A primeira cidade a adotar o sistema do rodízio de carros foi Atenas, na Grécia, em 1982. Atualmente, o maior número de cidades que implantaram a medida fica na América do Sul, e são conhecidas pelos altos níveis de congestionamento.

São Paulo (Brasil):
A primeira e única cidade brasileira que adotou o rodízio veicular foi São Paulo. Em 1995, para tentar melhorar a qualidade do ar, carros com determinados finais de placa não poderiam rodar o dia inteiro. Em 1997, foi criada a lei 12.490 para regular a restrição, que passou a visar a diminuição do trânsito. Na nova lei, os horários foram mudados: a circulação passou a ser impedida das 7h às 10h e das 17h às 20h. A restrição é diária, e o impedimento do uso do carro depende do final da placa. A cidade de São Paulo possui 5,5 milhões de veículos em uso, equivalente a 1 carro para cada 2 habitantes. A multa pelo desacato ao rodízio é de 85,13 reais.

São Paulo bateu recordes de congestionamento em 2014: 344 km de lentidão

La Paz (Bolívia):
Em 2003, os bolivianos passaram a restringir o uso de carros durante os dias úteis. O rodízio foi implantando para diminuir o congestionamento e melhorar o ar da capital La Paz. Das 8h às 20h, carros são impedidos de circular uma vez na semana, de acordo com o último número de suas placas. A multa tem valor de 70 bolivianos, o equivalente a 22 reais.

Santiago (Chile):
A capital do Chile, Santiago, implantou o rodízio em 1986. O atual modelo de circulação de veículos é baseado no “selo verde”. Antigamente, a maioria dos carros chilenos não possuía catalisador – dispositivo usado para reduzir a toxicidade das emissões de gás de escapamentos. Visando uma reforma ambiental, o governo local decidiu beneficiar quem possuía o catalisador e anulou o rodízio de seus carros. Em 2008, a medida concretizou-se: a maior parte dos veículos estava equipado com o dispositivo. Os veículos com catalisador possuem o “selo verde” e podem rodar todos dias. Já os automóveis sem o dispositivo não podem circular em 2 dias da semana (conforme tabela) das 7h30h às 21h. Em casos de “emergência ambiental”, quando a qualidade do ar está muito ruim, o rodízio funciona para 2 finais de placa no dia vigente em carros com ou sem selo verde. A última situação emergencial ocorreu em 18 de junho de 2014, uma quarta-feira, quando os carros com placas terminadas em 9 e 0 ficaram na garagem – se saíssem, sofreriam multa de 63 mil pesos chilenos, ou 246 reais.

O rodízio em Santiago: carros com catalisador não têm restrição

O rodízio em Santiago: carros com catalisador não têm restrição

Pequim (China):
Um dos legados das Olimpíadas de Pequim, em 2008, foi o rodízio. Para combater a produção de gases poluentes, Pequim, a capital da China, implantou a restrição veicular nos 5 dias úteis. Assim como em São Paulo, carros de determinadas placas não podem sair às ruas uma vez por semana. A medida foi benéfica: diminuição de 40% das emissões de gases e melhora no funcionamento do trânsito. Quem trafegar com o carro proibido das 7h às 20h, poderá receber uma multa no valor de 200 iuanes, ou 71 reais. Pequim possui por volta de 5 milhões e 500 mil carros, aproximadamente 1 veículo para 4 moradores.

Bogotá e Medellín (Colômbia):
O rodízio na Colômbia é chamado de “pico y placa”, alusão aos horários em que há mais tráfego e a placa que contém os números não permitidos de circularem pelas ruas do país. O rodízio é diferente para cada cidade. Na capital Bogotá, as placas terminadas em números pares (0,2,4,6,8) não podem circular em dias pares, assim como ocorre com numerais ímpares. Na semana que vem, na segunda (28), quarta (30) e sexta (01), veículos com placas terminadas em ímpar não poderão circular na cidade das 6h às 8h30 e das 15h às 19h30. Dependendo da distribuição dos dias na semana, um veículo pode ficar sem transitar por até 3 dias entre os 5 em que há rodízio – em finais de semana, a circulação é livre. Já em Medellín, todos veículos são impedidos de rodar em 2 dias da semana. Na segunda-feira, as placas terminadas em 6,7,8 e 9 não podem transitar, assim como ocorre com as combinações durante a semana (vide tabela abaixo). Atualmente, a capital Bogotá possui por volta de 1 milhão e 400 mil carros, média de 1 veículo a cada 7 habitantes. O valor da multa por transitar em dia proibido é de 308 mil pesos colombianos, equivalente a 368 reais.

