O Museu do Futebol, de São Paulo, vem realizando com bastante frequência encontros de colecionadores de camisas – sempre com um tema específico. Em maio, por exemplo, os colecionadores de uniformes de Corinthians e Palmeiras se reuniram no vão central do Estádio do Pacaembu para celebrar o centenário do clássico. Amanhã, no 23º encontro, o tema são as Portuguesas. Sim, assim mesmo, no plural: seja a Portuguesa paulistana, a de Santos, a do Rio de Janeiro, a de Londrina ou até mesmo a de Crato, no Ceará (que está inativa e tenta voltar à atividade profissional ainda este ano), o que vale é desfilar todo o acervo de camisas das “Lusas”.

Será difícil que alguém tenha coleção maior que a do empresário Rodrigo Soares, 39 anos, que levará as 150 camisas que juntou em 25 anos como torcedor da Portuguesa de Desportos, a mais famosa, a do Canindé. “Já tive umas 200, mas precisei me desfazer de algumas mais antigas porque elas são feitas de pano e precisam de um cuidado muito grande. Não tinha disponibilidade para isso”, confessa. A coleção começou com a camisa de 1994 e cresceu junto com a paixão pelo clube: “Sou de uma família oriunda de Portugal e comecei a torcer para a Lusa na época do Denner”, recorda.

Rodrigo Santos tem cerca de 150 camisas da Portuguesa

A Portuguesa completou 97 anos na última segunda-feira em meio à maior crise de sua história: eliminado na primeira fase da Série D do Brasileirão e há duas temporadas na Série A-2 do Campeonato Paulista, o clube precisa conquistar a única vaga disponível na Copa Paulista (torneio para os times paulistas sem calendário no 2º semestre) para jogar o Campeonato Brasileiro, ainda que na quarta divisão, no ano que vem: “Para quem viveu os anos 1990 e sabe da história gloriosa dos anos 1970 e 1980, isso é muito triste”, lamenta o colecionador, citando especialmente o time de 1995, que perdeu para o Corinthians a chance de ir para a final do Paulistão.

O esquadrão comandado por Paulinho McLaren, artilheiro do Campeonato com 20 gols, ao lado do são-paulino Betinho, é tão marcante para Rodrigo que a camisa da marca Dellebra, com patrocínio do Frigorífico Chapecó, é a peça mais especial da coleção: “Tenho essa camisa com todos os números, menos o 7. É a minha camisa para ir ao Canindé”, diz. É também a que mais custou para ser encontrada: “Tinha várias, mas não conseguia encontrar em lugar nenhum a de goleiro. Um dia um amigo, viajou para o interior de Minas Gerais, encontrou lá e me trouxe”, conta o lusitano.

Peça rara: camisa de goleiro foi encontrada no interior de Minas Gerais

Segundo Rodrigo, não há rivalidade entre as “Portuguesas” que farão parte do encontro: “Quando a Portuguesa foi eliminada da Série D, muitos de nós começamos as torcer para a Portuguesa da Ilha do Governador (RJ) que acabou eliminada na segunda fase. Sou muito atento às Portuguesas do Brasil e inclusive lembrei da existência dessa Portuguesa de Crato (CE) quando começamos a planejar o encontro. São braços culturais da colônia portuguesa no país”, justifica.

A paixão pelo futebol e pela colônia portuguesa engrossam a coleção de camisas de Rodrigo de outra forma: são mais de 300 peças de times de Portugal: “Gosto dos mais alternativos, como AD Fafe, Belenenses, Vitória de Guimarães, Gil Vicente e Varzim”, elenca. A lista conta ainda com camisas do Boavista, Oriental, Campomaiorense, Braga, Acadêmica de Coimbra, União de Leiria, Feirense, Penafiel, Santa Clara, Filgueiras e  Vizela. O trio mais famoso, formado por Porto, Benfica e Sporting, também está presente: “Tenho muito contato com colecionadores de lá que me enviam, assim como eu também envio algumas coisas para eles”. O acervo já foi notícia em Portugal.

Coleção de 300 camisas de times portugueses já foi notícia em Portugal

O encontro de camisas do Museu do Futebol começa às 10 horas e deve durar até as 17 horas.  No período da tarde, haverá também o evento “Lusa – Passado, Presente e Futuro”. Às 14h, a programação prevê a exibição do documentário “Rubro Verde Espetacular – Tri Fita Azul”, que conta a história das três excursões que a Portuguesa fez para o exterior em 1951, 1953 e 1954 e nas quais voltou sem perder (à época, quem voltasse invicto de uma excursão ganhava do jornal “A Gazeta Esportiva” o Troféu Fita Azul). Depois, às 15h, um debate reunindo torcedores ilustres e Badeco, capitão do último título paulista do clube, em 1973, título dividido com o Santos de Pelé.

 

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