O livro de Deuteronômio, no Novo Testamento da Bíblia Sagrada, relata a morte de Moisés durante a peregrinação para a Terra Prometida. Ele reuniu os peregrinos, enviou uma mensagem de despedida e entoou um cântico antes de morrer no alto do Monte Tebo, olhando para Israel. O curioso é que a data da morte é apontada como 7 de adar no calendário judaico, equivalente a 1º de abril no calendário romano. Nesse dia, Moisés estaria completando 120 anos.

O dramaturgo inglês William Shakespeare morreu em 23 de abril de 1616, três dias antes de completar 52 anos em sua certidão de nascimento. Vários relatos, porém, afirmam que ele nasceu também no dia 23 de abril, engrossando assim a lista dos possíveis nomes que morreram no dia do aniversário.

Shakespeare pode ter morrido no dia de seu aniversário

Em alguns casos, no entanto, não resta dúvida. O pintor renascentista italiano Rafael Sanzio morreu em 6 de abril de 1520, dia em que completava 37 anos. O Blog do Curioso listou outras 10 personalidades que também terminaram suas jornadas na terra no dia em que comemoravam o aniversário.

1. Isabel de York (11 de fevereiro, 1466-1503)
A mulher do Rei Henrique VII nunca exerceu grande poder no Império Britânico, mas conseguiu, com seu casamento com Henrique, preservar o domínio da Família Real já que foi a filha única da rainha Isabel e do rei Eduardo, falecido enquanto ela ainda era menina. Isabel teve sete filhos. Logo após o parto de Catarina Tudor, no dia em que completava 37 anos, ela veio a falecer.

2. Rei Henrique I (31 de janeiro, 1512-1580)
O Rei de Portugal e Algarves era também cardeal e tinha um problema sério para a sucessão no trono. Já bastante doente, morreu aos 68 anos cravados, em 31 de janeiro de 1580. Naquele momento havia justamente um congresso para definir a questão sucessória. Ele deixou uma junta de cinco governadores pronta para qualquer eventualidade.

3. São Lourenço (22 de julho, 1559-1619)
O sacerdote napolitano Lorenzo de Brindisi se tornou famoso pelos seus sermões, pela conversão dos judeus e pelas críticas severas ao protestantismo crescente no século XVI. Ele também teve uma atuação política forte, se tornando braço direito do Imperador da Germania durante a tentativa de invasão dos otomanos. Para a própria comunidade napolitana, lutou contra os abusos do vice-rei da Espanha, Pedro Tellez-Girón. E foi justamente durante um encontro com o rei Filipe III em Lisboa que Lorenzo se sentiu mal e faleceu subitamente no dia em que completava 60 anos de vida. Ele foi canonizado em 1881 como São Lourenço.

São Lourenço morreu em Lisboa tentando defender os napolitanos

4. Giuseppina Bozzachi (23 de novembro, 1853-1870)
A bailarina Giuseppina trilhava uma carreira de absoluto sucesso. Aos 16 anos, a italiana já protagonizava a ópera Coppélia, de Léo Delibes. A eclosão da Guerra Franco-Prussiana, no entanto, forçou uma interrupção nas apresentações. Acometida pela varíola e sem condições de se alimentar, ela faleceu no dia em que completava 17 anos e jamais pôde retornar a encenar.

5. Magnus Hirschfeld (14 de maio, 1868-1935)
Apesar de criticado pela teoria hormonal do homossexualismo (que teria gerado o argumento de que seria possível haver uma cura para a homossexualidade), o médico alemão Magnus Hirschfeld é considerado um pioneiro na defesa dos homossexuais. Ele desenvolveu uma teoria sobre o “terceiro sexo” (que seria um “meio do caminho” entre o masculino e o feminino) e liderou um movimento de libertação dos homossexuais. Alguns anos depois, a ascensão nazista culminou em uma repressão violenta aos estudos de Magnus. Sua biblioteca foi incendiada pelos soldados de Adolf Hitler e o médico acabou impedido de voltar à Alemanha. Em 14 de maio de 1935, dia em que completava 67 anos, Hirschfeld foi assassinado por um agente da Gestapo, a polícia secreta do estado nazista, na cidade francesa de Nice. Treze anos depois, um agente da Tropa de Proteção (SS), Rudolf Brandt, foi enforcado após a condenação por crime contra a humanidade no dia 2 de junho de 1948, data em que completava 39 anos.

Dr. Magnus Hirschfeld foi pioneiro na luta em favor dos homossexuais

6. Frederico Carlos da Prússia (6 de abril, 1893-1917)
Príncipe alemão e cavaleiro (chegando inclusive a competir nos Jogos Olímpicos de 1912), ele lutou na Primeira Guerra Mundial. Em um combate na Austrália, Frederico tentou fugir para a linha dos companheiros alemães, mas ficou gravemente ferido e foi capturado pelos australianos. Preso e em condições debilitadas, morreu em 6 de abril de 1917, quando completava 34 anos de idade.

7. Machine Gun Kelly (18 de julho, 1895-1954)
Um dos gângsteres mais famosos da Era das Proibições, ele foi contrabandista e comandou gangues de criminosos. Preso, passou 21 anos no Presídio de Alcatraz. Em 18 de julho de 1954, morreu vítima de infarto em sua casa, no dia em que completou 59 anos.

O criminoso Machine Gun Kelly

8. Manuel Marinho Alves (28 de janeiro, 1926-1961)
Manuel Marinho Alves, o “Maneca”, atuou pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950. Jogou oito anos pelo Vasco e é, até hoje, o 10º maior artilheiro da história do clube. Pendurou as chuteiras em 1957 e enfrentou uma crise de depressão. Em 28 de janeiro de 1961, em vez de comemorar seus 35 anos, Maneca se suicidou tomando cianeto de mercúrio. Ainda foi levado ao Hospital Souza Aguiar, mas não resistiu.

9. Franklin Delano Roosevelt Jr. (17 de agosto, 1914-1988)
O filho do presidente Roosevelt também fez carreira política (foi deputado por Nova York) depois de servir na Segunda Guerra Mundial. Também era advogado e ensaiou uma candidatura fracassada para governador de Nova York. Morreu no dia em que completou 74 anos, vítima de câncer no pulmão.

10. Ernhard Loretan (28 de abril, 1959-2011)
O suíço tinha verdadeira paixão por escaladas. Aos 36 anos, Loretan se tornou a segunda pessoa em todo o mundo a escalar sem oxigênio todas as 14 montanhas com mais de 8 mil metros de altitude. Em 28 de abril de 2011, para comemorar seus 52 anos, durante a subida dos Montes de Gruehorn, na Suíça, ele e a mulher caíram. Ela resistiu. Ele, não. Em 2001, Loretan havia matado acidentalmente o filho pequeno ao sacudi-lo insistentemente para que parasse de chorar.

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