Anchieta – Foi em 25 de janeiro de 1554 que um grupo de padres liderado pelo jesuíta José de Anchieta fundou no Planalto de Piratininga, o Colégio de São Paulo. O ato é considerado o marco da fundação da cidade de São Paulo, que naquele momento tinha cerca de 130 pessoas. Hoje, Anchieta é nome de rua (uma em Santo Amaro e outra na Sé), da rodovia que liga a capital à Baixada Santista e da fundação que abriga a TV Cultura.

Bandeirantes – Os exploradores que desbravaram o interior do Brasil em missões patrocinadas ganharam uma homenagem em um dos maiores cartões postais da cidade: o Monumento às Bandeiras, em frente ao Parque do Ibirapuera, conhecido popularmente como “Empurra-Empurra” ou “Deixa-Que-Eu-Empurro”.  A obra do artista Victor Brecheret foi inaugurada em 1953 como parte das comemorações do IV Centenário da cidade. Tem 50 metros de comprimento e 16 metros de altura. Em Santo Amaro, há uma polêmica estátua reproduzindo um bandeirante famoso: Borba Gato.  Ela levou seis anos para ficar pronta e foi inaugurada em 27 de janeiro de 1963. A obra do escultor Júlio Guerra tem 13 metros (considerando os 3 metros de pedestal) e pesa 40 toneladas.

O monumento de Victor Brecheret faz homenagem aos bandeirantes

Congonhas – O primeiro aeroporto civil do Brasil foi inaugurado em São Paulo em 12 de abril de 1936. Hoje ele já não é o mais movimentado aeroporto do país, mas ainda recebe mais de 750 mil voos domésticos por ano (os voos internacionais são exclusivos de Viracopos, em Campinas, e Cumbica, em Guarulhos, desde 1985). Falando em aviação, o Campo de Marte é outro ícone da cidade. Em operação desde 1925, hoje não abriga mais voos comerciais, mas é um dos mais antigos pontos de pouso e decolagem de aviões no país. Ali perto está a Praça Campo de Bagatelle, homônima da praça de Paris onde o 14-Bis fez sua primeira aparição pública. Uma réplica do invento de Santos Dumont está no local.

Demônios da Garoa – Dentre os muitos grupos que cantaram a cidade de São Paulo, nenhum conseguiu representar tão bem a Terra da Garoa quanto os Demônios da Garoa. Nasceu em 1943 com o nome de “Grupo do Luar”, mas mudou de nome por sugestão do radialista Vicente Leporace. Quando começaram uma parceria com Adoniran Barbosa, em 1949, os Demônios emplacaram vários hinos que marcam o paulistano. O “Trem das Onze”, a “Saudosa Maloca”, o “Samba do Arnesto”… Muitos cenários da cidade retratados com o português enrolado tão comum em São Paulo. Se Adoniran e os Demônios eternizaram uma São Paulo antiga, os problemas contemporâneos da periferia e a cruel realidades dos presídios ganharam projeção nacional nos raps de Mano Brown, Emicida, Rappin Hood, dentre tantos outros.

Esperia – Fundado em 1899, o Clube Esperia é um dos símbolos da história dos clubes sociais em São Paulo. Não só por ser um dos mais antigos, mas também por sua localização, às margens do Rio Tietê. Era ali no rio, ainda muito longe da poluição pela qual é famoso atualmente, que aconteciam as competições de remo, febre da época e sobre as quais grande parte dos clubes cresceram. A presença de imigrantes também se reproduz em tantos outros clubes da cidade, o que muitas vezes fica claro já no nome – casos do Sírio, do Germânia (que depois virou Pinheiros), do Monte Líbano e do Hebraica. Fechando o grupo dos títulos mais cobiçados da cidade aparece o Paulistano.