O esquema de rodízio em Medellín, na Colômbia

O esquema de rodízio em Medellín, na Colômbia, tira os carros das ruas dois dias por semana

San José (Costa Rica):
O rodízio chegou a San José, a capital da Costa Rica, em agosto de 2005. O intuito da restrição era reduzir o impacto do aumento do preço do petróleo. Em 2009, depois de 4 anos de uso, o rodízio foi extinto, porém as consequências foram graves: muito congestionamento pelo aumento de 20% de carros ao trânsito. A lei acabou voltando e hoje restringe o uso de carros de determinadas placas somente 1 vez na semana, ou 2 números finais de placas por dia. Das 6h às 19h, a circulação fica proibida em San José. Se o motorista infringir a lei, desembolsará 47 mil cólons, ou 192 reais.

Quito (Equador):
Em maio de 2010, o rodízio foi implantado na capital equatoriana e mostrou resultados. O tráfego de carros caiu cerca de 12% – a implantação da medida visava mesmo a diminuição do trânsito. A proibição de rodagem do automóvel é somente por 1 dia na semana, das 7h às 9h30 e das 16h às 19h30. Em Quito, circulam 445 mil veículos diariamente – média de 1 carro a cada 5 habitantes. Quem infringe a lei paga uma multa de 106 dólares, equivalente a 234 reais.

Atenas (Grécia):
A capital grega foi a primeira cidade que instaurou o rodízio. Em 1979, durante a crise do petróleo, houve restrição de veículos na capital grega para economizar o combustível. A medida foi oficializada em 1982, batizada de “dactylios”, visando diminuir a poluição. Carros com placas terminadas em números pares somente podem circular em dias pares, o mesmo ocorre com placas ímpares.  A restrição funciona de segunda à quinta, das 7h às 20h, e de sexta, das 7h às 15h. Se o motorista for pego dirigindo em dia proibido nos 23km do centro expandido ateniense poderá receber uma multa de 200 euros, ou 596 reais. A “dactylios” não foi eficiente, já que o número de taxistas dobrou e pessoas mais abastadas passaram a comprar o segundo carro. Apesar do preço elevado da multa, a “lei não pegou” em Atenas – raramente guardas multam pelo rodízio.

Trânsito ateniense levou a criação do rodízio

Trânsito ateniense levou a criação do rodízio

Honduras:
O rodízio em Honduras durou apenas 2 dias. A restrição veicular foi implantada para reduzir o consumo de petróleo. A ideia era inovadora: os motoristas escolheriam o dia para manter o carro na garagem e cadastrariam o período escolhido. Os hondurenhos não concordaram com a lei e, no dia seguinte depois da publicação do decreto, protestaram com as luzes do carros acesas durante todo o dia.  A Corte Suprema hondurenha considerou a lei inscontitucional.

Hondurenhos protestam contra a implantação do rodízio

Hondurenhos protestam contra a implantação do rodízio com faróis acesos

Cidade do México (México):
O rodízio de veículos mexicano teve início em 1989, na capital Cidade do México. O programa foi criado apenas para ser aplicado no inverno, depois do período de chuvas, quando as inversões térmicas aumentavam a concentração de partículas contaminantes no ar. Depois do inverno de 1990, passou a ser aplicado em período integral. Conhecido como “Hoy no Circula”, o rodízio na capital mexicana teve uma mudança em julho de 2014. Para fomentar a compra de automóveis novos e diminuir a poluição, o inédito projeto – já em funcionamento – é embasado pelo tempo de circulação de cada veículo. Carros com até 8 anos de rodagem, se tiverem o certificado de revisão, podem circular todos os dias. Já veículos de 9 a 15 anos não poderão circular, além do dia semanal, em dois sábados do mês. Para carros com mais de 15 anos, o uso está proibido em todos sábados e mais um dia da semana. O período de proibição é das 5h às 22h. O governo estima que 560 mil veículos deixaram de rodar por causa da medida. A multa por infringir a lei é de 1614 pesos mexicanos, ou 276 reais.

E em Londres?
Inspirada nos chineses, a Inglaterra estudou implantar o rodízio durante as Olimpíadas de Londres, em 2012, mas a ideia não saiu do papel. Os britânicos possuem o pedágio urbano desde 2003. Das 7h às 18h, durante a semana, os motoristas devem pagar uma taxa de 10 libras, equivalente a 37 reais, para poder trafegar no centro londrino. A medida gerou redução de 30% no congestionamento e crescimento do uso de transportes coletivos. Londres, por enquanto, não planeja adotar o rodízio.

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