Vivendo ainda seus primeiros meses como presidente da França, Emmanuel Macron resolveu aumentar a população do Palácio do Eliseu, residência oficial, adotando um labrador preto. Chamado de Nemo (referência à personagem do livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne), o cachorro de 2 anos de idade ocupará o espaço de Philae, outro labrador, que era o cachorro do presidente anterior, François Hollande.

A tradição de presidentes franceses donos de cachorros é antiga. O primeiro deles foi Valery Giscard d’Estaing, presidente entre 1974 e 1981, e que também era dono de um labrador chamado Spinee. Jacques Chirac, por sua vez, foi presidente entre 1995 e 2007 e fugiu dos labradores: adotou um poodle chamado Sumo. O cãozinho sofria de transtorno de ansiedade e depressão, tendo por vezes alguns ataques de agressividade, que o impediam de conviver normalmente com os moradores do Eliseu. Nicolas Sarkozy, que ocupou a presidência entre 2007 e 2012, não economizou espaço para os animais e encheu o palácio com dois labradores e um chihuahua.

Cachorro do presidente francês Jacques Chirac sofria de depressão

Nos Estados Unidos, a tradição é mais séria. O primeiro presidente, George Washington, tinha nada menos do que nove cavalos. Martin Van Buren, presidente entre 1837 e 1841, ganhou do sultão de Omã dois filhotes de tigres, mas foi obrigado pelo Congresso a doá-los para um zoológico. Já Abraham Lincoln, conhecido por ser o presidente que aboliu a escravidão, tinha quase um zoológico na Casa Branca:  cachorros, gatos, pôneis,  um porco, um coelho branco, duas cabras e um peru.

Presidente entre 1865 e 1869, Andrew Johnson não tinha nenhum animal de estimação – embora alguns registros apontem que ele gostasse de brincar com uma família de ratos para aliviar a pressão durante o processo de impeachment no qual terminaria absolvido. Pode parecer uma informação normal, mas trata-se na verdade de um tabu que viria a ser quebrado apenas em 2017, com Donald Trump. Durante 147 anos,  todos os presidentes norte-americanos tiveram ao menos um bicho de estimação. Trump, pelo menos por enquanto, não apresentou nenhum.  Um morador da Flórida, apoiador de Trump, chegou a ofereceu um filhote de cachorro chamado Patton.

John Kennedy e os filhos brincam com cavalo na Casa Branca (1961)

Theodore Roosevelt era louco por cavalos: no período da presidência, entre 1901 e 1909, foram dez, além de um pônei. Além disso, teve seis cachorros, uma cobra, dois cangurus, cinco porcos, dois gatos, um esquilo, um coelho e um pássaro. John Kennedy também gostava de animais: entre 1961 e 1963, quando ocupou a presidência, ele teve 13 cachorros, um gato, três pôneis, dois cavalos, um coelho, um canário, dois hamsters e um passarinho.

Richard Nixon (1969-1974) e Ronald Reagan (1981-1989) preferiram ficar só com cachorros (quatro e seis, respectivamente), enquanto Bill Clinton teve um gato e um cachorro. Presidente entre 2001 e 2009, George W. Bush (o “Bush filho”) teve três cachorros, um gato e um cavalo (seu pai ocupou a Casa Branca entre 1989 e 1993 com dois cachorros). Já Barack Obama mantinha dois cães da raça cão d’água português durante os últimos oito anos, quando foi presidente.

Obama brinca com Bo, um dos dois cães d’água portugueses que ocuparam a Casa Branca em seu mandato

Na Inglaterra, a Família Real também é completada pelos seus pets: Elizabeth II possui três cães da raça corgi. A história de Elizabeth com os corgis começa em 1933, quando a realeza adotou Dookie. A futura rainha tinha apenas 7 anos e estabeleceu uma relação afetiva com essa raça. Estima-se que mais de 200 bichos de estimação já tenham passado pelo Palácio de Buckingham ao longo da história.

Ainda criança, Elizabrth II conviveu com seus primeiros corgies galeses

Alguns dos maiores tiranos da história também se derretiam com bichos de estimação. Adolf Hitler, por exemplo, era muito ligado à Blondi, uma cadela pastor alemão que morreu em 1945 justamente por ter testado pílulas que Hitler tomaria e que estavam envenenadas. Segundo Traudl Junge, secretária de Hitler, a primeira dama Eva Braun não gostava de Blondi e chegava inclusive a chutá-la por baixo da mesa. Braun tinha dois cães scotch terrier. O ditador italiano Benito Mussolini, por outro lado, tinha um companheiro mais insólito: um filhote de leão.

Adolf Hitler era apegado à cadela Blondi

No Brasil, são poucos os registros sobre animais de estimação de presidentes da República. O ex-presidente Lula apareceu com uma cadela chamada Michelle no início de seu primeiro mandato. Dilma Rousseff teve cinco cães, sendo quatro labradores. O mais conhecido deles era Nego, presente do ex-ministro José Dirceu. Doente, Nego foi sacrificado pouco antes de ela deixar o Palácio da Alvorada. Ela tinha também a daschund Fafá, encontrada num passeio por Brasília.

O labrador Nego foi o cachorro mais conhecido da ex-presidente Dilma

No site “O Presidente da Democracia”, José Sarney tem fotos também com filhotes de ladrador, batizados de “Seu Bete” e “Nhá Dica”. João Batista Figueiredo, o último presidente militar, gostava muito de cavalos. Tanto que marcou o seu mandato (1978-1985) com a declaração de que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo.

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