequinhos conseguirão um maior espaço, tanto na mídia quanto no mercado.

Rafael de Albuquerque ao lado de alguns produtos da Ninibin