A histórias das bebidas faz parte da cultura dos países. Por isso, vários museus foram inaugurados para brindar essa união. No final, para atrair os visitantes, esses museus apostam em salas de degustação ou em bares para que todos possam conhecer melhor as bebidas que deram origem a esses locais. Confira alguns deles:

Museu do Café (Santos-SP)
Durante muitos anos, o café foi o principal produto de exportação do Brasil. Em 7 de setembro de 1922, data exata do centenário da Independência do país, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, inaugurou o prédio da Bolsa Oficial do Café. A localização era estratégica, já que a cidade – apelidada de “a capital do café” – abrigava o porto que servia de passagem do produto para o exterior. Com a diminuição de importância do café para a economia nacional, a Bolsa também foi perdendo o seu sentido até realizar o seu último pregão em 1986. Doze anos depois, o governo do Estado inaugurou no mesmo prédio o Museu do Café Brasileiro. Uma exposição permanente explica a trajetória da bebida no país. O material envolve documentos e quadros que retratam o trabalho dos imigrantes e as rotas ferroviárias que garantiam a chegada do grão aos mais diversos pontos do Brasil. No local também funciona uma cafeteria onde se encontra o Jacu Bird Coffee, o mais raro tipo de café do país, feito com os grãos tirados das fezes da ave. O quilo custa por volta de 270 reais.

Prédio do Museu do Café já abrigou a Bolsa do Café

Museu da Cerveja (Bebedouro-SP)
O Museu da Cerveja é, na verdade, uma coleção de cerca de 37 mil peças, formada por Carlos Quintella desde 1983. O que ele mais guardou foram as “bolachas”, que ficam abaixo dos copos, e rótulos antigos (o mais velho é de 1900). O acervo tem uma série de garrafas especiais e de edições limitadas. As primeiras latinhas e as primeiras garrafas de 1 litro também estão sob posse de Quintella. O museu não é aberto ao público (ele possui um bar onde cerca de um terço da coleção fica exposta), mas recebe encontros de colecionadores e abre as portas para estudantes realizarem pesquisas.

Museu da Cachaça (Catanduva-SP)
Não é o único no Brasil – existem outros em cidades como Salinas-MG, Paty do Alferes-MG, Lagoa do Carro-PE  e Maranguape-CE -, mas é um dos mais diversificados. Inaugurado em 1983, o Museu da Cachaça tem um acervo de 3.812 marcas de aguardente que armazenam 7 mil litros da bebida. A amostra mais antiga, de 1945, é avaliada em R$ 7 mil, mas existem ainda outras relíquias como a Cachaça Pelé, feita em 1970 em homenagem ao Rei do Futebol, avaliada em R$ 2 mil. O local faz parte do complexo do Engenho Santo Mário, o mais célebre produtor de cachaça da apelidada “Cidade Feitiço”. Além dos rótulos em si, a casa aposta na transmissão da “cultura da cachaça”. Assim, latinhas de cerveja, gramofones, televisores antigos, recortes de jornais antigos e até uma garrucha fazem parte do cenário.

Cidade do Vinho (Bordeaux, França)
Foram gastos R$ 330 milhões na construção da La Cité du Vin (a cidade do vinho), em Bordeaux, na França. A arquitetura moderna constitui uma fachada onde centenas de placas de alumínio e vidro simulam o movimento que o vinho faz enquanto está sendo colocado na taça. O museu foi aberto em 2016 e recebe em torno de 400 mil visitantes por ano – a entrada custa 20 euros. O museu recebeu tanta pompa que até o então presidente François Hollande apareceu na inauguração. O visitante confere uma exposição sobre a história e os processos de produção da bebida e, no final, pode aproveitar uma loja com cerca de 800 rótulos vindos de todos os cantos do mundo. O Brasil também tem pequenos museus dedicados ao vinho nas cidades de Jundiaí e São Roque, ambas no interior de São Paulo.

Design moderno é um dos trunfos da “Cidade do Vinho”

Mundo da Coca-Cola (Atlanta, Estados Unidos)
Não tem exatamente o nome de museu, mas na prática funciona como um. No “World of Coca-Cola”, inaugurado pela própria The Coca-Cola Company em 1990, os visitantes dispõem de dois andares e de uma área total de 81 mil metros quadrados para desbravar tudo o que envolve a bebida mais famosa do mundo. Inicialmente, a estrutura do local contava com 1 mil artigos envolvendo a Coca-Cola, dispostos em ordem cronológica e intercalados por vídeos com comerciais antigos e explicações sobre a história da companhia.. Em 2007, o “Mundo da Coca-Cola” mudou de endereço e reabriu as portas com um investimento de 97 milhões de dólares. Agora, os visitantes podem conferir vídeos em 4D e experimentar 60 tipos diferentes de refrigerantes produzidos pela Coca-Cola ao redor do mundo. Existem ainda outros museus em Orlando, Las Vegas e Taiwan.

Museu do Uísque (Edimburgo, Escócia)
Guias e consultores conduzem os visitantes por um passeio onde é narrada a história da mais escocesa das bebidas. São 3 mil garrafas compondo o acervo do museu. Também há uma sala de degustação com muitas variações da bebida.

Museu da Vodca (São Petersburgo, Rússia)
A paixão dos russos pela bebida é tão grande que deu origem a um museu específico na cidade de São Petersburgo. Os organizadores consideram que a vodca é “parte essencial da vida na Rússia há séculos” e explanam sobre o tema abordando desde a origem do destilado até a construção dessa relação tão íntima com o povo e até mesmo o Estado russo. A estrutura do Russian Vodka Museum, que foi inaugurado em 2001, tem também um restaurante onde não faltam opções da bebida.

Museu da Tequila e do Mezcal (Cidade do México)
Funcionando na Praça Garibbaldi, no centro da capital, o museu dedicado às mais mexicanas das bebidas foi inaugurado em 2010. Na fachada, apresenta desenhos da maguey, a planta que dá origem tanto à tequila quanto ao mezcal (cuja única diferença em relação à tequila é ter sido destilada apenas uma vez). A fachada mostra ainda silhuetas de mariachis, os típicos músicos mexicanos. Em seus 375 metros quadrados, o museu se divide em três espaços: um histórico, mostrando todo o processo de produção da bebida e também sua trajetória ao longo dos anos; um para degustação, com 400 rótulos disponíveis; e uma loja onde são vendidas as garrafas.

Maguey e mariachis na fachada do Museu da Tequila

Museu do Mate (Tigre, Argentina)
O Museo del Mate funciona na cidade de Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires. Inaugurado em 2009, o local abriga 2 mil peças de artigos associados à bebida, como as famosas cuias de chimarrão. A bebida-símbolo dos argentinos tem sua história contada por meio de vídeos e de uma mostra guiada em seis idiomas diferentes (espanhol, português, inglês, francês, italiano e alemão). No final, o visitante se depara com um bar para degustar diversos tipos de mate.

Museu do Saquê (Kyoto, Japão)
O Gekkekian Osuka Sake ocupa um prédio construído em 1909 e tem aproximadamente 6 mil ferramentas e itens que contam a história do saquê. O local aposta também em uma ampla seção de degustação com o acompanhamento de músicos regionais. Entre os itens estão vasos de porcelana, garrafas e barris.

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