Arthur Greenwood tinha 58 anos e trabalhava como inventor de brinquedos em Darfield, vilarejo perto de Barnsley, na Inglaterra. Apaixonado por futebol, ele resolveu fazer um exercício de futurologia em 1962: como seriam os estádios de futebol dali a algumas décadas?. Naquele ano, o Maracanã, no Rio de Janeiro, era o maior estádio do planeta, com capacidade para 200 mil pessoas. Sucessivas reformas e mudanças nos padrões de consumo dos torcedores fizeram com que os estádios fossem diminuindo de capacidade, ao contrário do que previa Greenwood: o inglês imaginava uma instalação com capacidade para receber 250 mil torcedores, quase o dobro dos 150 mil do Estádio de Pyongyang, na Coreia do Norte, o maior do mundo.

As discussões atuais no mundo do futebol a respeito do uso do árbitro de vídeo também estão muito abaixo das previsões do inglês. No futebol imaginado por ele, não haveria árbitro de campo. Os homens do apito ficariam em estúdios de vidro construídos sobre o gramado e passariam por microfone as instruções para os jogadores. Em um ponto ele mais ou menos acertou: ele já imaginava que haveria um sensor instalado na linha do gol para alertar o juiz a respeito da bola ter ou não entrado. Ele só exagerou um pouquinho na forma como esse aviso seria dado: a tal cabine de vidro ficaria toda iluminada. Há uma única foto que circula na internet desde 2014 com o projeto de Greenwood (esta semana, ela foi relembrada pelo site “Impedimento”).

O “estádio do futuro” de Arthur Greenwood: exercício de futurologia em 1962

É claro que muitas ideias ficaram só na cabeça do inventor (pelo menos, por enquanto), mas algumas coisas já são reais mundo afora. A realidade dos estádios com aquecimento para os torcedores, comum em algumas arenas de esportes americanos, também foi prevista no “estádio do futuro” de Greenwood. A iluminação seria projetada por uma espécie de “telhado luminoso” direcionado diretamente ao campo. O estádio imaginado pelo inglês teria um posto para aterrissagem de helicópteros e um sistema de captação de água da chuva para a irrigação do gramado. Esse último ponto não foi um devaneio: o Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, é um dos que adotam um sistema semelhante de captação de água pluvial.

Outra “previsão” acertada de Greenwood foi o uso dos estádios de futebol para outros esportes. O inglês imaginou um sistema onde o campo de jogo “girava” para uma área externa, liberando espaço para montagem de um campo de críquete ou de um ringue para lutas de boxe. Imaginando uma função social para esse “mega estádio”, Greenwood imaginou enormes colunas nas bordas do estádio onde seriam construídas escolas, restaurantes e acomodações para crianças.

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