Livro reúne 1.000 endereços curiosos de São Paulo

Fórmula 1 – Um dos principais eventos no calendário da cidade, o GP do Brasil de Fórmula 1 chegou ao Autódromo de Interlagos em 1972 e lá ficou até 1980. No ano seguinte, se transferiu para o Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Sem o evento, Interlagos, inaugurado em 1940, passou por maus bocados e foi recuperado pela então prefeita Luiza Erundina no final da década de 1980, voltando a abrigar a prova em 1990. Depois de sucessivas reformas, o Autódromo José Carlos Pace  (homenagem ao piloto paulistano falecido em 1977) segue abrigando a corrida, além de diversas categorias de automobilismo nacional e festivais musicais como o Lollapalooza. Ao longo das últimas décadas, Interlagos recebeu até mesmo desfiles de escolas de samba das divisões inferiores. A mistura entre samba e velocidade se fez presente também na São Paulo Indy 300, a etapa de São Paulo da Fórmula Indy realizada entre 2010 e 2013 em um circuito cuja reta final era a pista do Sambódromo do Anhembi. É de São Paulo, também, o maior piloto brasileiro de Fórmula 1 da história: o tricampeão mundial Ayrton Senna. Outros paulistanos de sucesso na categoria são Rubens Barrichello e Felipe Massa.

Ayrton Senna comemora vitória no GP do Brasil, um dos maiores eventos da cidade

Gula – Uma das capitais mundiais da gastronomia, São Paulo tem 15 mil restaurantes (é a segunda maior marca do mundo), 20 mil bares, 3,2 mil padarias e 4,5 mil pizzarias. A pizza é a paixão do paulistano. São consumidas cerca de 1 milhão delas todos os dias em São Paulo. Dentro de casa, também se come bastante. A CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) movimenta cerca de 240 mil toneladas de alimentos todos os meses. O Mercado Municipal mistura as duas coisas: as barracas de frutas, verduras, laticínio e frios fazem sucesso entre aqueles que procuram produtos de qualidade para o dia-a-dia. No entanto, quem quer fazer uma refeição ali mesmo se esbalda com os famosos pastéis de bacalhau e os sanduíches gigantes de mortadela. Em 2014, a cidade contava ainda com 871 feiras livres.

Hipódromo – São Paulo teve o primeiro hipódromo do Brasil. Foi inaugurado em março de 1875 como Club de Corridas Paulistano. Em 1941, justamente no dia do aniversário da cidade, o Jockey Club se transferiu para o atual endereço, no bairro Cidade Jardim. Hoje, as corridas são transmitidas ao vivo pelo YouTube e as apostas podem ser feitas pela internet.

Ipiranga – O marco da Independência brasileira, proclamada em 7 de setembro de 1822, aconteceu às margens do Riacho do Ipiranga, onde hoje está o bairro de mesmo nome. Foi ali que D. Pedro I bradou “Independência ou morte”. A região foi transformada em um Parque da Independência e ali foi construído o Museu do Ipiranga, com um vasto acervo de objetos e documentos do período histórico.

Riacho do Ipiranga: como um inexpressivo riozinho entrou para a história do Brasil

Em 2013, o Governo do Estado fechou o museu para uma reforma, mas as obras estão em ritmo lento e a reinauguração está marcada para 2022, ano do bicentenário da Independência. Outros centros culturais da cidade, como a Estação de Ciência da Lapa e o Museu da Língua Portuguesa (este fechado após um incêndio), vivem a mesma situação. Enquanto isso, o paulistano pode aproveitar outros espaços como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu Catavento, o Museu de Arte Moderna, a Pinacoteca, o Museu do Futebol, o Museu da Imigração e o Museu da Arte Contemporânea, entre tantos outros.

Com obras em ritmo lento, Museu do Ipiranga só deverá reabrir em 2022

Javari – O Estádio Conde Rodolfo Crespi é conhecido por todos como a Rua Javari, casa do Juventus, da Mooca, e marca maior do contraste entre o futebol do presente e do passado. Hoje, os grandes clubes contam com arenas modernas como a de Itaquera, do Corinthians, e o Allianz Parque, do Palmeiras, mas ali a banda ainda toca de um jeito diferente: a Rua Javari se transformou em atração turística graças ao charme que adquiriu pela resistência, principalmente dos torcedores, ao que se chama de “elitização”. Os cannoli vendidos no intervalo viraram atração. Foi ali que Pelé fez um dos seus mais famosos gols (e que lhe rendeu um busto na entrada do estádio) – e também um dos mais emblemáticos, já que ninguém filmou. O futebol volta ao passado também na Barra Funda, onde está o Estácio Nicolau Alayon, do Nacional, segue firme e forte formando o triângulo das chuteiras com os CTs de São Paulo e Palmeiras. O Nacional é o atual nome do SPR (São Paulo Railway), time que disputou a primeira partida de futebol no país, na Várzea do Carmo, em 14 de abril de 1895.

