Dois grandes jogadores da história do futebol brasileiro, o goleiro Rogério Ceni e o atacante Edmundo, estão acostumados a serem homenageados pelos seus feitos dentro dos gramados. Apesar das trajetórias bem diferentes, Rogério, o bom profissional que nunca mudou de clube, e Edmundo, o polêmico de várias camisas, possuem em comum o fato de marcarem a vida de Adinam Cardozo e de serem os responsáveis por pelo menos uma homenagem que ele recebeu. Goleiro profissional de futebol por 19 anos, Adinam passou por dezenove times de nove Estados brasileiros e jogou nas cinco regiões do país. Se não construiu uma carreira de grande sucesso, está na história do futebol e é lembrado até hoje como personagem de dois feitos. Um deles completa 20 anos neste dia 11 de setembro: o goleiro viu Edmundo balançar as redes de São Januário seis vezes na vitória do Vasco por 6 x 0 para cima do União São João, clube paulista da cidade de Araras. Jamais um goleiro foi vazado tantas vezes por um mesmo jogador em uma mesma partida do Brasileirão.

O goleiro Adinam, em foto de 1995, no time do União São João

Quem visita o City Beer, bar temático da cidade de Araras, a 170 km de São Paulo, pode encontrar o goleiro no cardápio de sanduíches da casa, que presta reverência a grandes figuras esportivas da cidade. A homenagem do amigo Nilsinho Zanchetta pode causar certo estranhamento, já que o lanche Adinam leva frango, palavra que aterroriza os goleiros. O ex-jogador, porém, não se importa: “Nesse caso não tem nada a ver. Foi uma homenagem. Depois que a gente para de jogar é importante ter essa lembrança”, ponderou ele em entrevista ao repórter Bruno Camarão, no programa “É Brasil que Não Acaba Mais!”, da rádio BandNews FM.

Se Adinam é lembrado até hoje em Araras, boa parte da responsabilidade é também de Rogério Ceni. Naquele mesmo ano de 1997, no dia 15 de fevereiro, foi ele quem viu Rogério Ceni cruzar todo o gramado do Estádio Hermínio Ometto, em Araras, e cobrar a falta que abriu caminho para a vitória do São Paulo por 2 x 0 sobre o União pelo Campeonato Paulista. Foi o primeiro dos 132 gols que o goleiro artilheiro marcou em sua carreira – e lá estava Adnam para eternizar este momento.

Imagem de Amostra do You Tube

Adinam havia chegado ao União São João em 1994, quando o clube de Araras, fundado apenas 13 anos antes, já estava na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Com o União, caiu e foi campeão da Série B em 1996, garantindo assim uma participação na elite do futebol brasileiro em 1997. Chamado de “primeiro clube-empresa do Brasil”, teve em 1997 sua última participação na elite. Depois, o União até teve bons momentos como o vice-campeonato paulista de 2002 (quando os quatro grandes mais São Caetano, Guarani, Ponte Preta, Etti Jundiaí e Portuguesa não disputaram o torneio), mas foi ladeira abaixo a partir de 2005, quando caiu para a Série A-2 do Campeonato Paulista e disputou pela última vez a Série C, então degrau mais baixo na hierarquia do Campeonato Brasileiro. No início de 2015, meses depois de naufragar na tentativa de subir da Série B (que na verdade é a quarta divisão) para a Série A-3 do Paulistão, o União, que revelou o lateral Roberto Carlos, fechou as portas.

Imagem de Amostra do You Tube

Adinam deixou o clube em 1998. Jogou em times de expressão como Coritiba, Goiás, Paysandu, Sport e Avaí. Depois, peregrinou por times de divisões inferiores de São Paulo até encerrar a carreira em 2013, no Batatais, da cidade homônima. Na cabeça dos torcedores de Araras, a lembrança segue firme. Pelo menos dentre aqueles que visitarem o City Beer para reverenciarem Adnam como o homem que, sofrendo um ou seis gols, entrou para a história do futebol nacional.

  • Share/Bookmark