Um dos grandes símbolos da cidade de São Paulo, o relógio construído no topo do Conjunto Nacional tem muita história para contar. Alimentado por um satélite que lhe oferece a hora exata e por um sensor colocado na Alameda Santos que lhe dá a temperatura do momento, ele pode ser visto a 27 quilômetros de distância. Os dois mil metros quadrados reservados para publicidade se tornaram, desde o início, um dos outdoors mais cobiçados da cidade. Hoje, ele funciona com todos os custos bancados pelo próprio Conjunto Nacional e a administração do prédio trabalha para promover mudanças em sua estrutura: “Estão sendo feitos estudos técnicos para adaptar a estrutura existente às novas técnicas para instalação de um painel de LED, uma vez que a antiga instalação de neon não é mais viável”, informou a assessoria de imprensa do local.

O relógio foi construído na cobertura do Conjunto Nacional em 1962, ano em que o projeto do prédio, inaugurado em 1955, foi concluído. O relógio luminoso de 2.800 lâmpadas incandescentes de 150 watts cada foi projetado por João Paulo Caponi com desenvolvimento do engenheiro eletrônico Paul Bulttazi. À época, a Aero-Willys, empresa automotiva, comprou o espaço e exibiu a marca ao lado do horário – o alcance era de 12 quilômetros.

A Aero-Willys foi a primeira empresa a estampar o relógio do Conjunto Nacional. (Foto: Reprodução)

Cinco anos depois, em 1967, a empresa foi comprada pela Ford e, consequentemente, o letreiro também foi modificado. Lá a Ford ficou por nove anos quando perdeu a concorrência para o Itaú, em 1976. A exemplo do que já acontecia com as duas marcas que haviam passado por ali, o banco arcou também com os custos de manutenção, além do pagamento de taxa de publicidade. Em 1986, foi feita uma grande reforma que substituiu as lâmpadas incandescentes por seis quilômetros de tubo de néon branco. Além disso, ao longo dos 90 dias de reforma, os interruptores eletromecânicos foram substituídos por dois computadores que passaram a controlar o relógio.

A história do letreiro que se consolidou como uma grande marca da cidade mudou radicalmente a partir de 2007, quando entrou em vigor na cidade de São Paulo a Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors publicitários no município. Como o relógio havia sido tombado dois anos antes pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, o Itaú chegou a solicitar o tombamento também do espaço publicitário. A área é tombada, mas a publicidade específica de qualquer marca não. Ou seja: a exposição da marca seguiu infringindo a Lei Cidade Limpa.

Por causa disso, a prefeitura havia dado um prazo (até o dia 18 de julho de 2007) para que a marca do banco fosse retirada. A administração do Conjunto Nacional, no entanto, fez valer o contrato com o Itaú e exigiu que a marca continuasse não apenas tomando conta do relógio (a cada dois anos, é preciso fazer a manutenção dos equipamentos a um custo de aproximadamente R$ 2,5 milhões) como também mantivesse o pagamento de R$ 300 mil mensais acordados para a publicidade.

O Itaú tirou sua marca em 2011 (acima) e hoje os custos do relógio são bancados pelo Conjunto Nacional

Esses custos se somaram ainda às multas aplicadas pela prefeitura. Até 2011, quando o Itaú enfim conseguiu retirar o letreiro, depois de mover ação para rescisão de contrato, foram quase R$ 15 milhões dados à prefeitura. No entanto, como o condomínio se julgava incapaz de arcar com os custos do relógio, o Itaú seguiu responsável pela administração e o relógio continuou funcionando até que a Justiça enfim tirasse do banco essa responsabilidade. Ainda assim, a administração do Conjunto Nacional esclarece via assessoria que o relógio “nunca foi desligado”.

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