Um ano atrás, no dia 6 de julho de 2016, a produtora japonesa Niantic lançou com o maior estardalhaço o game Pokémon Go. A repercussão nos primeiros países a encontrarem o jogo nas lojas virtuais dos smartphones (Japão, Estados Unidos e Austrália foram alguns deles) foi quase imediata e transformou o aplicativo em um fenômeno mundial, que abalou os servidores da companhia responsável. O lançamento nos demais países do mundo foi sucessivamente adiado para que pudesse haver uma estrutura que suportasse a quantidade de jogadores: “É algo que não vai se repetir tão cedo. Não tem nada parecido na história”, decreta Cláudio Prandoni, jornalista de games do UOL e autor do livro “Pokémon Go de A a Z”.

No Brasil, o lançamento oficial se deu no dia 3 de agosto e repetiu o que foi visto no resto do planeta: crianças, adolescentes, adultos e idosos baixaram o aplicativo e as ruas passaram a ficar repletas de “caçadores” atrás dos monstrinhos do jogo. Até o tradicional Parque do Ibirapuera, em São Paulo, se transformou num “pokestop” dos mais cobiçados. Teve quem aproveitou a febre para ganhar dinheiro levando crianças pelas ruas para jogar em segurança e, assim, tranquilizar os pais.

Um ano depois, pouco sobrou da febre do Pokemón Go. O jogo ainda tem um número considerável de jogadores – são cerca de 65 milhões de contas ativas no mundo todo, segundo Prandoni – mas claramente perdeu força: “No mês passado, pela primeira vez o jogo saiu da lista dos 10 mais jogados”, conta Prandoni. Quem segue caçando os monstrinhos está impaciente com a Niantic, que até agora não lançou algumas das novidades prometidas já no trailer do game, como a possibilidade de trocar monstros capturados com outro jogador ou ainda poder enfrentá-lo: “Minha impressão é de que a própria Niantic se espantou com o sucesso do jogo, então demorou algum tempo para conseguir organizar os servidores e corrigir os problemas. A partir de agora essas coisas devem acontecer”, avalia o especialista.

Cláudio Prandoni escreveu “Pokémon Go de A a Z”

Segundo ele, o fato de haver ou não muitos jogadores não interfere na jogabilidade porque a interação com o usuário ainda é bastante tímida: “Uma das funcionalidades recentes tenta dar relevância para a comunidade, mas ainda é pouco”, critica. Com exceção do mercado chinês, conhecido pelas cópias piratas de jogos de sucesso, o mercado de games não teve nenhum lançamento com proposta parecida com a de Pokemón Go, ou seja, de misturar ficção e vida real na experiência do usuário: “Acho que as produtoras estão avaliando o que aconteceu. Claramente tem ali algo que chamou a atenção do público, mas que a Niantic não conseguiu sustentar”, opina.

Como não existem dados sobre a presença do jogo no Brasil, fica difícil saber qual o tamanho da influência que o aplicativo ainda tem no país: “Historicamente o brasileiro joga muito no celular, mas gasta pouco. Então, por mais que seja gratuito, o jogo é muito pesado e exige celulares mais caros para que rode com qualidade”, explica Prandoni.

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