O Brasil ainda não escolheu quem será seu novo (a) presidente, mas um de nossos países vizinhos, Porto Claro, já terminou seu processo eleitoral de 2010 no mês passado. André Szytko, do PDL (Partido Democrático Liberal), foi reeleito e irá exercer seu quarto mandato como presidente.

As eleições no país acontecem a cada seis meses, e Szytko venceu apenas três delas. “Já assumi a presidência uma vez sem eleições, quando o presidente do Senado e o vice-presidente renunciaram aos cargos”, explica o técnico de informática paranaense.

Nunca ouviu falar desse tal país da América do Sul? Calma, não precisa sair correndo atrás de um atlas. A República de Porto Claro (ou PC) é uma simulação de país, ou uma micronação, criada em 1992 por um grupo de amigos do Rio de Janeiro. Um deles era Pedro Aguiar, que resolveu levar a brincadeira adiante. Ele inventou vários personagens imaginários para PC – rei, rainha, príncipes, primeiro-ministro, prefeitos… Até que, em 1996, PC foi parar na internet. Em 1998, Aguiar deixou o “país”, insatisfeito com o resultado do plebiscito que decidiu que a Monarquia de Porto Claro deveria se tornar uma República. Vida política bem agitada para um país que nem existe de verdade!

Hoje, para se tornar um cidadão portoclarense legítimo, o internauta precisa preencher um formulário de imigração e tirar a cidadania provisória. Só depois de 30 dias, se o aspirante a cidadão provar que é ativo e engajado nas questões da nação, a identidade permanente é emitida. Atualmente, existem 40 portoclarenses, sendo que o mais jovem tem 12 anos e o mais velho, 58. A cada mês, o Ministério de Imigração recebe de 4 a 6 novos cidadãos em Porto Claro.

Essa história de país fictício já deu até casamento! Em entrevista ao Blog do Curioso, o presidente André Szytko explicou melhor essa história e contou como funciona a República de Porto Claro.

Como funciona a política no país?
O micronacionalismo tem na vida política a maior parte da atividade. Antigamente a votação era feita no sistema do YahooGroups, mas há um bom tempo temos nosso próprio sistema. Cada cidadão definitivo recebe um login de acesso ao receber sua carteira de identidade.

Quais são as atividades do país?
Dentro de Porto Claro, temos administradores, professores, médicos, engenheiros, advogados, empresários, comerciantes, estudantes. Temos uma Universidade, em que sempre há cursos e círculos de debates, fóruns de discussão. Já estamos também estruturando um sistema que será a Biblioteca Nacional. Fora isso, temos esportes do tipo off-line, e os mais jogados são warnet (uma espécie de jogo de tabuleiro virtual) e xadrez. São jogados pela internet.

Quais são as micronações amigas de Porto Claro?
No site da Chancelaria (Ministério das Relações Exteriores), temos a relação de micronações reconhecidas. Podemos dizer que entre as nossas amigas estão Principado de Sofia, Reino Unido de Portugal e Algarves, Reino Unido de Açores, PathrosReino de Santa Maria.

Em sua opinião, o que justifica a existência dessa e de outras micronações? Qual é o principal objetivo de Porto Claro?
É um hobbie para se passar o tempo, aliviar o estresse da vida macro. O micronacionalismo deve ter sido a primeira rede social da internet. Antes de Orkut e Facebook, o micronacionalismo já unia pessoas. Acho também que a necessidade de existência seja talvez criar o país com que você sonha. Não somos perfeitos, mas, por não haver disputas econômicas aqui, tudo acaba sendo melhor.

É possível fazer bons amigos em uma micronação?
Fiz bons amigos, mas pessoalmente não conheci ninguém ainda. O pessoal do Rio de Janeiro e de São Paulo sempre se encontra. Aliás, tem um casal formado em Porto Claro, Rafael e Gabriela, do Rio. Ela não é mais cidadã, mas Rafael está em Porto Claro até hoje. Eles se casaram e já têm uma filha.

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