Vai ser o meu novo livro de cabeceira…  Se a balança deixasse, eu comeria pizza todos os dias. É o meu prato preferido. Já comi pizza em todos os países que conheci. Procurei por uma pizzaria até em Doha, capital do Catar, numa viagem em 1986. Foi uma das piores que já experimentei. É que naquela época não existia essa verdadeira bíblia para os amantes da redonda. Where To Eat Pizza (Onde Comer Pizza) será lançado agora no final de abril nos Estados Unidos e na Europa. São 1 705 pizzarias espalhadas por 48 países do mundo, selecionadas pelo crítico gastronômico inglês Daniel Young. A ideia é celebrar a pizza mundialmente levando em consideração suas variações culturais e regionais. “Não quero comparar as pizzarias de São Francisco com as de São Paulo… Longe disso!”, afirmou o autor em entrevista do Blog do Curioso.

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Traçar uma rota pizzanômica em tantos lugares diferentes não foi uma missão para uma única pessoa. Young teve a ajuda de 121 “experts” – título atribuído por ele a seus colaboradores regionais -, que cuidaram de escolher 956 jurados. “Escolhi experts que demonstravam paixão e entendimento pela pizza”, explicou ele. “Além disso, precisava de pessoas conhecidas no meio e com contatos que também pudessem me ajudar nessa missão”.

No Brasil, Young escolheu cinco especialistas: Ailin Aleixo, do blog Gastrolândia, em São Paulo; Juarez Becoza, do blog “A volta ao mundo em 80 bares”, no Rio de Janeiro; Silvana Azevedo, do blog Resenha de Mercado, em Brasília; e Diego Fabris e Lela Zaniol, do blog Destemperados, em Porto Alegre. As pizzarias eleitas, no entanto, não se restringiram apenas a essas cidades. Fortaleza, Belo Horizonte, Jaboatão dos Guararapes-PE, Recife, Búzios-RJ, Bento Gonçalves-RS, Pelotas-RS e Florianópolis também marcaram presença no guia internacional.

Uma das maiores surpresas é a Boteco Barazzone, de Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, cidade litorânea, com 300 mil habitantes. A eleita fica a uma quadra da praia e não serve apenas pizzas. “Estamos aqui há 23 anos e fomos uma das primeiras pizzarias de Recife”, comemora Julia Dias, que hoje comanda o negócio criado pelo pai. “Recentemente renovamos o conceito e fomos de pizzaria à boteco. Vendemos coxinha, pastel, batata frita e outras comidinhas comuns em bares. Mesmo assim, a pizza continua sendo nosso carro-chefe”.

Boteco Barazzone, de Jaboatão dos Guararapes-PE, é uma das grandes surpresas do guia

Boteco Barazzone, de Jaboatão dos Guararapes-PE, é uma das grandes surpresas do guia

“O papel dos experts regionais foi organizar um júri de 10 a 12 pessoas, todas capazes de indicar as melhores pizzarias de suas cidades”, conta Silvana Azevedo, jornalista especializada em gastronomia. O critério para escolha dos jurados era livre. Por isso, em sua lista, havia o chefe de gabinete do Embaixador da Itália no Brasil, jornalistas gastronômicos, professores de gastronomia e blogueiros.

Cada jurado preencheu um formulário, explicando suas predileções, incluindo os sabores preferidos de pizza em cada lugar. “Os votos foram fechados, mas todos estavam cientes de que suas frases poderiam ser pinçadas dos relatórios preenchidos”, explica Silvana. “Por essa razão, quem preferiu preservar o segredo do voto deveria evitar comentários”. Os votantes também podiam indicar até três pizzarias de outras cidades ou de outros países. Computados os votos, Young teve a preocupação de colocar mapas indicando a localização dos estabelecimentos e, por vezes, revelou alguns segredos da pizzaria, como o tipo de forno usado ou a receita do molho. Os Estados Unidos aparecem com o maior número de pizzarias no guia. Foram 569 endereços. A Itália ficou em segundo, com 333 indicações, à frente do Brasil, com 66.

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Para selecionar os melhores pedaços de pizza, os especialistas precisavam levar em consideração “a qualidade e o equilibro dos ingredientes, a harmonia entre a quantidade de recheio e a espessura da massa e a coerência do cardápio com o conceito da casa”. “Como tínhamos a liberdade de indicar lugares de fora da própria cidade, dei meus pitacos também nas pizzarias de São Paulo”, diz Silvana, que trabalhou como crítica gastronômica das revistas Veja S. Paulo e Época São Paulo. “Também opinei nas pizzarias italianas, pois, no período da entrega dos votos, eu estava por lá e tive a chance de comer nas principais pizzarias de Napoli e Roma”.

Mesmo com tantos colaboradores ao redor do mundo, Young conta que visitou 80 pizzarias na Europa e nos Estados Unidos para a preparação do livro. “Meu paraíso é viajar e, independente de onde eu estiver, ter sempre uma boa pizzaria por perto”, declarou. Pois, então, estamos juntos, senhor Young.

Como todo livro de listas que se preze, o Where To Eat Pizza irá causar muita polêmica. É o caso de São Paulo, que tem a fama de fazer as melhores pizzas do mundo. Aqui, num universo de 4 500 candidatas, que produzem 700 pizzas por minuto, os especialistas elegeram: Bráz, Bráz Trattoria, Camelo, Castelões, Carlos Pizza, Cristal, Divina Increnca, Forquilha, Jardim de Napoli, Leggera, A Pizza da Mooca, Maremonti, Primo Basílico, Rossopomodoro (dentro do Eataly), Speranza e I Vitteloni. Todas pizzas, de fato, respeitáveis. Mas a lista não contemplou três das minhas preferidas no momento:  Margherita, na Alameda Tietê (a “pizzalino” é a melhor!), a Vituccio, na Vila Ipojuca (que também faz uma belíssima pizza no estilo napolitano), e Ráscal, em vários shoppings, que bate algumas da lista com facilidade.

Só sei que estou curioso para devorar esse livro.  A pré-venda está sendo feita pela Amazon americana por $18,26.

 

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