Com o Brasil classificado para a próxima Copa do Mundo, começamos a contagem regressiva para a bola rolar na Rússia a partir do dia 14 de junho de 2018. Até lá, o maior país do mundo em extensão territorial estará no centro das atenções de todo o mundo. E por mais que os russos tenham hábitos bastante diferentes aos nossos, eles também marcam presença no Brasil e comemoram a possibilidade de estreitar os laços com os brasileiros a partir do futebol.

Jacinto Zabolotsky, por exemplo, está animado com a Copa. Ele é presidente da Associação Cultural Russa do Brasil, criada há 25 anos em Campina das Missões (RS). A cidade foi fundada em 1909 por imigrantes russos e é até hoje uma espécie de capital da Rússia no Brasil: “Temos a primeira Igreja Ortodoxa Russa do país e estamos iniciando esse intercâmbio com os brasileiros”, festeja ele. “Em junho levarei a primeira delegação de médicos daqui para Moscou, promovendo assim um intercâmbio da Medicina dos dois países”.

Jacinto Zabolotsky em visita à Praça Vermelha, em Moscou (Foto: Reprodução)

Em São Paulo, o Grupo Cultural Volga mantém na maior cidade do Brasil as tradições do folclore russo. Uma vez por mês, o grupo fundado em 1981 promove a Feira do Leste Europeu na Vila Zelina, na zona leste. Lá, são apresentadas as culturas e tradições não só da Rússia como de vários outros países como Bulgária, Croácia, Lituânia e Eslováquia: “Nossa expectativa é de que as pessoas conheçam a cultura e a hospitalidade do nosso povo”, afirma o organizador Victor Gers Júnior. “À medida que a Copa vai se aproximando, a procura aumenta. Muita gente quer saber das tradições, que lugar deve conhecer quando for viajar… Estamos muito animados”.

Grupo Volga faz apresentações de dança e folclore russos (Foto: Divulgação)

Viajar para Rússia, aliás, faz parte do dia-a-dia de Sérgio Palamarczuk. Aos 65 anos, ele comanda desde 1999 a Slavian Tour, agência de viagens do Rio de Janeiro especializada em pacotes para o leste europeu. Ele ainda não sabe se oferecerá pacotes especiais para a Copa, mas acredita que o interesse pelo Mundial pode motivar algumas pessoas a conhecerem o país entre os jogos: “Os roteiros mais comuns envolvem Moscou e São Petersburgo, mas muita gente tem procurado conhecer o “Anel de Ouro” (roteiro de cidades históricas) ou esticar a viagem para outros países da Escandinávia”, afirma. Segundo ele, o estereótipo da Rússia ortodoxa não representa a diversidade religiosa do país: “Você tem cidades como Kazan que possuem forte influência muçulmana e outras tantas com presença judaica”, conta.

O idioma, de imediato um dos maiores temores para os brasileiros que pretendem se aventurar pelo país, não é um empecilho tão grande assim: “Eu explico para as pessoas que os sons de quase todas as letras do cirílico são muito parecidos com os do alfabeto latino. O que resta de diferente é fácil pra decorar. É uma orientação simples para que o turista possa interpretar uma placa na estação do metrô ou no trânsito”, afirma Palamarczuk.

Suzdal, uma das cidades históricas do “Anel de Ouro”

Quem pretende adquirir uma maior familiaridade com o idioma antes de partir para a capital do futebol mundial até 2018 pode apelar para o Clube Eslavo. Apesar da sede estar em São Paulo, qualquer um pode desfrutar das aulas de russo por meio do Skype. “Desde 2016 tenho sido procurada por pessoas que querem aprender a falar russo por causa da Copa. Alguns frequentam as aulas regulares, outros aparecem apenas nos encontros de conversação que fazemos uma vez por mês”, explica a professora Snizhana Maznova, criadora do curso.

O Clube Eslavo conta com oito professores: Snizhana, a fundadora, está sentada ao centro (Foto: Divulgação)

Apesar da euforia geral pela oportunidade de sediar um evento tão importante, os membros da “Rússia brasileira” são contidos. Snizhana, por exemplo, faz questão de registrar que não haverá a empolgação demonstrada pelos brasileiros em 2014: “É claro que estão todos orgulhosos, mas os russos não são tão fãs de futebol e nunca apresentam esse entusiasmo que vemos no Brasil”. Já Sérgio Palamarczuk não espera uma explosão de vendas de pacotes da Slavian Tour: “Há um paradoxo no turismo: os estudos mostram que depois de um evento como esse um país, ao contrário do que as pessoas pensam, demora de dois a três anos para recuperar o patamar de turistas que tinha antes”.

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