O Brasil vive um das crises políticas mais severas de sua história. Com esquemas de corrupção sendo descobertos e redescobertos quase todas as semanas, os brasileiros assistem indignados às investigações e condenações a políticos e empresários de todas as áreas.  Se a crise não aparece nas músicas de sucesso dos artistas mais tocados do país atualmente, canções antigas com críticas severas a outros momentos delicados de nossa história ainda são bastante atuais. Antônio Míer, criador da página Caçadores da Música Perdida, selecionou algumas delas. Para ouvir basta clicar sobre o nome da canção.

Renato Russo compôs “Que país é esse?” em 1978

Que país é esse? – Renato Russo (1978)

Lembrada frequentemente por quem quer manifestar descontentamento com o país, “Que país é esse?” comandou o terceiro álbum da Legião Urbana e fez sucesso pela crítica ao momento que o país atravessava no final da ditadura militar. “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação” e “Terceiro mundo, se for / Piada no exterior / Mas o Brasil vai ficar rico / Vamos faturar um milhão / Vendendo as almas dos índios num leilão” são os trechos mais famosos.

Reunião de Bacana – Ary do Cavaco e Bebeto di São João (1981)

Popular graças ao refrão “Se gritar pega ladrão / Não fica um, meu irmão”, a música ajudou a projetar o grupo Exporta Samba no início da década de 1980 e foi regravada por outros conjuntos famosos como o Fundo de Quintal e Os Originais do Samba. A estrofe que leva ao famoso refrão não tem meias palavras: “Aqui realmente / Está toda nata / Doutores, senhores / E até magnata / Com a bebedeira / E a discussão / Tirei minha conclusão”.

Malandro é malandro e mané é mané – Bezerra da Silva (2000)

Conhecido pelas letras bem humoradas, o sambista compôs esta exaltação à malandragem cujo refrão mais aclamado é justamente o que dá nome à canção: “Malandro é malandro / E mané é mané / Podes crer que é”.

Cowboy fora da lei – Raul Seixas (1987)

Para criticar o coronelismo e a fragilidade do sistema político brasileiro, Raul Seixas lançou essa música com versos bastante diretos: “Mamãe não quero ser prefeito / Pode ser que eu seja eleito / E alguém pode querer me assassinar” e “Eu não sou besta pra tirar uma de herói / Sou vacinado, eu sou cowboy / Cowboy fora da lei / Durango Kid só existe no gibi / E quem quiser que fique aqui / Entrar pra história é com vocês” são alguns exemplos.

Raul Seixas em “Cowboy fora da lei”

 

Onde está a honestidade? – Noel Rosa (1933)

Para quem acha que a desonestidade dos políticos brasileiros é coisa recente, aí está o samba composto por Noel Rosa em 1933 para comprovar que não é bem assim. “Você tem palacete reluzente / Tem jóias e criados à vontade / Sem ter nenhuma herança nem parente / Só anda de automóvel na cidade / E o povo já pergunta com maldade / Onde está a honestidade?”, questionava o ícone do bairro de Vila Isabel.

O crime compensa – Léo Jaime (1985)

Se a impunidade é tão comum quanto o delito, Léo Jaime já cantava em 1985 que “O que é proibido é bem melhor”. E dizia: “O crime é a maior diversão / O crime compensa e recompensa / O quente é ser eleito sem ser votado / Trocar as etiquetas do supermercado”, em uma referência às eleições indiretas para a presidência da república e à inflação galopante que alterava o preço dos alimentos todos os dias.

 

 

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