Ao longo dos últimos 28 anos, a peça Trair e Coçar é Só Começar colecionou três recordes e outras quatro menções no Guinness Book. São cerca de  6 milhões de espectadores em 9 mil apresentações. O elenco já teve 100 atores diferentes  –  13 só para interpretar a protagonista, a atrapalhada empregada doméstica Olímpia. Pois mais um marca incrível poderia figurar no currículo do espetáculo, escrito pelo ator e diretor Marcos Caruso. Um único espectador assistiu à peça 105 vezes  nos últimos seis anos (até 25/11).  “As pessoas me perguntam se não seria melhor gastar meu tempo em outras peças e eu digo que não”, afirma Daniel de Paula, 30 anos, gerente de produto do mercado financeiro.  “Se parar para pensar, foram 105 vezes em seis anos. Sobra bastante tempo para outras coisas. Acabei fazendo disso um passeio para levar diferentes amigos de cada vez”.

Trair e Cocar

Comemoração dos 25 anos de cartaz de Trair e Coçar É Só Começar. Daniel é o terceiro em pé da direita para a esquerda

O ator Carlos Mariano, que faz o papel do Dr. Eduardo Palhares na peça, é amigo da família de Daniel e sempre o convidava. Daniel foi pela primeira vez no Teatro Ruth Escobar em 2008. Mariano mandou o convite para um grupo de amigos, mas o único que se interessou  foi Daniel. “Fiquei fascinado”, lembra ele. “Fiquei analisando todas as conexões que a peça fazia. Foi uma incrível aula do que é uma boa comédia”. Gostou tanto que foi de novo nos seis finais de semana consecutivos. Ao todo, viu as aventuras de Olímpia em quinze teatros diferentes – sete na capital e oito na Grande São Paulo e no interior (São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Jundiaí, Campinas, São João da Boa Vista, Bauru e Vinhedo). Um detalhe: ele sempre fica na fileira D, inicial de seu nome. Daniel já decorou o texto da peça inteira e estreitou os laços de amizade com outros atores do elenco, como Anastácia Custódio e Mario Pretini. Quando o fã número 1 está na plateia, os atores encontraram uma maneira de homenageá-lo. O próprio Daniel conta como é este caco. “Em determinado momento, o personagem do Carlos Mariano precisa chamar o porteiro. Como o tal porteiro não é interpretado por ninguém, ele inventa sempre um nome diferente. Quando eu estou no teatro, o porteiro ganha o nome de ‘Seu Daniel’”.

daniel e anastácia

Daniel de Paula com a protagonista Anastácia Custódio, a atual Olímpia

Daniel, paulista de Santo André, costuma ir ao teatro para ver outras peças, sim, e avisa que sempre assiste a elas mais de uma vez. Até o filme Trair e Coçar é Só Começar, que foi baseado na peça teatral, já viu sete vezes. Embora trabalhe no mercado financeiro, o fã garante ter uma “alma artística”. Mesmo assim, nunca pensou em seguir carreira no teatro. “O que eu gosto mesmo é de entender o organismo do teatro”, argumenta. “É uma engrenagem, com muitas regras, disciplina e memória. Por isso que é interessante ver mais de uma vez, tanto do ângulo dos bastidores quanto do público”.

daniel e zeze

Daniel de Paula com a camareira Zezé, chamada pelo elenco de “a verdadeira Olímpia”

Ao contrário da montagem feita por Marcos Caruso, que já está no Guinness Book por ser a peça com mais tempo em cartaz no teatro brasileiro, Daniel nunca pensou em se inscrever para entrar no livro dos recordes. “Seria difícil, pois nem tenho os 105 ingressos”, lamenta. “Muitas vezes fui convidado pela produção ou então assistia à peça lá da coxia”. A marca deve aumentar neste final de semana. Daniel planeja conferir a peça pela 106 ª vez neste final de semana, agora no Teatro UMC, na Vila Leopoldina. Este ano, “Trair e Coçar” encerrará a temporada no dia 14 de dezembro.

(Fotos: arquivo pessoal)

  • Share/Bookmark