A Operação Lava-Jato completa três anos amanhã. Tida como a maior investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil, ela tem números impressionantes: são, até agora, 37 fases, 752 mandados de busca e apreensão, 84 prisões preventivas, 260 inquéritos policiais, 2,4 bilhões de reais bloqueados ou apreendidos e 745 milhões de reais repatriados.

Diante da grandeza da operação, muita gente até esquece de como tudo começou. Curiosamente, a investigação que tem tirado o sono de  políticos e empresários nos últimos três anos começou tendo como alvo um modesto e movimentado posto de gasolina 24 horas na asa sul de Brasília. O Posto da Torre, que opera sob o guarda-chuva da rede de postos Ale, era comandado por Carlos Abib Chater.

O empresário teve seu telefone grampeado por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e, nas conversas, o Ministério Público descobriu um grande esquema de lavagem de dinheiro feito a partir do posto. Entre os seus principais parceiros estava Alberto Yousseff, doleiro investigado desde 2008. Foi a partir da doação de uma Land Rover de Yousseff para o diretor geral da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que a Lava-Jato atingiu a maior estatal do país.

Posto da Torre faz parte da rede de postos Ale (Foto: Google)

Em maio de 2015, Chater foi condenado a quatro anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro e segue cumprindo a pena na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, já que ele tinha ligação com outros negócios escusos na capital paranaense. Ironicamente, além de uma loja de conveniência, uma lavanderia também faz parte do Posto da Torre. Ela funciona das 7h às 22h nos dias de semana e das 8h às 20h aos sábados e domingos. Apesar da inspiração para o nome da operação, o posto não conta com nenhum lava-jato.

Entre os muitos clientes que passam por uma região bastante importante da cidade estão os próprios políticos, já que o posto fica a apenas 4 quilômetros do Congresso Nacional, sendo um dos mais próximos à casa da legislatura no país. Atualmente, o litro da gasolina comum no Posto da Torre sai a R$ 3,42 (abaixo do preço médio de R$ 3,56 no Distrito Federal, segundo os dados da Agência Nacional de Petróleo).

Os 6 mil reais dos quais os deputados dispõem como cota mensal para combustíveis e lubrificantes (dentro de uma cota maior para gastos em geral, que varia de 30 mil a 44 mil de acordo com a distância do estado pelo qual o deputado foi eleito até Brasília) permitem a compra de 1.750 litros de gasolina comum no Posto da Torre. O suficiente para encher o tanque do Hyundai Azera usado pelo presidente da casa, Rodrigo Maia, 25 vezes, e com os quais ele poderia andar 23.275 quilômetros. É uma distância equivalente a dez viagens de ida e volta de Brasília para o Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral.

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