Mais um mito histórico foi cientificamente derrubado! Economistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, estudaram 18 desastres marítimos ocorridos entre os anos de 1850 e 2011 para chegarem à seguinte conclusão: em situações de desespero, o lema “mulheres e crianças primeiro” é furado! Nessas horas, o ditado que prevalece é “salve-se quem puder”.

O mito surgiu logo depois da tragédia do Titanic. O episódio, que representa uma exceção entre a maioria dos naufrágios da história, ficou marcado pela alta taxa de sobreviventes do sexo feminino. Dos 18 casos estudados, o do Titanic é um dos únicos dois onde essa taxa foi maior que a masculina. No famoso transatlântico, 70% das mulheres a bordo sobreviveram, enquanto a proporção não passou dos 30% nos outros casos estudados. Quanto aos homens, cerca de 40% deles costumam escapar das tragédias; no lendário Titanic, só 20% se salvaram.

O curioso é que esse não é o único mito histórico que já foi desmentido. Tiroteios não eram comuns no velho oeste, os vikings não usavam chapéus com chifres, Shakespeare não criou a história de “Hamlet” e as bruxas de Salém não foram queimadas. Entenda como esses mitos foram criados:

Velho-oeste pacífico

A visão violenta do velho-oeste norte-americano retratada nos cinemas não passa de uma lenda. Os tiroteios não aconteciam com frequência, e a população não tinha medo de ser baleada ao sair na rua. Na verdade, estatísticas mostram que o velho-oeste era até mais pacífico do que o normal.

Não há uma única cidade da região que tenha registrado, na época, mais de cinco casos de homicídios em um ano. A média era de 1,5 assassinatos ao ano, e as mortes nem sempre eram ocasionadas por armas de fogo. O mito provavelmente nasceu por causa de personagens históricos como o fora-da-lei Billy the Kid, temido pela valentia. Apesar da fama de sanguinário, ele não acumulou mais que quatro homicídios em seu currículo. Na época, era comum que os homens aumentassem seus feitos violentos para contar vantagem entre os conhecidos.

Os vikings não usavam chapéus com chifres

Apesar de o capacete com chifres laterais ser bem famoso e característico dos vikings, ele não passa de uma lenda. Quem explicou isso foi Johnni Langer, professor de História Medieval da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que coordena o Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, em entrevista ao Você é Curioso?. “Essa imagem foi criada por artistas do século XIX, e não tem nenhum respaldo histórico”, esclarece o professor. Os vikings até usavam capacetes, mas todos os encontrados eram lisos, sem nenhum adorno ou protuberância.

As bruxas não iam para a fogueira

Em 1692 e 1693, uma onda anti-bruxaria atingiu a cidade de Salém, em Massachusetts (EUA), levando à morte de 20 das 150 mulheres acusadas de feitiçaria. A história virou livro, filme e lenda. Diferentemente da versão que ficou registrada no imaginário popular, 19 dos 20 acusados foram enforcados – e não queimados. Seis deles eram homens, o que contradiz mais um mito – o de que só as mulheres eram acusadas de bruxaria. Um deles não sobreviveu às torturas conduzidas pelas autoridades, e acabou morrendo antes de ir para a forca.

Walt Disney não desenhou o Mickey e Shakespeare não escreveu Hamlet

Isso não quer dizer que eles não sejam grandes artistas, mas Shakespeare e Walt Disney não são os autores de suas obras-primas. Quem desenhou o Mickey Mouse foi um dos animadores dos estúdios Disney, Ub Iwerks. Foi ele que deu vida, à mão, ao primeiro curta-metragem do rato, em 1928. Produzindo cerca de 700 desenhos por dia, o animador terminou todo o trabalho em apenas duas semanas. O próprio Walt Disney nunca conseguiu copiar o modelo de Ub com perfeição. Mas são dele os créditos da voz de Mickey Mouse nos primeiros desenhos falados.

William Shakespeare viveu uma experiência parecida. Apesar de ser mundialmente creditado pela obra Hamlet, uma das mais famosas de seu currículo, o dramaturgo nada mais fez do que uma adaptação de uma história escandinava antiga. No entanto, apesar de não ser original, Hamlet de Shakespeare é certamente uma obra-prima.

O homem não envelhecia mais rápido na Idade Média

Não é verdade que, na Idade Média, homens de 40 anos de idade já eram considerados idosos. Realmente, a média de longevidade dos seres humanos beirava os 35 anos. Mas isso não significa que as pessoas morriam de velhice antes dos 40. Esse valor, na verdade, era baixo assim devido à alta mortalidade infantil e juvenil. Cerca de 20% das pessoas morriam antes de completarem cinco anos de idade, e outras 40% não chegavam à idade adulta. Quem conseguisse passar pelas dificuldades da juventude, que geralmente eram associadas a doenças infecciosas, podia chegar até os 70 ou 80 anos de idade.

As pessoas não pensavam que a Terra era plana

As primeiras teorias de que a Terra seria esférica surgiram na Grécia Antiga, 6 séculos antes de Cristo. Com o passar do tempo, a ideia foi aos poucos se consolidando na crença popular. Na Idade Média, entre os séculos V e VX, já não havia escolas ou estudiosos que ainda pregassem a ideia de que a terra era plana. O mito de que antigamente as pessoas acreditavam que a terra era plana surgiu no século 17, como parte de uma disputa dos protestantes contra o ensino cristão nas escolas. Para que a religião dominante perdesse força, os protestantes espalharam o rumor de que as crianças que estudavam em escolas cristãs aprendiam teorias científicas manipuladas e equivocadas.

Napoleão Bonaparte não era baixinho

Para os padrões da época, Napoleão Bonaparte não era baixinho. Na verdade, ele era até um pouco mais alto do que a média da população francesa. Depois de morto, em 1821, a altura oficial de seu corpo foi registrada: Napoleão tinha 1,57 metro. A altura média dos franceses no fim do século 18 era de 1,55 metro. O mito surgiu por conta de seu apelido, “O Pequenino”. A expressão correspondente em francês, no entanto, pode representar um sinal de afeição, e não necessariamente uma característica física.

A imagem do Papai Noel não foi criada pela Coca-cola

A Coca-cola começou a usar o Papai Noel em suas propagandas nos anos de 1930. Nessa época, a imagem do bom velhinho já estava consolidada no imaginário popular. A imagem acima, por exemplo, é de 1925. Outras marcas, inclusive, já usavam o Papai Noel em suas propagandas de Natal. A Coca-cola, no entanto, devido à magnitude de seu alcance, conseguiu difundir a imagem globalmente. Foi daí que surgiu o mito.

Einstein não reprovou em matemática

Albert Einstein não reprovou em matemática quando estava na escola, como se costuma ouvir. Ele mesmo já desvendou o mito em entrevista: “Eu nunca reprovei em matemática. Antes dos 15 anos, eu já tinha certificado em cálculo diferencial e cálculo integral”. O mito vem de histórias mal contadas a respeito da única reprovação da vida do gênio. Ele não foi aprovado na Escola Politécnica Federal quando primeiro se candidatou à vaga, em 1895, apesar de ter ido super bem nas provas de ciências e matemática. Na época, Einstein era dois anos mais novo do que a média dos alunos que concorreram. Dá um desconto…

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