Endereços desconhecidos em São Paulo guardam a história do futebol brasileiro

Karaokê – A história da Imigração Japonesa em São Paulo começa em 1908. Durante as duas grandes guerras mundiais, os japoneses imigraram em massa para a capital paulista. Os orientais estão por toda a parte, mas se concentram especialmente no bairro da Liberdade e nos comércios da Rua 25 de Março. Foi na Liberdade, a partir da década de 1970, que a moda do karaokê, importada do Japão, começou a se espalhar por São Paulo. É a maior colônia japonesa do mundo fora do Japão. Por aqui, a força do trabalho e as rígidas regras de convivência deram origem a um grande número de comércios tocados por orientais. Alguns deles sacudiram a cidade, como foi o caso dos Supermercados Yaohan.

Luz – A Estação da Luz é um marco da história do transporte público em São Paulo. Foi inaugurada em 1867 como ponto de parada dos trens vindos de outras cidades para a capital. Com a perda de importância do transporte ferroviário, o local se tornou obsoleto após um grande incêndio na década de 1940. A partir de 1975, no entanto, passou a fazer parte do dia-a-dia do paulistano como uma estação de metrô. Hoje, a Luz passa por duas das quatro linhas de metrô e por duas das seis linhas de trem da cidade. Também na região ficava o primeiro Terminal Rodoviário da Cidade, que foi inaugurado em 1961. A Rodoviária da Luz funcionou até 1982, quando foi inaugurada a Rodoviária do Tietê, até hoje a mais movimentada do Brasil. O Terminal Intermunicipal da Barra Funda (1988) completa a lista. Falando em ônibus, os paulistanos dispõem de 96 linhas urbanas que cortam toda a cidade.

Estação da Luz integra duas linhas de metrô e duas de trem

Matarazzo – Uma das mais famosas famílias de São Paulo, os Matarazzo deixaram sua marca em todos os cantos da cidade. O edifício da prefeitura, por exemplo, leva o nome da família que pode ser considerada um marco de dois movimentos históricos: o primeiro, o crescimento da Avenida Paulista, onde os Matarazzo ergueram uma mansão (hoje, o Shopping Cidade de São Paulo funciona ali) dentre as muitas que fizeram a avenida ganhar fama; depois, carregam no sangue a veia italiana que aflorou de maneira marcante na maior cidade do país. Francisco Matarazzo chegou à São Paulo vindo da Itália em 1882, um pouco antes da explosão de imigrantes italianos. Dentre os muitos bairros italianos da cidade, o mais famoso deles é o Bixiga. Tomado por cantinas, pizzarias e por festas como a da Nossa Senhora da Achiropita, ele é o reduto italianíssimo da cidade.

Nordeste – São Paulo é considerada a “Capital do Nordeste”. É na maior cidade do país que muitos nordestinos enxergam a oportunidade de uma vida melhor. Com maior oferta de empregos e qualidade de vida, São Paulo virou um sonho para muitos deles. Dessa forma, as marcas do Nordeste são vistas na cidade o tempo todo. Não só pela grande oferta de mão de obra, como pela música e pela culinária. O Centro de Tradições Nordestinas virou atração turística. Embora muitas vezes sofram preconceito por sua origem, os nordestinos também são constantemente exaltados por quem reconhece sua importância para São Paulo. No Carnaval deste ano, por exemplo, cinco das 14 escolas de samba do Grupo Especial iráo homenagear, direta ou indiretamente, essa região do Brasil em seus enredos.

Ópera – O Theatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 1911 com uma apresentação de “O Guarani”, de Carlos Gomes. Uma década depois, foi um dos palcos da transformação cultural do país através do movimento modernista que explodiu com a Semana de Arte Moderna de 1922 – que tinha entre os seus expoentes o maestro Heitor Villa-Lobos. Nas décadas seguintes, o Theatro foi palco de muitas das grandes óperas do mundo como “Hamlet”, de Ambroise Thomas, e “Aída”, de Giuseppe Verdi. A última das várias reformas pela qual passou foi concluída em 2011. São Paulo conta ainda com mais de 300 teatros que apresentam cerca de 600 espetáculos por ano.

