Paris é sinônimo de beleza, história e romantismo. Mas, longe das telas de cinema ou dos romances literários, a realidade da capital francesa também guarda algumas particularidades menos atrativas: uma delas, e que se transformou em um problema ao longo das décadas, é o desagradável cheiro de urina exalado em parte de suas ruas. Lembro que, em minha primeira viagem a Paris, em 1986, cheguei a tirar foto de uma placa “Défense d’Uriner” (Proibido Urinar) em uma rua de bastante movimento. Muitos desses avisos continuam por lá.

Placa de 1986 mostra que o problema dos franceses com a urina é antigo

Se o odor desagrada os turistas, para os nativos sempre foi um problema ainda maior. As placas de “proibido urinar” foram se multiplicando ao longo dos anos, enquanto o poder público tentava tomar atitudes para coibir a prática. O problema parece não ter fim. Jardins e calçadas, públicas ou particulares, seguem servindo de mictório para os menos educados. E depois de décadas em guerra contra a urina, os parisienses agora podem se aproveitar dessa necessidade fisiológica para algo positivo, transformando-a em fertilizante.

Uritrottoir quer “civilizar o xixi”

O projeto “Uritrottoir (junção das palavras “urine”, que quer dizer “urina”, e “trottoir”, “calçada”) foi lançado na Feira de Lyon e tem o sugestivo slogan “Civiliser les pipis”, que pode ser traduzido como “Civilize o xixi”. “Incomodado com os xixis selvagens? Um mini-mictório, que pode ser facilmente instalado, secará os locais públicos menos respeitados. Entre em contato e mantenha-os esvaziados!”, promete o site criado pela Faltazi, especializada em ecodesign.

Os mictórios são vendidos em três tamanhos, que comportam de 110 a 240 litros de urina (o equivalente a 275 e 600 “visitas”, respectivamente). Eles contam com um fundo forrado de matéria seca. Segundo os produtores, esse fundo armazena a urina e, depois de um ano, a transforma em adubo para ser usado normalmente no jardim. “Para uma melhor integração com a paisagem, o Uritrottoir tem um jardim de flores que irá embelezar seu espaço”, garante a Faltazi.

Uritrottoir instalado em Paris (Foto: Divulgação)

A empresa disponibilizará ainda um serviço para realizar a manutenção e reposição dos materiais. Não se trata, porém, de uma novidade acessível para qualquer um que tenha esse problema em suas calçadas: em média, o Uritrottoir deve custar em torno de 3 mil euros (cerca de 9,8 mil reais). Por isso, eles devem ser vistos apenas em locais públicos de grande circulação

Pensando nas zonas rurais, a Faltazi lançou também o Uritonnoir, que usa palha de carbono para gerar estrume a partir da urina e, assim, adubar legumes e vegetais. E sai bem mais em conta: 20 euros (equivalente a 65 reais).

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