Um professor de capoeira de Natal viaja para a Holanda e volta com uma novidade que arrebatará turistas e nativos da capital potiguar. Pode parecer roteiro de história de cordel, mas aconteceu de verdade com Jean Aguiar, 41 anos, que há cinco anos vende uma versão brasileira do stroopwafel, doce holandês hoje já bastante disseminado no país. Aguiar escolheu um nome bem mais simples para batizar a sua receita: Trovo. “Desde que conheci, em 2005, sabia que era um produto diferenciado”, diz. “Resolvi trazer alguns pacotes para amigos quando fui para a Holanda. Nunca pensei que esse biscoito fosse trazer tanta felicidade para as pessoas. Eu ia viajar e me diziam: ‘não quero presente, só os biscoitos holandeses'”.

Stroopwafel é tradição entre os holandeses

A receita original basicamente une duas camadas finas de biscoito em formato de disco por uma espessa camada de caramelo. Como mostram as embalagens da própria Trovo, o doce foi criado na cidade de Gouda em 1784 e se tornou altamente popular nos Países Baixos: “Quando vi a reação das pessoas, percebi que seria uma boa ideia trazer para a nossa cidade”, recorda Aguiar. Em 2011, ele embarcou para o país europeu determinado a fazer cursos e comprar as máquinas necessárias. Assim foi feito e, um ano depois, ele já havia se instalado na feira da Rua João Pessoa, na Cidade Alta, centro de Natal.

Segundo Aguiar, os holandeses são bastante tradicionalistas quando o assunto é stroopwafel: só a versão com caramelo é encontrada nas feiras e mercados. Porém, no Brasil, o empreendedor se permitiu criar muitas outras variações, dentre as quais ele destaca os sabores abacaxi, goiaba, morango, chocolate, Ovomaltine, Nutella e doce de leite: “Fomos absorvendo os pedidos dos clientes e criando novos recheios”, conta ele. Essas variações são responsáveis pelos 10% que fazem do biscoito do Trovo “um produto 90% igual ao que se encontra na Europa”.

Trovo vende o stroopwafel há cinco anos

Uma das cidades brasileiras mais procuradas por turistas estrangeiros, Natal é naturalmente visitada por muitos holandeses. Aguiar garante que eles não costumam se incomodar com a criatividade potiguar na hora de adaptar o stroopwafel: “Eles acham muito parecido”, orgulha-se, ressaltando que não consegue materiais e ingredientes com a mesma qualidade das quais os criadores da receita dispõem. As turistas holandesas Quenda e Berry Van de Groep, por exemplo, tiraram até foto com os funcionários da Trovo.

Quenda e Berry Van de Groep posam junto da funcionária Rosemeire Azevedo: “Elas gostaram muito”

Popular também entre os potiguares, o stroopwafel ganhou o apelido de “biscoito do amor”, por influência de uma cliente que vivia dizendo: “Comeu um, se apaixonou”. “Tem gente que me pergunta se eu coloco alguma coisa viciante no biscoito. É muito legal saber que temos um produto que tanta gente gosta”, finaliza o capoeirista.

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