Theatro Municipal foi reinaugurado em 2011 em mais uma de tantas reformas

Person – São Paulo deu música, São Paulo recebe as artes… e São Paulo está nas telonas. Em 1965, o cineasta Luis Sérgio Person usou a frieza e o cinza da cidade para aumentar a carga dramática de seu filme, “São Paulo Sociedade Anônima”. A película é recheada de diálogos onde fica claro o contraste entre o crescimento cada vez mais insano da cidade e o saudosismo dos habitantes que não conseguiram acompanhar esse ritmo. De lá para cá, muitos outros filmes fizeram dos vários cantos de São Paulo os protagonistas de suas histórias – “Carandiru”, “Durval Discos”, “Linha de Passe”, “Ensaio sobre a Cegueira”, dentre outros. São Paulo conta hoje com 282 salas de cinema. A primeira surgiu em 1927 no Cine São Bento. Pouco tempo depois surgiram o Cine Teatro Oberdan e o Cine Alhambra. A cidade teve até os antigos autocines, nos quais se assistiam às películas de dentro dos carros. Um dos mais emblemáticos, o Auto Cine Chaparral foi inaugurado em 1971 e funcionou até 1986.

Carlos, interpretado por Walmor Chagas: protagonista de “São Paulo, Sociedade Anônima”

Quermesse – A imigração vinda de todos os cantos do mundo provocou também uma grande diversidade religiosa em São Paulo. A cidade conta com mesquitas judaicas, terreiros de umbanda, casas de candomblé, centros para os espíritas e tem alguns dos templos religiosos mais famosos do país como o Templo de Salomão, da Igreja Universal (evangélica) e o Solo Sagrado da Igreja Messiânica em Guarapiranga. Os católicos, porém, ainda são maioria. A Catedral da Sé e o Mosteiro de São Bento são alguns dos endereços mais emblemáticos para os paulistanos que seguem esta religião. Outra tradição ainda em alta na cidade é a das quermesses no mês de junho, com destaque para as da Portuguesa e da Igreja do Calvário, em Pinheiros. São Paulo tem muita tradição também em festas de ruas, como a de San Gennaro, na igreja homônima da Mooca.

Relógio – Dizem que o paulistano está sempre apressado e que São Paulo nunca dorme. Por essas e outras é que a cidade tem relógios que são verdadeiros patrimônios históricos, como os das fachadas do estádio do Pacaembu e da igreja Nossa Senhora do Brasil. Tem também o da Estação da Luz, o relógio de flores da Praça Panamericana e o relógio do Conjunto Nacional – que já foi o “relógio da Aero-Willys”, o “relógio da Ford” e o “relógio do Itaú” (hoje, procura por um patrocinador). Inaugurado em 1975, o Museu do Relógio Professor Dimas de Melo Pimenta, no bairro da Vila Leopoldina, tem um acervo com 650 peças.

O relógio do Conjunto Nacional estampou as marcas de Aero-Wyllis, Ford e Itaú e hoje procura por um patrocinador.

Shoppings – Definitivamente, ir ao shopping é um dos programas preferidos do paulistano. Hoje, são 53 deles na cidade. O primeiro foi o Iguatemi, inaugurado em novembro de 1966. Até hoje o local tem o metro quadrado mais caro do país. Se no início a função era reunir em um mesmo prédio os comércios que faziam parte do dia-a-dia dos moradores da região, hoje eles atraem lojas de grife internacionais, restaurantes da alta gastronomia e cinemas dos mais modernos.

Tietê – O rio que já foi palco de competições de remo virou sinônimo de poluição e uma tremenda dor de cabeça para os governantes. Os alagamentos na Marginal já não são mais tão comuns, mas o trânsito segue caótico. Agora, a via é o centro da discussão a respeito dos limites de velocidade. Um problema que se estende por outras marginais vitais para a cidade, como a do Rio Pinheiros.

Universo – São Paulo conta com três observatórios astronômicos e dois planetários. O mais famoso local para o estudo do universo na cidade é o Planetário Professor Aristóteles Orsini, no Parque do Ibirapuera. O Parque, aliás, é outro dos cartões postais preferidos do paulistano. Inaugurado em 1954 para celebrar o IV Centenário da cidade, tem 150 mil metros quadrados e abriga a Bienal da Arte.

