A lista de ídolos do Papa Francisco não se resume aos santos da Igreja católica. Torcedor fanático do San Lorenzo de Almagro, da Argentina, o pontífice também se lembra, como todo apaixonado por futebol, de craques que marcaram sua infância e sua juventude. Num encontro que aconteceu ontem com jogadores da Itália e da Argentina, que disputarão um amistoso hoje em Roma, o Papa Francisco contou ter acompanhado com muita emoção, aos 10 anos, o título argentino de 1946 e os gols de Pontoni. Ele já tinha se referido ao título e ao jogador numa carta escrita ao presidente do clube em março passado.

O centroavante René Pontoni foi considerado um dos maiores jogadores da Argentina da década de 40, justamente a época em que as Copas do Mundo não foram disputadas por causa da Segunda Guerra. Ele iniciou a carreira como profissional em 1941, atuando pelo Newell’s Old Boys. Tem a maior média de gols marcado pela equipe (67 em 110 partidas). Transferiu-se para o San Lorenzo em 1945. Logo na estreia, em 22 de abril, o time ganhou do Gimnasia de La Plata por 4 x 2 e ele assinalou três vezes. Ajudou na conquista da taça de 1946 num dificílimo campeonato de pontos corridos, que teve o Boca Juniors o tempo todo nos calcanhares. Pontoni marcou 20 dos 90 gols do time na competição (ele ficou em quinto na artilharia). No total, foram 66 em 98 jogos disputados com a camisa do San Lorenzo. No período, Pontoni conquistou o tricampeonato da Copa América pela Argentina (1945/46/47). A pontaria sempre foi seu forte: 19 tentos em 19 partidas pela Seleção.

Mas a trajetória vitoriosa foi interrompida em 1948. Em disputa de bola com o zagueiro Rodolfo de Zorzi, do Boca, Pontoni sofreu um rompimento nos ligamentos do joelho direito. Um ano depois, já recuperado da grave lesão, Pontoni foi contratado pelo Santa Fé, da Colômbia, que desejava fazer frente às grandes contratações (Di Stéfano e Pederneras) realizadas pelo maior rival, o Millionarios. Permaneceu 2 anos em solo colombiano (incluindo uma passagem relâmpago pelo Deportes Quindio) até vir reforçar a Associação Portuguesa de Desportos, que completa 93 anos no dia de hoje. Na foto abaixo, ele é o segundo agachado, da esquerda para a direita.

Em 1952, a Portuguesa tinha um time respeitado, que contava com nomes do nível de Djalma Santos, Julinho, Pinga, Nena, Ceci, Simão, Brandãozinho e Nininho. Segundo levantamento de Everton Calício, um dos historiadores do Museu da Lusa, Pontoni estreou num amistoso no dia 26 de março. Derrota de 3 x 0 para o XV de Piracicaba. Ele faria 17 partidas com a camisa rubro-verde até deixar o clube em 24 de maio de 1953. Fez cinco gols – dois contra o Palmeiras, dois contra o Bandeirante e um contra o XV de Piracicaba. Estava com 33 anos. Voltou para o San Lorenzo, onde disputou mais quatro partidas amistosas e encerrou a carreira. Treinou a própria equipe em 1962 e faleceu em 14 de abril de 1983, em Santa Fé, sua cidade natal.

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