O Tempelhof Airport – “a mãe de todos os aeroportos”, como um dia apelidou o arquiteto britânico Norman Foster – completa em 30 de outubro nove anos sem uma decolagem ou um pouso. A impressionante estrutura que abrange os bairros de Neukölln e Tempelholf, a cerca de 4 quilômetros do centro de Berlim, na Alemanha, não é mais o ponto de partida para os que querem desbravar o mundo, mas é a morada de muitos dos que vêm de fora buscando um pouco de paz. O antigo aeroporto agora abriga milhares de refugiados que não têm onde dormir.  São atualmente 3 mil vindos principalmente da Síria e do Iraque, mas o espaço pode receber até 7 mil.

“Mãe de todos os aeroportos” nasceu na Alemanha

Inaugurado em 8 de outubro de 1923, o terminal passou por uma reforma em 1927 e por outra, bem maior, durante a década de 1930, quando o regime nazista de Adolf Hitler o transformou em um dos primeiros aeroportos de grande porte do mundo. Ponto estratégico durante a Segunda Guerra Mundial, o prédio de formato côncavo era uma das 20 maiores construções do mundo à época.

Na Guerra Fria, o tráfego aéreo entre os lados ocidental e oriental do Muro de Berlim era frequentemente carregado de tensão e o aeroporto de Tempelhof foi fundamental para o mundo ocidental, em especial para a força aérea norte-americana. Em 1948, a cidade de Berlim Ocidental foi cercada pelos soviéticos e todos os acessos terrestres acabaram bloqueados. Aviões americanos e ingleses, então, abasteceram uma população de cerca de 2,5 milhões de pessoas com mantimentos e usaram Tempelhof para pousos e decolagens durante cerca de um ano – o local já havia resistido a um ataque soviético em 1945, ainda na Segunda Guerra.

Adolf Hitler usou o aeroporto para discursos e shows militares

Terminada a Guerra Fria, as aventuras foram só da ficção, pois o aeroporto serviu como cenário para filmes como “A Supremacia Bourne” (2004), “Jogos Vorazes” (2012) e “Ponte dos Espiões” (2015). Cada vez menos utilizado para voos comerciais e fora da rota de voos internacionais, o terminal aeroviário foi fechado em 2008, depois de muitos protestos de quem defendia que o local continuasse em operação por sua importância histórica.

Um passeio guiado feito pelo site britânico Business Insider mostra um aeroporto abandonado. Os guichês e a esteira de bagagens ainda estão lá e são tudo o que resta do antigo vai-e-vem de passageiros e funcionários. Nas salas encontram-se também fotos de momentos históricos como a de um dos primeiros testes feitos com um dirigível, ainda antes da era nazista, e de show militares, agora já com Adolf Hitler no comando, que reuniam mais de 100 mil pessoas. Considerando ainda a área dos hangares, são 300 mil metros quadrados (área maior que à de todo o território de Mônaco, por exemplo) que ficaram sete anos sem qualquer finalidade.

Área de check-ins e esteiras de bagagens está abandonada (Foto: Business Insider)

Tentou-se encontrar soluções para ocupar todo esse espaço – que abrigava pistas de boliche, bares e uma quadra de basquete, dentre outras coisas -, como transformá-lo em um parque. Por se tratar de uma área de preservação histórica, reformas são complicadas. No fim de 2015, o governo alemão encontrou como finalidade a transformação do aeroporto em abrigo para refugiados.

As condições de acomodação não são as melhores. Em compensação, os refugiados recebem café da manhã e tem à disposição aulas de alemão e uma rede wi-fi. As crianças encontram ali uma escola e a possibilidade de praticar esportes. O projeto de desenvolver um parque no local continua de pé. A área do aeroporto serviu como circuito para uma corrida da Fórmula E, categoria com carros elétricos.

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