Numa viagem recente a Porto Alegre, descobri um quiosque de uma doceria chamada Royal Trudel. Na verdade, meu nariz me levou até ele. A Royal Trudel foi inaugurada em junho do ano passado em Gramado (RS) e já conta com três unidades na capital gaúcha e mais uma outra em Caxias do Sul (RS). “Tínhamos tentado abrir alguns negócios anteriormente e nenhum deu certo”, narra Patrícia Turmina, que abriu o empreendimento junto com o irmão, Luís. “Nossos pais foram para a Tchéquia, descobriram esse doce e nos sugeriram. Eles sequer sabiam o nome! Foram seis meses pesquisando, adaptando, conversando com pessoas de lá até abrirmos”.

Royal Trudel: expansão no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação)

O “trudel” é um doce romeno que se tornou muito popular no leste europeu. O nome original é “trdlenik”, que vem de “trdlo”, o cabo de madeira onde o pão doce é enrolado para ser assado. Por causa dessa forma de preparo, o trudel tem um “buraco” que pode ganhar recheios dos mais variados – aqui os campeões são Nutella e doce de leite. Fiz um vídeo mostrando como ele é feito. “Algumas pessoas que provaram o trudel europeu disseram que o nosso é um pouco mais fofinho. Lá ele tem um aspecto mais parecido com um biscoito”, explica Patrícia. Para chegar na melhor receita da massa, ela contou com a ajuda da mãe, Ieda. “Ela sempre se deu muito bem na cozinha”, conta.

Diz a lenda que a criação foi na região da Transilvânia. De lá, no século XVIII, ela foi para a Eslovênia e ganhou todo o leste europeu. Hoje, é mais popular na Tchéquia: “Encontrei o trudel em Praga em uma feirinha na praça principal da cidade”, conta o jornalista Edison Veiga. “Também encontrei o doce em frente ao castelo do Conde Drácula, em Bran, na Romênia. Eles não tinham recheio, só que eram cobertos com canela e açúcar ou com chocolate”.

Barraca de trudel em Praga (Foto: Edison Veiga)

Ao contrário do que costuma acontecer com essas receitas em tempos de globalização, o trudel não é encontrado com facilidade em outros lugares do mundo. “Desde que voltamos de viagem, minha mulher ficou obcecada em encontrar esse quitute”, diz Edison. “Chegamos a procurar na Rússia e em vários outros países do leste europeu, mas sem sucesso”.  Porto Alegre, Gramado ou Caxias do Sul são agora a solução.

 

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