Balada Número 7 foi um dos maiores sucessos da carreira de Moacyr Franco. Ela foi lançada em 1971 e vendeu 347 mil discos, um número espantoso para a época. Sempre ouvi dizer que a música era um tributo a Mané Garrincha. Até que um ouvinte do “Você é Curioso?” contou uma outra versão. A música teria sido escrita para Ipojucã, ex-meia-direita da Portuguesa e do Vasco da Gama. No time carioca, atuava ao lado de Friaça, Ademir de Menezes, Pinga e Chico. Será que o jogador mereceria uma música? Ipojucã Lins de Araújo é o quinto maior artilheiro da história cruzmaltina. Entre 1944 e 1954, ele 225 gols em 413 j0gos. Atuou nove vezes pela Seleção. Para tirar a dúvida, o programa do último sábado conversou com o próprio Moacyr. Ele contou a história completa da música:

“Essa música, que virou a grande homenagem para a história do Mané Garrincha, começou assim. Um amigo – o compositor Alberto Luiz – chegou na minha casa numa manhã e disse: ‘Olha, eu fiz uma música para o Ipojucã, que pode ser o hino do jogador de futebol’. E eu falei: ‘É mesmo? Então vamos escutar!’.

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“O Ipojucã foi um grande meia avançado, que naquele momento estava internado no Hospital das Clínicas muito mal. [Ipojucan só faleceria em 1978, aos 52 anos].

“Aí eu escutei a música e falei:  ‘´Ó, Alberto, para ser um hino do jogador de futebol, é melhor você falar do Mané Garrincha, que é muito mais emblemático e que também não está numa situação boa. Está até meio doentinho também’. Então começamos a mexer na letra. Claro que a música e a letra são do Alberto Luiz. Mas eu fui dando uns palpites e ela foi ficando redonda e, provavelmente, muito mais bonita do que seria.

“No lançamento do long-play, ela era a faixa cinco ou seis do lado B, ou seja, sem nenhuma esperança de sucesso. Mas, um radialista do Rio chamado Haroldo Eiras (1919-1980) escutou a música e se encantou. Ele ficou completamente apaixonado e, por iniciativa própria, ligou para outras rádios e recomendou a música.

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Eu vivi momentos emocionantes com essa canção, que culminou com a campanha para fazer o jogo de despedida do Mané Garrincha. Foi um jogo em que a renda acabou ajudando a família do Garrincha. Algum tempo depois, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, foi feita uma homenagem a ele. Garrincha entrou no gramado ao lado de Elza Soares, enquanto eu cantava nos alto-falantes do estádio. Foi um momento muito emocionante, não esqueço jamais.”

Chamada de “Jogo da Gratidão”, a despedida de Garrincha com a camisa da Seleção Brasileira levou cerca de 150 mil torcedores ao Maracanã, no Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1973.  O Brasil venceu um combinado do resto do mundo por 2 x 1. Pelé marcou o primeiro gol do Brasil. Garrincha, 40 anos, deixou o gramado aos  30 minutos do primeiro tempo.

 

 

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