Quem já precisou guardar um segredo sabe o turbilhão de sentimentos que isso provoca. Quando é um segredo particular ou especialmente relevante existe sempre o medo de ser descoberto. Depois, há o esforço interno para não contar nada a ninguém. A ansiedade é outro efeito colateral. Por causa disso, as confidências são frequentemente associadas a problemas de saúde como depressão, fragilidade emocional e até distúrbios psicológicos. Mas um novo estudo mostra que essa relação pode estar totalmente errada.

Michael Slepian, professor da Columbia Business School, nos Estados Unidos, analisou alguns estudos que encontrou sobre o assunto. Para ele, a grande maioria partia de observações onde as pessoas eram conscientemente orientadas a esconder determinadas informações umas das outras, o que não representaria fielmente o processo de “guardar segredo”. Por isso, ele comandou um outro estudo envolvendo 1 mil pessoas para o Journal of Personality and Social Psicologhy. A ideia era reproduzir todo o contexto: que tipo de segredo foi ocultado, para quem ele foi revelado, quais as condições que fizeram as pessoas abrir o jogo. A conclusão foi a de que grande parte dos distúrbios associados as confidências não possuem uma relação clara com o ato. Ou seja: guardar um segredo não faz tanto mal assim.

Para começar, ele pediu para que cada um dos entrevistados contassem 13 segredos, sendo cinco deles jamais revelados para qualquer outra pessoa. A primeira coisa que o estudo concluiu foi que as pessoas tendem a revelar com mais facilidade segredos banais, como uma mentira contada a outra pessoa. Aqueles que ficam escondidos a sete chaves envolvem geralmente pensamentos extra-conjugais, como o desejo de se relacionar com alguém comprometido ou estando comprometido.

A partir de uma análise mais profunda, os pesquisadores chegaram a conclusões que já entram em confronto com o que geralmente se publica sobre o assunto. A principal delas foi a de que a “ginástica mental” para se manter em silêncio não é tão prejudicial quanto sempre se imaginou. A principal razão é simples: as pessoas costumam pensar sobre suas próprias confidências enquanto estão sozinhas. Em grupo, elas acabam não pensando o tempo todo nisso – e, por isso, não ficam preocupadas que o segredo seja revelado.

Michael Slepian minimizou efeitos negativos de se guardar segredos em estudo (Foto: Divulgação)

Em todo o estudo, Slepian não conseguiu encontrar nenhuma relação entre o exercício de não revelar um segredo e os distúrbios psicológicos frequentemente associados a ele. O único prejuízo de auto-estima que o estudo notou foi nos casos em que a própria pessoa se envergonhava do segredo que guardava. Quem acredita na existência de um “outro eu” (e seria essa uma pessoa pior do que a que se apresenta em público) pode se sentir mal consigo mesmo – em uma escala diretamente proporcional ao número de vezes em que pensa nisso, independentemente da gravidade do assunto.

Segundo Slepian, a receita para não se deixar afetar pela necessidade de guardar um segredo é saber revelá-lo da maneira certa, no tempo certo e para um número controlado de pessoas. Revelar aspectos negativos da própria vida, ao contrário do que as pessoas frequentemente pensam, pode torná-las bem mais autênticas aos olhos dos amigos. “É muito melhor confessar as coisas para quem possa lhe ajudar. Se você pode contar algo a alguém, provavelmente se sentirá melhor”, afirmou Slepian ao site Science of Us.

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