60 curiosidades sobre o Parque do Ibirapuera

Vale do Anhangabaú – É outro dos endereços emblemáticos para compreender a cidade de São Paulo. O projeto de urbanização da região começou em 1877 a partir da construção do Viaduto do Chá, que só ficaria pronto em 1892. Hoje, tem uma enorme passarela ligando os dois lados do Vale e por baixo da qual passam os carros. O espaço amplo faz com que o local seja cobiçado para grandes reuniões populares. Na Copa do Mundo de 2014, por exemplo, foi instalada ali a Fifa Fan Fest, onde os torcedores que não tinham como estar nos estádios se aglomeravam para acompanhar as partidas. Mas a grande reunião popular no Vale do Anhangabaú se deu em 1984, quando mais de 1 milhão de pessoas compareceram aos comícios das Diretas Já, como ficou conhecido o movimento por eleições diretas no país. A multidão foi comandada pelo locutor esportivo Osmar Santos, que depois de consagrada carreira como narrador entrou para a história como “A voz das diretas”.

O Vale do Anhangabaú tomado no discurso pelas Diretas Já

Waldomiro Zarzur – O engenheiro Waldomiro Zarzur (1922-2013) construiu o maior edifício de São Paulo. O prédio de 51 andares e 170 metros foi inaugurado em 1966, depois de seis anos de obras. Recebeu inicialmente o nome de “Palácio Zarzur & Kogan” (Aron Kogan foi o outro engenheiro responsável). O nome mudou para “Palácio W. Zarzur”, depois “Mirante do Vale” (o mais popular) e voltou a ser “Palácio W. Zarzur”. Fica ao lado do Viaduto Santa Ifigênia, no Anhangabaú, e está na lista de edifícios mais importantes do centro, ao lado do Altino Arantes (1947, 161 metros), do Itália (1965, 165 metros), do Martinelli (1934, 130 metros) e do Copan (anos 1960, 140 metros).

X-Tudo – As crianças paulistanas das décadas de 1980 e 1990 cresceram na companhia de produtos infantis de sucesso da TV Cultura, como os programas “Rá-Tim-Bum” e “Castelo Rá-Tim-Bum”. Uma exposição sobre o Castelo levou 410 mil visitantes ao MIS entre julho de 2014 e janeiro de 2015. Um dos mais emblemáticos foi o “X-Tudo”, que entrou no ar em 1992. O programa tinha um boneco chamado “X”, que passava informações curtas e rápidas com temas e linguagem muito próxima dos jovens da época. Outro produto bastante lembrado pelas crianças foi “O Mundo da Lua”. Até hoje a casa que serviu de fachada para as aventuras da família do garoto Lucas Silva e Silva recebe visitantes. Ela fica na Rua Zapará, no Alto de Pinheiros.

Yamamura – A loja de lustres está na Rua da Consolação há 45 anos. Embora seja a de maior destaque, tem a concorrência de dezenas de outras lojas de iluminação que atuam no ramo. É outra das tendências da cidade de São Paulo: a concentração de comércios semelhantes em uma mesma via. Calcula-se que existam 60 ruas e avenidas especializadas em algum tipo de produto de serviço. Além da Consolação, outras muito badaladas são a Santa Ifigênia (eletrônicos), a São Caetano (vestidos de noivas), a Teodoro Sampaio (móveis e instrumentos musicais), a Tabatinguera (essências para perfumes), a Paula Sousa (equipamento para bares, hotéis e restaurantes) e a Europa (carros importados).

A Império de Casa Verde é a atual campeã do Carnaval de São Paulo

Ziriguidum – Chamado de “túmulo do samba” por Vinicius de Moraes, o município tem um Carnaval de longa tradição. As primeiras escolas de samba surgiram na década de 1920, um pouco antes do nascimento do tradicional Vai-Vai (à época ainda um cordão) em 1/1/1930. Os desfiles foram oficializados pelo prefeito Faria Lima (carioca de Vila Isabel) em 1956. Em 1972, o próprio Vai-Vai e o Camisa Verde e Branco foram convidados a se tornar escolas de samba, pondo fim a era dos cordões. Além destas, escolas como  Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro também fizeram história nos desfiles nas Avenidas São João (até 1977) e Tiradentes (até 1990). O Sambódromo do Anhembi foi inaugurado em 1991 e viu nascer novas potências como X-9 Paulistana, Gaviões da Fiel e Império de Casa Verde. Em 2017, serão 70 escolas de samba desfilando em seis grupos – 14 delas no principal deles e outras 20 nos dois primeiros grupos de acesso que desfilam no Anhembi. Nos últimos anos, a prefeitura recuperou a tradição dos blocos de rua – são 495 deles cadastrados para este ano.

(Com reportagem de Leonardo Dahi)

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