Para ser um bom ator é preciso ter talento, dedicação e horas de ensaios. Mas, além de todas essas técnicas, é preciso também entender de superstição. Mais do que isso: conhecer algumas regras indispensáveis para afastar qualquer mau agouro que se instale próximo ao palco. Aproveitando o Dia das Bruxas, o escritor Mark Robinson listou ao site Broadway Direct algumas histórias macabras envolvendo produções teatrais e as receitas para que esses maus presságios sejam definitivamente eliminados.

1. Nunca acenda três velas juntas
A razão para evitar velas nas coxias e cenários também é mais lógica do que superstição: antigamente, os teatros eram feitos com telhado de palha e quanto maior o número de velas maior a chance de um incêndio daqueles incontroláveis. Mas o trio de velas em específico tem uma tradição macabra: dizia-se que quem ficasse mais perto da vela menor seria o primeiro do grupo a morrer. Para não condenar ninguém à morte antes da hora, melhor evitar.

2. A luz fantasma
Um teatro escuro é uma armadilha e tanto. Sobretudo no palco. Tem peças do cenário espalhadas para todo lado, tem figurino no meio do caminho, se for um musical tem até instrumento espalhado pelo palco. Por isso, convencionou-se a chamar de “luz fantasma” a pequena luz branca que incide no palco quando o teatro está vazio. Assim, o primeiro a entrar pode desviar desses atalhos antes de conseguir acender a luz. Mas há uma superstição também: diz-se que essas luzes ajudam a espantar os fantasmas que ficam rondando as coxias. Sendo verdade ou não, no mínimo é um motivo a mais para o último que sair não se esquecer de deixar a luz fantasma acesa.

3. Pena de pavão
Eis aí outra coisa que não pode ser vista em um palco em hipótese alguma: penas de pavão. São bonitas, enriquecem o figurino, mas é melhor evitar. É que muita gente vê uma grande semelhança entre essas penas e os olhos do Diabo. Para não atrair esta audiência indesejada, então, evita-se qualquer roupa com essas penas.

4. Teatro Belasco
Quem vai se apresentar neste teatro da Broadway precisa tomar cuidado: muita gente jura que a alma de David Belasco, o dono do teatro, inaugurado em 1907, ainda está vagando por ali. Ele teria o hábito de andar pelas dependências do local, conversar com alguns funcionários e coisas do tipo.

David Belasco: fantasma em teatro centenário

5. Téspis
Se algo dá errado em alguma apresentação teatral, a culpa é dele. Téspis foi um dramaturgo grego que quebrou as tradições do teatro local: interpretou papéis que apenas sacerdotes ou reis poderiam desenvolver e foi o primeiro a interpretar duas personagens ao mesmo tempo em cena. Ficou tão marcado na história da dramaturgia que se alguma coisa sai mal em uma apresentação só pode ser por vontade – ou obra – dele.

6. Quebre a perna
Viu um ator prestes a entrar em cena? Encha a boca e deseje: “Vá lá e quebre a perna!”. Pode parecer uma grosseria, mas tem sua explicação. Os atores acreditam que existem espíritos malignos que fazem de tudo para atrapalhar quem está no palco. Eles fazem tudo ao contrário do desejado. Então, se o desejo for de “boa sorte”, vai dar um azar danado. Melhor desejar algo ruim, muito ruim, para trazer boas energias. Existe também uma teoria menos macabra: as cortinas de um teatro são conhecidas em inglês como “legs”, ou “pernas”. Então, “breaking a leg” ou “quebrar uma perna” significa ultrapassar essa cortina e entrar em cena.

7. Macbeth
Macbeth é uma obra muito famosa do escritor inglês William Shakespeare. Só não pode ser evocada de um teatro em hipótese alguma. É que a peça tem várias passagens que invocam espíritos malignos e chamá-la pode ser mais uma forma de atrair esses espíritos para a apresentação. Além disso, reza a lenda que um dos atores a encenar Macbeth morreu tragicamente enquanto estava em cena. Para desfazer a má sorte, pode ser preciso recitar versos de “Sonhos de uma noite de verão” ou de “Dois cavalheiros de Verona” ou ainda sair do teatro, dar três voltas em torno de si mesmo e depois cuspir no chão.

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